Edição 503
Opinião: Nem tudo o que é legal, é moral

Governos atrás de governos serviram clientelismos, vivendo vidas de luxo, roubando-nos, o que hipoteca o nosso presente e deixam-nos muito para resolver: dívida soberana, défice, impostos, despedimentos, desemprego, corrupção, impunidades, prescrições. Agora, mais não nos resta do que sermos melhores do que o que nos precederam, não abrirmos mão da força do pensamento, exprimindo-o num direito fundamental, a Liberdade.
No uso dessa liberdade, vou abordar três temáticas que alastram como se de um “cancro social” se tratasse e onde, quanto a mim, a legalidade fere de morte a moralidade.
No topo da legalidade versus imoralidade coloco o aborto. Gostavas que os teus pais tivessem abortado de ti? Achas que eles tinham o direito de, depois de seres concebido, te retirarem o direito de nascer, de viver e também tu de teres os teus filhos? Estúpida lei de 2007, que institui a possibilidade de matar fetos, até à décima semana de gestação (como se a nona ou a décima primeira fossem diferentes!). Esta morte é assistida e gratuita, utilizando o Sistema Nacional de Saúde, com custos suportados por todos. Advogo que a defesa de uma vida é a maior prova de “intelectualidade” de um Estado. Estado que depois deve ajudar à criação e desenvolvimento desse novo ser, auxiliando os seus progenitores, com medidas adequadas e humanistas. Para os que pensam diferente de mim, aceito o vosso pensamento. Quero é que se lembrem que só pensam, porque não foram vítimas de aborto.
Outra legal imoralidade são os impostos. Claro que os Estados precisam de arrecadar receitas para cumprir a sua função e obrigações, através das suas estruturas de soberania e isso faz-se com dinheiro. Até aqui penso que estejamos de acordo. Agora, IRS sobre o trabalho (que leva muitos a dizer que o melhor é não trabalhar!) com taxas que, em alguns casos chegam a 50%, assemelha-se a um roubo! Depois com o que fica disponível ainda temos o IVA quando compramos artigos de uso comum, como a alimentação (onde nos é adicionado 23%). A necessidade de habitação, com o IMT na sua aquisição e o IMI que nos atormenta, como uma espécie de renda vitalícia ao senhorio municipal. Para possuirmos viatura, pagamos o ISV e, para poder circular o IUC. Outros ainda como, sobre as bebidas alcoólicas, sobre os produtos petrolíferos, o tabaco, o Imposto de Selo, a Derrama sobre os lucros das sociedades, e infelizmente etc., etc., etc., que nos confiscam cerca de 70% do nosso rendimento para alimentar os vícios de despesismo e de boa vida do Estado Soberano.
Ajustes Diretos (lei de 2009), é a expressão “mágica” que retira o dinheiro dos nossos impostos, desse mesmo Estado, para favorecer os “amigos” através de encomendas, onde os titulares do poder público podem, a seu livre prazer, adjudicar, dentro da legalidade, até à quantia de 75 mil euros! Situação imoral desde logo, porque é potenciadora de concorrência desleal, não premiando as boas práticas das boas empresas onde, para tal existe a figura dos Concursos Públicos (regras claras, objetivas e iguais para todos). Anualmente 700 milhões de euros fogem, em Portugal, a Concursos Públicos, por parte das Câmaras Municipais, empresas Municipais e Juntas de Freguesia, ou seja a módica quantia de cerca de dois milhões de euros/dia. Como diz o povo: “A mulher de César não basta ser honesta, tem também que parecer honesta”. É na dúvida permanente que paira sobre os Ajustes Diretos, que está o “chico espertismo” de quem quer financiar coisa terceira ao interesse público que, em linguagem jurídica, numa grande parte dos casos se pode considerar o princípio da corrupção!
Com esperança de que ainda vamos a tempo de colocar os corruptos na cadeia, faço votos de uma boa quadra festiva junto daqueles que mais gostam!
João Pedro Costa


