Alberto Vieira celebrou 25 anos de sacerdócio. Centenas de pessoas prestaram homenagem ao “filho da terra” que dedicou mais de metade da actividade à missão em África.

Foi com a mesma túnica de quando foi ordenado que o padre Alberto Vieira celebrou as bodas de pratas de sacerdócio. O local também foi o mesmo, a Igreja Matriz de Santiago de Bougado recebeu o “filho da terra” para lhe prestar uma “homenagem justa” pelo percurso religioso e missionário que tem trilhado desde há um quarto de século.

Centenas de pessoas encheram a igreja para assistir à eucaristia de duas horas, na qual o padre aproveitou para agradecer a festa preparada em tempo recorde. Os foguetes, o tapete de flores minuciosamente desenhado, as ofertas das associações da freguesia e o arraial de S. Pedro, que encerrou a noite deixaram Alberto Vieira embevecido. Mas o coro da igreja reservou-lhe uma das surpresas do dia quando entoou uma música oriunda da cultura moçambicana.

Durante a missa, o Grupo Folclórico Infantil da EB 1 de Cidai ofereceu um livro e um brinquedo e o Grupo de Danças e Cantares de Santiago de Bougado ofereceu uma peça de linho e um bombo. Para “recordar o passado”, o Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado ofereceu um cavaquinho e “a música da terra” ficou simbolizada pelo CD oferecido pelo Grupo Sons e Cantares do Ave.

A Associação Recreativa de S. Pedro da Maganha ofereceu um quadro com uma miniatura do traje das marchas populares deste ano e um cachecol da colectividade. O desporto ficou representado pelo Centro Recreativo de Bougado e pelo Centro Associativo de Bairros que ofereceram uma bola e uma camisola e um equipamento, respectivamente. Também o Atlético Clube Bougadense quis deixar uma lembrança a Alberto Vieira, oferecendo-lhe um cachecol e uma medalha comemorativa dos 38 anos da associação.

O pároco de Santiago de Bougado, Armindo Gomes, também não quis deixar de proferir palavras de felicitação a Alberto Vieira, desejando que, “Deus lhe conceda celebrar aqui a 25 anos as bodas de ouro” e “se não for pedir demais, Deus lhe conceda celebrar as bodas de diamante”.

No sermão, sem discurso preparado, o padre Alberto Vieira invocou o Papa Bento XVI, afirmando que é importante que as pessoas se “agarrem” aos “pilares da igreja, que são S. Pedro e S. Paulo”. Num deles está “uma igreja profética, missionária, evangelizadora, que rompe fronteiras com o evangelho” e no outro “uma igreja que se estrutura, que aguenta com o impacto das culturas e que consolida a fé”.

 

Bougado é grande”

Pela homenagem prestada pela população de Santiago, padre Alberto não tem dúvidas que o princípio invocado muitas vezes pelo padre Vaz, quando era adolescente e acólito, “continua a ser verdadeiro”: “Bougado é grande”. E explica que assim é “mais ainda nestes últimos tempos, em que se organizaram em Comissão, mesmos com as dificuldades próprias da situação em que nos encontramos, e trabalharam noite e dia para esta festa”.

Em declarações ao NT, o homenageado confessou que a festa preparada “ultrapassou as expectativas”. O pedido de autorização para o arraial, feito com “timidez”, foi traduzido numa “festa maravilhosa”, sublinhou. “Nunca imaginei que fossem capazes. Não é que eu duvidasse da generosidade, mas que fossem capazes de, em tão pouco tempo e com tantas dificuldades que se sentem actualmente, trabalhar assim tanto para uma festa deste género” , acrescentou.

Carlos Portela foi um dos elementos da Comissão de Festas, constituída por “um conjunto largo de pessoas” que “desejavam fazer a festa que as Bodas de Prata que ele (padre Alberto) comemora mereciam”. Segundo o responsável, depois de alguns contactos as ideias começaram a surgir e depois de “conjugados esforços” foi possível promover um “arraial genuíno e popular”, feito por pessoas “que gostam do Padre Alberto”.

“Apenas pretendemos agradecer o que ele tem feito por Santiago de Bougado e pela cidade no global num espírito católico e missionário. Queremos agradecer também o que ele tem feito em Moçambique no âmbito da missão comboniana de que ele faz parte”, referiu.

Quase toda a comida e material utilizado para o arraial foi oferecido, enquanto as associações colaboraram de uma forma “espontânea”. Já o que vem dos colaboradores a nível monetário será para ajudar na missão em Nampula, Moçambique, afirmou Carlos Portela.

 

Missão é construir pontes mesmo quando elas caem.”

As bodas de prata sacerdotais celebradas por Alberto Vieira representam 25 anos de uma vida de serviço na Europa e, na maioria, na missão. Esta foi a opção do padre, que em África viveu anos de muitas privações, mas sempre a considerá-la “apaixonante”.

Seguir os ideais de Daniel Comboni é “árduo e difícil”, mas também é “construir pontes mesmo quando elas caem”. “Edificar outras, mesmo no sentido físico, mas sobretudo no sentido espiritual, cultural e religioso, porque a ponte que estabelecemos obriga todos os que estão em contacto connosco a aceitar a diferença, a ver de qualquer modo, de qualquer cor, de qualquer latitude”.

O missionário acredita que “é possível aderir a Cristo” e, com o seu projecto de vida, “renovar o Mundo”.

Na missão, a solidão “sente-se muitíssimo”, atendendo ao desnível e diferenças culturais, referiu. “Desnível, porque nós temos outras exigências culturais, diferenças porque a cultura macua (em Nampula) tem muito a ver com a cultura greco-romana e tem outra dimensão de vida. E daí que se sente muito essas diferenças e só bebendo da fonte que é Cristo é que é possível ultrapassá-las”, afirmou.

No Domingo 11 vai ter lugar uma eucaristia na Igreja Nova de S. Martinho de Bougado seguindo-se um almoço na Quinta Palácio Rauliana, em Ribeirão.