A previsão para o decorrer das obras de requalificação era de 18 meses, mas só passados quase 60 meses, em que estão incluídos os quase três anos de suspensão, é que estão concluídas. A Escola Secundária da Trofa está “em pleno funcionamento para o próximo ano letivo”, que vai receber “cerca de 1200 alunos”. Recorde-se que as obras de requalificação iniciaram-se em novembro de 2010 e passado um ano foram suspensas pela Parque Escolar, tendo apenas sido retomadas em julho de 2014.
Numa visita guiada ao NT e TrofaTv, Paulino Macedo, diretor do Agrupamento de Escolas da Trofa, afirmou que faltam “alguns retoques em termos de funcionalidades chaves de algum equipamento de salas”, mas como “o grosso das obras está”, a direção “já assinou a ata da receção das instalações”. A Secundária da Trofa está “em pleno para o próximo ano letivo”, faltando a inauguração, que “é organizada pela Parque Escolar com o empreiteiro”. Ser a “única” escola secundária no concelho confere, segundo o diretor, “importância e valor”. E “a imponência” do estabelecimento torna-a “uma escola importante e que tem que ser rentabilizada”. As principais valências passam pelo pavilhão de educação física que tem “condições excelentes para a prática desportiva”, as instalações dos laboratórios que são “cinco estrelas, faltando alguns equipas para a prática do dia a dia”, e as salas de aula são “excelentes” e tem “condições acústicas e de climatização”. “Faltam as mesas, as cadeiras e o vídeo-projetor, que não estavam contempladas nesta empreitada. Já pedimos à DGEstE (Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares), à Parque Escolar e até ao Ministério da Educação para que as salas de aula sejam equipadas com esses materiais”, completou.
Há poucos meses, a Associação de Pais foi visitar a Escola Secundária da Trofa, tendo saído, segundo Paulino Macedo, de “sorriso largo” com aquilo que viram. O diretor asseverou que “quem tiver oportunidade de conhecer estas instalações fica agradado, aos olhos, pela imponência e pelas salas de aula, corredor e interiores”. “Os comentários que ouvi foram excelentes e de contentamento”, referiu, complementando que houve quem dissesse até que enfim que as obras da Secundária terminaram e bem”.

7.º ano transferido para a Secundária
Numa “fase inicial”, a direção do Agrupamento de Escolas da Trofa ponderou a transferência de “todo o 3.º ciclo” para a Escola Secundária da Trofa, mas “dada alguma necessidade de reponderar” optou-se por trazer “só o 7.º ano”. Em termos de salas de aulas, Paulo Macedo garante que “está tudo ponderado” e que tem “capacidade de instalação de todas as turmas”. Também em “termos de desenvolvimento curricular não haverá grandes alterações já que os professores e o currículo são os mesmos”. “Se houver necessidade de fazermos ajustamentos, pontualmente, caso a caso, teremos ocasião e oportunidade de repensar nisso a qualquer instante”, declarou.

“Alunos de S. Romão e Alvarelhos ‘fogem’ muito da Secundária da Trofa”
O diretor do Agrupamento espera que a conclusão das obras seja um chamariz para os jovens que têm prosseguido os seus estudos a nível secundário fora do concelho da Trofa. Na transição do 9.º para o 10.º ano, Paulino Macedo referiu que “está a acontecer um fenómeno que precisam de estudar”, pois, “previsivelmente, todos os alunos do concelho deviam de vir para a única secundária”. No entanto, os alunos de S. Romão e de Alvarelhos que transitam do 9.º para o 10.º ano de S. Romão e de Alvarelhos “estão a fugir para a Maia e Santo Tirso”. “Só uma minoria, um terço, é que vem para a Escola Secundária. Sei que o INA está a fazer uma campanha muito forte de angariação de alunos. Claro que alguns dos nossos também saem, mas entre o deve e o haver as coisas equilibram-se”, adiantou.
O diretor assegurou que a Secundária tem “uma oferta bastante vasta”, com “quatro cursos profissionais”. Contudo, “não têm quatro turmas completas em termos de alunos”, tendo que “constituir apenas duas turmas”. “Não sei se têm melhores condições de transportes, por exemplo na Maia e Santo Tirso, ou até da proximidade”, interrogou-se.
Além deste “fenómeno”, Paulino Macedo acrescentou que está a haver “falta de frequência de cerca de cem alunos por ano”, sendo que no “próximo ano vão ter menos de cerca de 350 alunos”. Em 2012/2013, o Agrupamento de Escolas da Trofa “tinha 3200 alunos” e no próximo prevê-se “cerca de 2900 alunos”. “Não porque eles saiam da Secundária ou não transitem do 9.º ano para a secundária, mas porque na origem já não entram na frequência”, explicou.

Não vão fechar escolas do 1.º ciclo
Relativamente às escolas do 1.º ciclo, tanto quanto Paulino Macedo sabe só a da Esprela é que tem amianto e precisa que seja retirado. Além disso, há “outras dificuldades, problemas e necessidades de intervenção que já foram apresentadas, inventariadas e enviadas quer para a Câmara Municipal quer para a Junta de Freguesia e que é necessário olhar com outros olhos”. Como exemplo, o diretor enumerou as “portas que não abrem, as janelas que não fecham, a humidade que entra e claraboias que estão danificadas”.
Quando questionado sobre a possibilidade de alguma escola primária fechar nos próximos tempos, Paulino Macedo acredita que isso não vá acontecer, pois se “quiserem ser rigorosos em termos de cumprimento da lei, a escola só fecha quando tiver menos de 21 alunos e na Trofa vão ter sempre 21 alunos nas escolas”. O diretor garante que é necessário fazer “um trabalho de planificação a longo prazo daquilo que é a carta educativa na cidade da Trofa”, uma vez que se apresenta “completamente desajustada à nossa realidade”. “Com tempo, precisamos de ponderar a colocação de alunos para que não tenhamos necessidade, como este ano acontece, de fazer turmas mistas em várias escolas do nosso Agrupamento”, exemplificou, referindo que esta planificação tem que ser “pensada não só pelos dirigentes dos agrupamentos, mas pelo executivo camarário, classe política e associações de pais”, de forma a “congregar vontades e tomar uma decisão que seja a longo prazo e não uma decisão para amanhã”.