Apesar de estar a funcionar desde Fevereiro, esta valência localizada na sede do Centro Hospitalar de Médio Ave teve apenas descerrada a placa inaugural na passada sexta-feira, com o presidente do conselho de administração a anunciar cerca de 800 pacientes operados neste regime, que permite ao doente entrar na sala de operações de manhã e regressar a casa no mesmo dia.

 Reduzir em 46 por cento as operações sem internamento foi a meta apontada por José Dias, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Médio Ave, no dia em que foi inaugurada a nova unidade de cirurgia de ambulatório do Hospital de Santo Tirso, com a presença do secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro.

Apesar de estar a funcionar desde Fevereiro, esta valência localizada na sede do Centro Hospitalar de Médio Ave teve apenas descerrada a placa inaugural na passada sexta-feira, com o presidente do conselho de administração a anunciar cerca de 800 pacientes operados neste regime, que permite ao doente entrar na sala de operações de manhã e regressar a casa no mesmo dia. É uma intervenção cirúrgica sem que haja lugar a internamento que contribui para a redução das listas de espera.

A unidade tirsense de cirurgia de ambulatório, ainda pioneira no país, custou cerca de dois milhões de euros e representa o segundo investimento mais avultado apontado para a unidade de Santo Tirso, o que lhe permite estar na "liderança nacional" do atendimento médico, garantiu Manuel Pizarro.

Ao todo, são esperados gastos na ordem dos 10 milhões de euros para a introdução do novo Serviço de Urgência, que se prevê que esteja concluído no final do primeiro trimestre de 2009, e ainda das novas unidades de Medicina Interna e Consulta Externa.

"A unidade de Santo Tirso, como a unidade de Famalicão, tem um conjunto de profissionais, médicos e enfermeiros muito qualificados, o que não significa que essa equipa não precise de melhorias e de actualização, mas as populações podem estar tranquilas, porque a resposta que temos tido dos profissionais à melhoria das condições é notável", referiu o secretário de Estado.

José Dias sublinhou que a cirurgia de ambulatório é o futuro e poderá representar metade das operações agendadas no espaço de dois anos. Prevê-se ainda, já para o final deste ano, que se dupliquem o número de cirurgias deste tipo, relativamente a 2006, de 1689 para 3750. "O Governo não vai precisar fazer muita propaganda desse assunto porque as pessoas farão a propaganda por nós quando virem as mudanças", frisou o secretário de Estado acerca da nova valência inaugurada.

Para melhorar o serviço, em Agosto, o actual bloco de cirurgia vai sofrer obras para a ligação com a cirurgia de ambulatório. Esta rentabilização do espaço permitirá "ter duas salas a drenar doentes para o actual recobro e melhorar os números", afirmou José Dias.

A meta de 46 por cento de cirurgias de ambulatório é apenas um objectivo para este ano, já que José Dias referiu que a intenção do Centro Hospitalar é atingir os valores dos países onde esta valência está mais desenvolvida, que é de 50 a 60 por cento, dentro de dois anos. Estes números poderão obrigar a introduzir uma outra unidade em Famalicão.

Falta de recursos humanos dificulta apetrechamento de serviços

Sobre as melhorias apontadas para a unidade tirsense do Centro Hospitalar, José Dias não escondeu a dificuldade na formação de equipas nalgumas áreas cirúrgicas do serviço de urgência, como no caso da ortopedia.

A neurologia é outro dos serviços, cujo entrave é a "falta de recursos humanos", pois não há médicos que se possam recrutar. Apesar da dificuldade de integrar novos médicos nas unidades de Santo Tirso e Famalicão, o presidente do conselho de administração sublinhou que vão ser mobilizados esforços para "manter a identidade das duas instituições".

No serviço de saúde mental falta organizar a recepção do serviços e prevê-se que em meio ano entre em funcionamento e que Famalicão integre também uma unidade.

No que concerne à gastroenterologia existe já uma unidade a funcionar em Famalicão três vezes por semana e duas vezes em Santo Tirso. O próximo objectivo é formar "uma unidade que possa ter essa especialidade todos os dias", frisou José Dias.

Castro Fernandes espera que protocolo assinado com Governo "seja cumprido"

Manuel Pizarro visitou ainda as freguesias de Areias e S. Martinho do Campo, onde a população reivindica duas novas extensões de saúde do concelho. Na visita, o edil tirsense, Castro Fernandes, aproveitou para relembrar a assinatura do protocolo com o Governo e sublinhou a preocupação da autarquia sobre a saúde dos tirsenses, não deixando de frisar a qualidade do hospital "com cirurgia de ambulatório, cuja importância passa ao lado dos tirsenses, e com um serviço de urgência básica que não serve apenas o concelho de Santo Tirso".

Perante o pedido, o secretário de Estado assegurou que "há um conjunto de medidas a tomar para melhorar as estruturas dos cuidados de saúde primários".

Cátia Veloso/Vera Araújo