A Caixa Geral de Depósitos (CGD) é um banco público, que teve no passado, e vai continuar a ter no futuro, uma importância indesmentível na saúde económica e financeira do país. A CGD tem sido um verdadeiro pilar financeiro do país, quanto ao crédito concedido à economia, pois continua a ser o principal banco português e o que mais apoia a economia, as empresas e as famílias.

Só que os desmandos políticos na CGD têm sido, nos últimos anos, uma constante originando a que o seu nome tenha andado nas «bocas do mundo», pelos piores motivos. Foram detetados riscos de fraude e erros de gestão, na concessão de crédito e não só, que em devido tempo foi alertada a tutela governamental e o Banco de Portugal (BdP), só que estas entidades oficiais não deram a devida atenção a este alerta, e nada fizeram.
O risco de fraudes e erros de gestão na CGD já tinham sido identificados pelo órgão de fiscalização do banco desde 2007, mas os alertas, inclusive de falhas nos procedimentos internos, que se traduziam num aumento grave da exposição da CGD ao risco, não tiveram a devida atenção e acompanhamento até 2014. Foi um «fartar, vilanagem» durante sete anos consecutivos, pois o Estado ignorou todos esses alertas.

O alerta do risco de fraudes e erros na gestão da CGD começou na administração liderada por Carlos Santos Ferreira, mas o aviso não mereceu a devida atenção do governo da altura, que era chefiado por José Sócrates, o pior primeiro-ministro que Portugal teve em democracia. Mas também não mereceu a devida atenção por parte do BdP, que era liderado por Vítor Constâncio.
Só nas 25 maiores operações de financiamento concedidos pela CGD, no referido período de sete anos, o banco público perdeu a quantia de 1,3 mil milhões de euros dos 2 mil milhões de euros concedidos. Mas também nos créditos concedidos para financiar a compra de ações, a CGD emprestou 788 milhões de euros e perdeu 520 milhões de euros.

O banco público também perdeu com financiamentos de projetos público-privados. Só em quatro destes projetos, referentes a autoestradas perdeu 176 milhões de euros, de um total de 256 milhões de euros financiados. A CGD serviu para muitos políticos corruptos praticarem autênticos crimes e desmandos sem conta. São quantias astronómicas que o banco público perdeu (ou seja: todos nós perdemos!), devido a um bom punhado de gestores que passaram pela CGD, em cada mandato, e foram solidários, incompetentes e displicentes na gestão da causa pública.

Entre 2000 e 2015, um total de 13 ex-governantes foram administradores da CGD. Os mentecaptos que estiveram na ruína do banco público são fáceis de identificar (os conselhos de crédito têm atas) e devem ser responsabilizados e condenados, urgentemente. Os portugueses têm direito a um apuramento destes desmandos políticos praticados na CGD, mas também de quem permitiu e «fechou os olhos» a estes atos criminosos.
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