Já são conhecidos os projetos mais votados para serem incluídos no Orçamento da Câmara Municipal para o próximo ano. Escola EB 2/3 Professor Napolão Sousa Marques e Escuteiros de Santiago de Bougado apresentaram os projetos eleitos pelos jovens.

Os projetos finalistas do Orçamento Participativo Jovem foram apresentados, não com sala cheia, mas com uma plateia atenta e com vontade de eleger os melhores, durante a Assembleia Municipal Jovem, que decorreu na Junta de S. Martinho de Bougado, na tarde de 25 de junho.

À votação estavam quatro projetos: dois apresentados por escolas, um de uma associação e outro de uma jovem trofense.

A EB 2/3 de Alvarelhos apresentou uma proposta para a criação de um circuito de manutenção. “O projeto era, essencialmente, voltado para o desporto. Este circuito permitir-nos-ia praticar desporto nos intervalos e nos tempos livres”, explicaram as alunas Alexandra Torres e Daniela Maia. A ideia surgiu depois de terem visto a mesma ideia aplicada “em várias escolas e praias”.

Já os alunos da EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques planearam a construção de um laboratório de Ciência. A participação surgiu “no âmbito das disciplinas de Área de Projeto, Físico-Química e Língua Portuguesa”, explicou Cláudia Ferreira. “Precisávamos de um local para realizar experiências e não tínhamos condições para isso”, acrescentou. A colega Cátia Faria considerou que este é um espaço que “faz muita falta”.

As escolas podiam concorrer com projetos que não ultrapassassem os 7500 euros, enquanto as associações e particulares podiam apresentar ideias com orçamentos até 12.500 euros.

O Agrupamento de Escuteiros de Santiago de Bougado sugeriu a criação de um circuito de manutenção no Souto de Bairros, especialmente pensado para os idosos: o Projeto Trofa Ativa. “Tentámos encontrar uma maneira de influenciar a vida das pessoas, focando-nos num aspeto fundamental: a saúde. As pessoas, hoje em dia, não têm tanto cuidado como deveriam, por isso, vamos implementar um conjunto de equipamentos geriátricos, no Souto de Bairros”, afirmou Luís Dias, do Agrupamento de Escuteiros de Santiago de Bougado.

Márcia Pinto mostrou o seu interesse pela cultura no concelho, através do projeto Cultrofa: “Consistia na criação de uma rede de programação cultural itinerante no concelho da Trofa. Para isso, seria realizada uma formação em teatro e dança, as áreas selecionadas para o projeto”.

Os jovens ouviram todas as apresentações e escolheram os que consideraram melhores. A vitória sorriu à Escola Professor Napoleão Sousa Marques e aos Escuteiros de Santiago de Bougado.

“Foi bom. Claro que cada projeto queria ter uma vitória, por isso foi muito bom. Além disso, para além de nós ficarmos contentes, os professores e o diretor da escola também estão satisfeitos”, confessou Cátia Faria, da EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques.

“Claro que ficámos contentes, não havia resultado melhor”, corroborou o jovem escuteiro Luís Dias, que confessou “acreditar no voto” dos eleitores.

Os autores dos projetos que não ganharam não põem de parte a tentativa de concretização do projeto de outra forma: “Não vamos desistir”, garantem as alunas de Alvarelhos.

Numa coisa, os jovens estavam todos de acordo: o Orçamento Participativo Jovem foi uma “boa iniciativa”, como referiu Cátia Faria.

“Finalmente é uma oportunidade para termos voz no concelho. Já fazia falta um incentivo aos jovens para participarem mais ativamente na dinâmica do concelho. Torna-se uma plataforma de lançamento, uma vez que ganhámos visibilidade com isto e, talvez, no futuro, alguém goste da nossa maneira de elaborar um projeto e possamos ganhar novas oportunidades”, concordaram Luís Dias e Jorge Silva, do Agrupamento de Escuteiros de Santiago de Bougado.

A mesma posição defendeu Márcia Pinto, que considerou a iniciativa “muito importante”, que permite “participar nas decisões da gestão do concelho”.

Daniela Maia, de Alvarelhos, assegurou que esta iniciativa “foi muito boa”, pois permitiu “apresentar algo” que os alunos queriam.

O momento da apresentação e votação dos projetos foi acompanhado pela presidente da autarquia, Joana Lima, e pela vereadora da Educação, Teresa Fernandes, que reconheceu que este foi “um dia importante para o concelho”. “Achei todos os projetos interessantes. Cada escola apresentou o seu projeto. Havia três escolas, inicialmente, mas o Agrupamento de Coronado e Covelas não pôde estar presente para apresentar a sua proposta, por isso não foi possível ir a votos. Também a nível geral, os projetos apresentados foram muito interessantes”, acrescentou.

Embora Teresa Fernandes tenha gostado de todos os projetos apresentados pelos jovens, já contava com estes vencedores: “Uma coisa é ver os projetos no papel e outra é a apresentação, que também conta muito. Durante a Assembleia Jovem Municipal deu para perceber que alguns projetos, possivelmente, sairiam vencedores”.

A pouca adesão dos jovens à assembleia não surpreendeu a vereadora, pois “a comunidade trofense não está habituada a participar nestes processos de decisão”. “Tínhamos de dar este primeiro passo e, agora, com a concretização no terreno destes projetos no início do próximo ano, as pessoas vão perceber que esta é mesmo uma medida a sério”, acrescentou.

 

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