Na última crónica deixei em aberto comentar neste espaço as contas do Nosso Município, sabendo que face à periodicidade que eu próprio escolhi, podia ser interpretado como fora de tempo, mas permitindo perceber se o Nosso Presidente da Câmara assumiria ou não o meu desafio, de afirmar que o que escrevi era mentira.
Após quase um mês, posso ficar com a presunção, perdoem-me os digníssimos e ilustres colaboradores deste jornal, de que para além da data deste jornal, a minha crónica também não detêm inverdades, porque, pelo que conheço, este não veio a público contradizer uma linha que seja.
Sobre este tema, e para aqueles que se interessam por conhecer melhor as contas do município, resta-me esclarecer que o que se coloca em causa não é a divisão de finanças da CMT, não são os números ou o próprio documento, mas a mensagem política conscientemente deturpada, ao esconder nas intervenções públicas do executivo, a sua decisão de contabilizar as receitas de impostos de dois anos, nas contas de 2014.
Não assumir isto, é que é um EMBUSTE.
Foi solicitado para este relatório e contas, com a preocupação de permitir uma análise clara, fosse ela favorável ou desfavorável a quem esta no poder, a desagregação e o peso, por rubricas, dos pagamentos do PAEL e PRF, para se poder avaliar o desempenho financeiro e económico deste executivo.
Será que se temeu uma avaliação das contas de forma mais cuidada? Este executivo permite que a dúvida fique no ar, com a sua postura face à oposição.
Não queria voltar a dar ênfase à falácia que a bandeira da execução orçamental de 2014 representa.
Se um adolescente fosse Presidente de Câmara e com o dinheiro recebido do PAEL/PRF realizasse os respetivos pagamentos, sem qualquer outra medida de relevo, tinha similar impacto no grau de execução do orçamento. Onde fica o mérito? Mas mais grave, é que o volume de custos operacionais da Câmara, apesar de tudo o que foi tornado público por este executivo no que ao corte de despesa diz respeito, se manteve.
Resta-me contrariar o Sr. Vice-Presidente da Câmara aquando da sua apresentação de contas na Assembleia Municipal, quando afirmou “quando a despesa corrente é maior que a receita é porque houve poupança”, que na verdade é tudo menos isso, valendo a modéstia que lhe é característica, quando afirmou não ser contabilista e que “ou eu não percebo”.
Ora se as receitas da CMT aumentaram, porque isso todos nós sentimos no nosso bolso por via das taxas e carga fiscal, se a despesa se manteve, e as prestações, com a redução verificada nas taxas de juro, representaram um menor encargo, onde estão as obras e as melhorias de condições de vida apregoadas para os Trofenses, face a tamanha folga?
Continuamos a correr riscos de perder fundos comunitários para o projeto de reabilitação dos parques e para o Parque das Azenhas. Este último parado sem que nada tenha sido afirmado pelo executivo que justifique tamanha demora.
Uma coisa infelizmente será certa se estas verbas se perderem, este executivo terá que assumir a responsabilidade perante os trofenses, o que não é desejável e muito pouco consolador para um Trofense.
Como Trofense, gostava pelo bem estar da minha filha e dos que me são queridos e vivem nesta terra que escolhi, que se começasse a enfocar na resolução dos muitos e graves problemas que esta terra detêm, sem que o único objetivo fosse mais uma inauguração ou “post” no facebook.
É altura de colocar o Orgulho de lado e fazê-la crescer, pelo bem estar de TODOS OS TROFENSES.

Pedro Ortiga