A reunião do executivo municipal da Trofa, que decorreu esta quinta-feira, foi repleta de reparos de dois munícipes à forma como estão a decorrer as obras da rotunda do Catulo, dos seus acessos e das estradas que circundam o Parque Nossa Senhora das Dores.

Numa reunião em que ordem de trabalhos era quase somente para cumprir calendário, no período antes da ordem do dia o presidente da autarquia, Sérgio Humberto foi questionado pela vereadora Teresa Fernandes sobre quanto custou “aos cofres da autarquia a página de publicidade a cores que o Município da Trofa adjudicou ao Jornal de Noticias, para dar os parabéns aquele periódico nacional”. Sérgio Humberto respondeu que “não sabe qual foi o valor”, já que isso foi tratado pelos serviços, que “funcionam por si só”. Teresa Fernandes insistiu para que se informasse sobre o valor e instou o edil a ligar aos serviços, mas não obteve resposta, tendo a vereadora socialista afirmado “que vai ficar a aguardar”.

Já a vereadora Joana Lima questionou o presidente da Câmara do porquê de a autarquia “ter recebido uma carta registada do Tribunal” que lhe era dirigida e “coloca-la na caixa do correio no dia em que tinha de se apresentar em tribunal, aberta e colocada dentro de um envelope da Câmara sem assinatura de ninguém, mas já depois da hora para a qual tinha sido convocada”. Joana Lima lamentou a forma como foi tratada “quer como vereadora, quer como munícipe”. “No mínimo, e tendo aberto a carta por engano, o que pode acontecer, não me ligaram imediatamente a dar conta de que estavam na posse dessa carta e para eu a vir levantar”, lamentou, acrescentando que “agora tem que justificar a sua ausência em tribunal” e, como “não teve conhecimento, agradeço que me emitam uma declaração para justificar esta situação”. Sérgio Humberto respondeu que “vai averiguar”.

A vereadora, que é também membro do conselho de administração da Metro do Porto, adiantou que na Assembleia-Geral da Metro, a 28 de maio, foi anunciado que a empresa tem o seu orçamento aprovado, onde “consta a verba do custo da obra de ligação dos Parques, pelo que a empresa que gere a rede do Metro no Porto está em condições de assumir o pagamento da obra”. O edil agradeceu a informação e disse que tinha conhecimento, pois tinha falado com o presidente do conselho administração.

Já no período do público, o munícipe Luís Pinheiro declarou que “todas as intervenções que estão a ser feitas no Catulo são uma vergonha e para que não aconteça como aconteceu nas rotundas da Esprela e da Escola Professor Napoleão Sousa Marques alerta enquanto se pode fazer alguma coisa”. O munícipe denotou que a “saída da Rua Camilo Castelo Branco para a Abade Inácio Pimentel foi feita a régua e esquadro”, pois “apenas tem sete metros de largura”. “Como é que um camião do lixo, com dez metros de comprimento, por exemplo consegue sair àquela estrada”, questionou.

Luís Pinheiro criticou ainda a saída da Rua Abade Joaquim Pedrosa que apresenta “a mesma medida e não permite aos veículos pesados mudarem de direção sem galgar as guias e os passeios”, enumerando “uma série de constrangimentos que as estradas referidas vão causar à circulação automóvel”. “O arquiteto Charro (António Mirra Charro, responsável pelo Departamento de Administração do Território da autarquia e que era chefe da Divisão de Planeamento da Câmara), disse que aquilo está muito bem e que é para os carros andarem devagarinho e que não era para passarem camiões. Ali vão passar autocarros e pelo menos camiões do lixo. Expliquem-me como podem os veículos, e sobretudo os pesados, circular e virar sem invadir a faixa contrária”, questionou ainda.

O munícipe foi mais longe e afirmou que “não há nenhuma entrada de rua que se aproveite”, elencando ainda outras situações. Luís Pinheiro desafiou ainda a autarquia de colocar “o parque de estacionamento gratuito para habituar as pessoas a utilizá-la, taxando o estacionamento à superfície”.

Por seu lado, Joaquim Azevedo questionou se a autarquia não tem “um arquiteto capaz” e ainda “quem tomou a decisão de fechar ontem (quarta-feira) a Rua Conde S. Bento ao trânsito sem avisar comerciantes e moradores, que pagam imposto”. Além disso, quis ainda saber o que se passou nas escolas, relativamente às refeições escolares entre as crianças, os pais e empresa de catering (que serve as refeições escolares).

Em resposta ao munícipes, Sérgio Humberto adiantou que “é importante concluir a obra e assegurar os fundos comunitários que, a partir do final de junho podem passar de 85 por cento para apenas 50 por cento”, salientando que houve “erros de projetos, nomeadamente no que diz respeito ao alargamento da ponte que passa por cima no canal deixado livre pelo comboio”. “Há dados fornecidos erradamente pela Estradas de Portugal e agora só temos duas soluções: ou reforçar a ponte, que tem custos financeiros elevados e atrasam a obra, ou demolimos a ponte e aterramos”, apontou, assumindo que a Rua Abade Inácio Pimental (EN104) já deveria ter sido aberta ao trânsito no início de maio.

Quanto às situações elencadas sobre as vias de acesso na zona do parque, Sérgio Humberto adiantou que estão “atentos e vai resolver o que for possível”. O parque de estacionamento vai, segundo o autarca, ser gerido pela Câmara Municipal da Trofa, tal como previa a candidatura, e não tem como objetivo dar lucro, estando “a ser estudadas algumas estratégias para criar hábito na população para a utilização do parque”. “Estamos a trabalhar em contrarrelógio e ainda faltam faturar quatro milhões de euros da empreitada. A nossa luta é contra o tempo para cumprir prazos dos fundos comunitários”, completou.

Relativamente às refeições, Sérgio Humberto esclareceu que a Câmara “vai assumir o valor das refeições que não foram pagas”.