Depois de três meses e meio parada por falta de verbas, as obras da Casa do Campo, em Alvarelhos, vão ser retomadas dentro de duas semanas. Fundação Mundos de Vida e Câmara Municipal da Trofa chegaram a consenso sobre pagamento de subsídio.

No início deste ano, a Fundação Mundos de Vida foi confrontada com a impossibilidade de a Câmara Municipal da Trofa – apesar de reconhecer “o grande interesse da obra” – pagar o valor do donativo mensal que estava previsto, durante o decorrer da fase de construção do edifício. Ficou acordado que o pagamento do subsídio atribuído (no valor total de 600 mil euros) fosse feito de uma forma faseada ao longo de três anos.

Assim, e atendendo à impossibilidade de endividamento por parte da autarquia trofense, a Fundação Mundos de Vida recorreu à banca para conseguir fazer face ao investimento. Foi necessário “proceder-se à negociação de um empréstimo bancário para se reunirem fundos suficientes”. Esta negociação obrigou à paragem das obras durante mais de três meses. Na terça-feira, o vice-presidente da Câmara Municipal, Magalhães Moreira, o presidente da Fundação Mundos de Vida, Manuel Araújo e o presidente do Centro Comunitário da freguesia, Joaquim Oliveira, lideraram uma visita às obras para assinalar o reinício dos trabalhos. Foi “um dia de alegria para Alvarelhos”, referiu Joaquim Oliveira, que espera “levar a bom porto” a construção iniciada em Agosto de 2009.

O empréstimo no valor de “um milhão e 375 mil euros” foi a solução encontrada em parceria com o banco Millennium BCP para realizar a obra “sem dificuldades”, explicou Manuel Araújo, presidente da Fundação Mundos de Vida.

José Magalhães Moreira, destacou que a retoma dos trabalhos, “apesar das dificuldades orçamentais e económicas que Portugal atravessa, mostra bem que ainda há força e capacidade de iniciativa, quer do Estado, quer da autarquia, quer da comunidade”. “Estas intervenções são essenciais e ajudarão a alcançar a plena integração social de todos os cidadãos e o desenvolvimento sustentado do concelho”, atestou. “Nós temos que honrar a palavra da instituição Câmara Municipal da Trofa”, declarou o autarca, recordando que o subsídio atribuído é anterior ao actual executivo camarário, embora “não seja isso que esteja em causa: a Câmara Municipal tem gosto em atribuir este subsídio”.

A obra tem uma área de construção de 3500 metros quadrados e deverá estar concluída dentro de um ano e vai englobar creche, centro de dia, lar de idosos e serviço de apoio domiciliário, tendo capacidade para 232 utentes e criando mais de meia centena de postos de trabalho. Trata-se de um projecto no valor de mais 2,4 milhões de euros, o maior aprovado no distrito do Porto, com o apoio do Programa Pares, do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e da Câmara Municipal da Trofa. A par destes apoios, vai ser também necessário reunir apoios locais. Por isso, foi decidida a criação de uma Comissão de Angariação de Fundos da Casa do Campo, que integrará várias pessoas das freguesias do sul do concelho da Trofa. “Todos os apoios são bem-vindos”, frisou Manuel Araújo.

“A Casa do Campo vai entrar, agora, numa fase de acelerada construção, esperando a Comissão de Angariação de Fundos, obter os recursos necessários para se abrir um novo equipamento social que será um dos melhores do país, inspirado numa arquitectura humanista que respeita os valores do ambiente e numa filosofia que procura manter as vivências familiares”.

Manuel Araújo espera que em Setembro de 2010 a Casa do Campo esteja concluída para receber as primeiras crianças que vão preencher os 66 lugares disponíveis na creche.