A atual crise, que começou por ser financeira e depois passou para económica e mais tarde para social, começou em 2008 com a falência de um tradicional banco de investimento americano, que foi seguida, no espaço de poucos dias, pela falência técnica da maior empresa seguradora americana, criando o efeito dominó noutras grandes instituições financeiras mundiais. Em poucas semanas, a crise norte-americana atravessou o Atlântico e instalou-se, até aos dias de hoje, na Europa.

Os governos passaram a socorrer ativamente as empresas financeiras em dificuldades, socorrendo os banqueiros com o dinheiro dos contribuintes, injetando nas empresas financeiras muitos milhões e milhões de dólares e de euros. Desde que a crise começou, o governo americano já injetou muitos triliões de dólares e os países da União Europeia já injetaram centenas de biliões de euros, na tentativa de salvar as instituições financeiras.

Os países mais prejudicados pela crise financeira, depararam-se com milhares de empresas que abriram falência e consequentemente o flagelo social do desemprego instalou-se, atingindo valores recordes, principalmente nas camadas mais jovens. Uma autêntica chaga social, pois a maioria dos mais de 200 milhões de desempregados que existem em todo o mundo são jovens. Para que o emprego cresça ao mesmo ritmo da população, têm de ser ciados 600 milhões de empregos até 2020. É um futuro cheio de incógnitas de difícil resposta, mas é preciso que os decisores políticos ponham a economia real a funcionar. Desde já, pois amanhã pode ser tarde!

Uma questão é colocada, com alguma veemência por muitos contribuintes é se o seu dinheiro não deveria ser canalizado para a economia real, geradora de emprego, em vez de ser injetado no setor financeiro, que mais parece um “saco sem fundo”. O sistema financeiro, se bem regulado (não foi o caso), pode ser o motor de uma economia de mercado, mas nos últimos anos não tem sido, bem pelo contrário, pois tem absorvido os recursos financeiros que deveriam ser para o desenvolvimento da economia.

Os contribuintes, que vêm o seu dinheiro ser injetado, única e simplesmente, no setor financeiro, vociferam contra este estado de coisas e apelidam os financeiros e os especuladores de seres humanos desprovidos de escrúpulos, cujo único objetivo na vida é usurpar o seu semelhante e extrair o máximo de lucros. Um paradoxo: os financeiros, que foram os causadores da atual crise são os grandes beneficiários do dinheiro dos contribuintes. E continuam!

A economia real é nobre, cria valor e prosperidade, retira pessoas da pobreza e é um sistema poderoso, criado pelos humanos, para elevar a sua existência e o seu progresso. O setor financeiro é a mão invisível ou poder invisível, que não é nem mais nem menos que um conjunto de déspotas financeiros que dominam e moldam o mundo a seu belo prazer, estão cheios de mentiras e são montes de pedras, cujo único sentimento é o cifrão. Os financeiros gananciosos são os grandes culpados pelo colapso da economia mundial.

Os especuladores, gente sem rosto que opera na sombra e sempre legitimados pelos políticos que elegemos, procuram o lucro fácil à custa do sofrimento dos cidadãos comuns, terão de responder um dia pelos seus atos criminosos e os responsáveis terão de ser punidos pela situação dramática em que o mundo mergulhou. É preciso, com urgência!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

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