Na recta final?

                De boa vontade não escreveria mais sobre este tema. Seria sinal que estaria decidido e bem decidido. Mas a importância do assunto leva-me a, mais uma vez, me pronunciar sobre ele e manifestar a minha modesta opinião.

O Senhor Presidente da Câmara Municipal enviou aos munícipes uma carta onde deu conta das duas alternativas que se colocam, de momento para a edificação dos Paços do Concelho.

As duas hipóteses que se colocam são, a meu ver, a melhor e a pior das hipóteses. De lado ficou uma solução que, não me parecendo a melhor, e tendo questões pendentes, seria uma boa solução ou razoável.

As possibilidades resumem-se agora aos terrenos onde funcionou a Feruni e a antiga Serração da Capela.

Agrada-me a ideia de serem respeitados os Parques de Nossa Senhora das Dores e de Lima Carneiro, embora entenda que devem ser intervencionados para melhoria significativa, nomeadamente a substituição dos actuais materiais para materiais novos. E não me choca, antes pelo contrário, que sejam integrados no Centro Cívico porque só teremos a ganhar com isso. Serem integrados no Centro Cívico ou terem lá construções são coisas diferentes.

A edificação da Domus Municipalis na Serração da Capela seria uma forma de dar ao actual centro da cidade a dignidade que nunca teve e seria injusto que deixe de ser antes de o ser. Isto é: antes de ser um verdadeiro centro, deixar de ser o centro da cidade.

É aí que as pessoas, preferencialmente, gostam de se encontrar e é aí que todos os eventos são bem sucedidos, com poucas excepções.

O centro da cidade não apresenta qualquer tipo de saturação, à excepção do trânsito que deve ser solucionado com as variantes.

Construídas as variantes, teremos o centro desafogado e com boas condições para ser um bom centro cívico onde as pessoas, de todas as freguesias, gostam de estar, como já hoje sucede sempre que há eventos aí realizados.

É comum, na Trofa, apontar-se erros urbanísticos. Contudo, nenhum erro urbanístico se assemelhará à construção dos Paços do Concelho na Feruni. No meio das fábricas, em terrenos encharcados e sem características urbanas para o efeito.

Os custos, para futuro serão enormes e as desvantagens tocarão a todos os trofenses, mesmo para aqueles que defendem essa solução.

Não creio que seja bom critério promover o abandono do centro da cidade. Outras cidades conhecem bem os inconvenientes de tal urbanismo. Todos nós conhecemos os resultados do abandono do centro do Porto e o custo que hoje acarreta para a sua reabilitação. O Porto é apenas um exemplo porque em todas as grandes cidades isso se verifica. E se acrescentarmos outros custos indirectos, veremos quão inconveniente é esse abandono. A Trofa está a tempo de evitar esse erro.

Não é vantajoso criar muitos centros desgarrados e desligados: a cidade e o concelho não beneficiarão.

Um verdadeiro centro, mais harmonioso trará, seguramente, mais vantagens e menos custos para futuro.

Esta decisão não poderá obedecer a conjunturas. É demasiado importante para andar ao sabor da época.

 

Afonso Paixão