Em democracia, um Partido Político que não seja Poder, tem uma função importante, que é fazer oposição em nome da sua pureza ideológica. É para isso que se constituem os Partidos Políticos: para exercerem o Poder quando os eleitores assim o desejarem, ou fazerem Oposição quando os votos recebidos nas urnas, assim o indicarem. Numa verdadeira cultura democrática, o exercício do Poder e da Oposição são semelhantes: ambos são necessários ao exercício da democracia e são relevantes e altamente nobres desde que exercidos com ética e rigor ideológico. É para isso que servem os Partidos Políticos. Serem Poder ou Contra-poder. Também na Trofa, os Partidos Políticos têm o seu papel. Acima de tudo devem dignificar o Poder Local. Todos são importantes desde que cumpram com rigor o seu papel.

As estruturas concelhias do CDS/PP continuam a ser o “calcanhar de Aquiles” do Partido que se traduziu no último naufrágio nas eleições autárquicas anteriores, em 2005. Já lá vão mais de 4 anos!?! O que deveria ter acontecido era uma honesta e profunda reflexão sobre o acontecido nas eleições na Trofa, em vez da tradicional reflexão de mais um ganhador na noite das eleições. São as tais derrotas de sair de cabeça levantada “a olhar para o placard”, que nessa noite foi o olhar para o resultado da perda de muitos votos nas principais Freguesias que fizeram esquecer pequenas vitórias em locais pouco significativos, em número de eleitores. Uma coisa não compensou a outra.

E o que foi feito de lá para cá, ao longo de mais de 4 anos? Que se visse, nada! E o manancial foi imenso, desde a indefinição referente à localização dos Paços do Concelho, a inexistência das variantes e do Metro, até à falta do instrumento-mor para o desenvolvimento sustentado do Concelho que é o PDM. Nunca o CDS/PP emitiu um comunicado público a divulgar a sua posição sobre as grandes questões da Trofa e quando o fez foi para fazer um verdadeiro “frete” ao poder instalado. Sempre, mas sempre e unicamente a “estratégia coligacionista”. Só e mais nada!

É evidente que num Partido Político, é muito fácil fazer aprovar uma estratégia que beneficie um grupo e não o Partido. Basta convocar só os amigos e depois fazer com um ou dois “funcionários” até se abstenham ou votem contra, para que o acto pareça reflectido e democrático.

Neste ano de eleições autárquicas, o CDS/PP deveria estar em condições de ter uma dinâmica de sucesso na Trofa, mas para isso deveria ter-se fortalecido, ao longo destes quatro anos, como um Partido de quadros mas também um Partido de massas. Para que isso tivesse acontecido, o ostracismo deveria ter sido arredado da prática do partido, e não ser uma prática constante. Deveria ter-se abstido do «espírito de facção» em nome da solidariedade com a Trofa e com os Trofenses.

O enfraquecimento do CDS/PP na Trofa foi notório e até para negociar uma Coligação vai ter de se contentar com “pequenas migalhas” do Poder, quando deveria de estar em condições de negociar o contributo da manutenção do próprio Poder. Duas coisas distintas para o Partido mas que poderá não ser tão distintas assim. Na óptica pessoal e grupal, poderá até ter sucesso, mas levará a que o Partido definhe como tem vindo a definhar na Trofa, nos últimos quatro anos, motivado por interesses pessoais que se sobrepõem aos interesses partidários.

Obviamente que o CDS/PP não é um anexo de ninguém e na Trofa tem a obrigação de concorrer, às autarquias, com a sua bandeira, com as suas caras, com os seus quadros e assim contribuir para mudar o eixo da política no Concelho e não andar à procura de benesses pessoais ou de cargos. O CDS/PP deve pensar primeiro nos Trofenses e ter uma atitude responsável e construtiva para que a Trofa tenha uma melhor qualidade de vida que os Trofenses anseiam, precisam e merecem.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt