Os Stomp estão de regresso a Portugal, onde têm atuado frequentemente desde a primeira visita em 1998. Figueira da Foz, Porto e Lisboa recebem-nos como habitualmente cheios de entusiasmo. E foi precisamente uma boa casa repleta de fãs ansiosos que encontramos na tarde de sábado para a primeira atuação da passagem pelo Coliseu do Porto.

Neste novo espetáculo, com 8 bailarinos em palco, os já habituais caixotes do lixo, caixas de fósforos, vassouras, jornais, lava-loiças e carrinhos de supermercado são usados para produzir música. A uma panóplia de “instrumentos improváveis de percussão” juntaram-se as palmas, o bater de pés no chão e de mãos no corpo (levantando poeira), o estalar de dedos, a areia que no chão é arrastada de um lado para o outro e até a água que é despejada e atirada. Sacos de papel e de plástico são adereços usados num dos números, e imensos pneus de borracha enchem o palco de som e imagem. Uma nota curiosa deste novo espetáculo tem a ver com o número que é feito às escuras com isqueiros que vão acendendo a um compasso de ritmos, criando um efeito visual cativante. A tudo isto, junta-se o movimento frenético, o sapateado e o humor de um grupo de bailarinos irrepreensíveis. O público do Coliseu respondeu com entusiasmo e com palmas desalinhadas nos momentos de interação dos bailarinos com a sala, o que aumentou o humor da peça. Apesar de já serem bastante familiares do público, os Stomp conseguem apresentar nesta digressão um espetáculo de mestria (como de costume), com alguns elementos novos que cativam aqueles que já os viram antes e deliciam quem os vê pela primeira vez.

Inspirada no teatro de rua e fundada em 1991 em Brighton (sul de Inglaterra) por Luke Cresswell e Steve McNicholas, a companhia Stomp estreou-se no Edinburgh Fringe Festival e nos três anos seguintes percorreram grande parte do mundo, passando por Hong Kong, Barcelona, Dublin e Sydney. A digressão terminou de forma apoteótica em 1994 no London’s Sadler’s Wells. Em 1995 iniciaram uma digressão pelos Estados Unidos e começaram a recolher prémios por onde passavam. Em 1996, um novo marco para a companhia, com o convite para a Cerimónia dos Óscares. Já no novo milénio, em 2002, estrearam-se na zona de teatro londrina, no West End, onde permanecem até hoje. Dois anos depois celebraram o seu 10º aniversário no Orpheum, na Broadway, e em sua honra a Second Avenue na 8º Avenida foi oficialmente batizada com o nome STOMP Avenue. Há dois anos atrás, participaram na Cerimónia de Encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres, com os olhares de todo o Mundo virados para eles – não que tal fosse propriamente uma novidade, mas a escala era gigantesca.

Há mais de vinte anos a correr os cinco continentes, os Stomp conseguem a proeza de juntar gerações com os gostos mais diversos, proporcionando a todos momentos únicos. A lista de prémios atribuídos à companhia e aos seus vários espetáculos é imensa e revela a enorme popularidade junto do público, e a qualidade e originalidade que lhes é reconhecida por critícos e pares. Um dos maiores sinais de reconhecimento surgiu em 2008 quando a revista Entertainment Weekly os incluiu na lista dos Novos Clássicos: Os Melhores 50 espetáculos musicais entre 1983 e 2008. Motivos mais que suficientes para ver e rever os Stomp.

A digressão por Portugal continua com espetáculos em Lisboa no Centro Cultural de Belém, nos dias 9, 10 e 11 Abril às 21:00 e dia 12 Abril com sessão dupla, às 16:00 e às 21:00.

Texto: Joana Vaz Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

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