Ministro da Educação anunciou que obras na Secundária da Trofa recomeçam no verão, um dia depois de Elisa Ferreira, candidata do Partido Socialista às Eleições Europeias, ter estado no concelho da Trofa para se inteirar da situação da paragem nas obras de requalificação da Escola Secundária da Trofa e para visitar a Escola Profissional Cenfim.

Nuno Crato, ministro da Educação, anunciou esta terça-feira, dia 6 de maio, através de um despacho que assinou nesse dia, que as obras em 14 escolas, da responsabilidade da Parque Escolar, vão recomeçar, sendo uma delas a Secundária da Trofa. O ministro adiantou que “o investimento nestes estabelecimentos de ensino, cujas obras vão recomeçar, têm um valor previsto de 100 milhões de euros, com verbas financiadas por fundos comunitários, do orçamento de Estado e de uma linha de empréstimo do BEI-Banco Europeu de Investimento”. O governante garantiu que tudo está a ser preparado para que as obras “comecem já no verão, mas sem luxos”.

Nuno Crato comprometeu-se ainda a “dentro de semanas divulgar quais os estabelecimentos de ensino onde ainda existe amianto”.

O anúncio do governante foi feito um dia após a eurodeputada Elisa Ferreira, acompanhada por Marco Ferreira, presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista da Trofa, pelos vereadores Joana Lima e Magalhães Moreira, Teresa Fernandes, presidente do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas do Porto e também vereadora na autarquia trofense, Joaquim Couto, presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, entre outras personalidades do Partido Socialista, ter estado na Trofa, para acompanhar a evolução do processo de suspensão das obras na Escola Secundária.

Elisa Ferreira e a comitiva socialista foram recebidas por Paulino Macedo, diretor do Agrupamento de Escolas da Trofa, que os acompanhou durante a visita e explicou as dificuldades que se vivem, especialmente na Escola Secundária, devido à paragem de três anos das obras no estabelecimento de ensino.

A eurodeputada afirmou que “não se entende” como quando Portugal “consegue começar finalmente a fazer progressos” nas áreas de “educação, formação profissional e em investigação ou em ciência” interrompe “esse esforço, naquela ideia de se cortar tudo a eito”. “Tratamos mal os professores, não acabamos os projetos de infraestruturas, cortamos na investigação cientifica e na inovação e quando, pela primeira vez, na nossa história tínhamos uma mão de obra bem qualificada dizemos ‘olhem não temos emprego para vocês aqui, emigrem’”, acrescentou.

A Eurodeputada foi mais longe e considerou que “a política que nós estamos a seguir internamente e que este governo seguiu foi absolutamente violenta, eu quase diria quase criminosa, porque não protegeu aquilo que teria de ser protegido para que nós conseguíssemos, passada a crise, relançar outra dinâmica de crescimento”.

Já Marco Ferreira, líder da concelhia socialista da Trofa, denotou que a “primeira mensagem importante desta manhã é evidentemente a importância que a Europa tem na vida dos cidadãos”. “Hoje em dia parece que há um certo alheamento das pessoas relativamente às políticas europeias e nós temos que, com algum esforço e proximidade com as populações, mostrar-lhes que o que se discute na Europa e no parlamento Europeu, tem influência direta no dia a dia das pessoas, das empresas e das escolas. Relativamente às normas comunitárias, vimos no CENFIM que afetam a vida das empresas e, por sua vez, o emprego das pessoas. Por isso, é importante ter a Trofa envolvida com as questões Europeias”, ressalvou.

Quanto ao caso da Secundária da Trofa, o líder mencionou que “a suspensão das obras é uma questão política”, pois “não há défice nenhum que justifique a paragem daquela obra, não há melhoria das condições financeiras do país no acesso a financiamento que condicione o desenvolvimento daquela obra”. “Há alunos que vão fazer todo o seu ensino secundário dentro de contentores, isso é muito grave, deprimente e triste num país que se quer evoluir e desta Europa evoluída e progressista”. O Marco Ferreira foi mais longe e adiantou que os “socialistas acreditam na educação e no seu valor, não tendo só em mente conceitos de empregabilidade mas também de crescimento civilizacional”.

Já sobre o CENFIM, o líder denotou “o papel que tem desenvolvido em tantas empresas do nosso concelho e a mão de obra qualificada que tem saído”, frisando que também tem tido “um trabalho social” ao “ter alunos, alguns com dificuldades financeiras, que encontram uma nova oportunidade para a vida na área da metalomecânica”, que é “um setor verdadeiramente fundamental a nível europeu e na Trofa”.

Metro e variante à EN14 no horizonte da eurodeputada

No final da visita ao concelho da Trofa, Elisa Ferreira defendeu que o Partido Socialista tem uma visão alternativa para o futuro da União Europeia, realçando a importância da aposta em investimentos que potenciem o desenvolvimento local e regional, como a expansão da rede do Metro até à Trofa e a construção da variante à EN14.

A eurodeputada lembrou que “no fim dos anos 80”, trabalhou “numa operação integrada de desenvolvimento no Vale do Ave”, tendo, nessa altura, percebido que “o essencial era pôr os fluxos a fluírem sem bloqueios”, “não” entendendo que “este governo tenha parado as obras que estavam em curso”, como “o caso das escolas, da variante e de uma série de estradas de ligação que eram absolutamente fundamentais, que tinham fundos estruturais associados e que foram paradas”. “Alguns com taxas de 85 por cento de comparticipação e parou-se porquê razão? Porque agora vai-se a Bruxelas e diz-se que quer fazer mais estradas, o que do ponto de vista de Bruxelas é difícil de explicar que um país que já tem há tanto anos fundos estruturais e é acusado de ter estradas a mais, acaba por provocar nos meus colegas aquela ideia de que não se fizera, as estradas todas”, explicou.

Elisa Ferreira asseverou que “há uma demagogia e um exagero na maneira de preparar as coisas e tratando tudo por generalidades”, acusando “os partidos da coligação (PSD-CDS) de fazer muitos estragos nessa matéria, porque chegaram a Bruxelas e perguntaram porque é que é preciso mais estradas”.

A eurodeputada avançou ainda “que é preciso privilegiar a ferrovia, o metro e os comboios rápidos em substituição de uma dependência excessiva em estradas” “Para isso a parte da rede é um investimento, mas é para fazer esse investimento de fundos estruturais porque se não, nós bloqueamo-nos completamente”, concluiu.