A Parque Escolar suspendeu as obras de remodelação da Escola Secundária da Trofa. A notícia apanhou de surpresa a direção e a associação de pais do estabelecimento de ensino.

As obras de remodelação da Escola Secundária da Trofa (EST) foram suspensas sem aviso nem explicação. A notícia caiu como uma “bomba” no estabelecimento de ensino, em finais de novembro de 2011. Denis Rio,  diretor da escola, ficou a saber da suspensão das obras pelo período de um ano, de forma “não oficial”. Reuniu o Conselho Geral da Escola, solicitou a comparência de representantes da empresa Parque Escolar, que não se fez representar na reunião. Convocada nova reunião o representante da empresa não deu uma justificação muito clara sobre os motivos da suspensão.

Denis Rio e o Conselho Geral, enviaram uma carta a Sintra Nunes, presidente do Conselho de Administração da Parque Escolar, onde mostraram o seu desagrado pelo sucedido, pedindo uma justificação. “Estamos à espera de uma explicação mais coerente, tendo em conta que são dinheiros públicos que estão aqui envolvidos, e nós queremos saber porque é que foi a Escola Secundária, neste caso da Trofa, a atingida. Achamos que é importante esclarecer e também apurar responsabilidades. Não se para assim uma obra. Tudo isto exigiu muito trabalho da nossa parte e queremos perceber as coisas, para podermos avançar e para que tudo corra da melhor maneira”, afirmou Denis Rio. Uma decisão que o diretor espera, “para o bem da escola”, que seja provisória e não definitiva. Neste momento, a principal preocupação é “fazer os possíveis para não prejudicar os alunos”. Uma situação que dará mais trabalho à direção, porque é necessário encontrar “as melhores condições para os estudantes”. “Vamos fazer tudo por tudo para minimizar essa situação, porque queremos que os alunos alcancem sucesso de maneira a serem os melhores”, referiu.

Por essa razão, a direção propôs uma alteração, quanto à disposição dos monoblocos, para que haja uma “maior segurança”, mas até agora ainda não receberam qualquer resposta. Apesar de o novo edifício já estar apto a entrar em funcionamento, visto que a primeira fase das obras, correspondente à intervenção no pavilhão A, no polivalente, na cantina e nos gabinetes, estarem concluídas, as salas de aulas ainda não estão a ser utilizadas. A razão é simples. O diretor aguarda uma informação da Parque Escolar, quanto à desmobilização de alguns monoblocos, para que possa saber “quantos irão ficar para acolher as aulas” e, assim, se possam organizar “da melhor maneira”.

Para garantir as melhores condições para a prática das aulas de desporto, a direção irá solicitar algumas reparações no ginásio. O NT e TrofaTv contactaram a Direção Regional de Educação do Norte (DREN), que remeteu os esclarecimentos, para a Parque Escolar. Depois de vários contactos e alguma insistência, a assessora de imprensa, da Parque Escolar, adiantou, através de um email, que “a intervenção na Escola Secundária da Trofa encontra-se suspensa, no âmbito do plano de diferimento de investimentos definido pela Parque Escolar, EPE em consonância com o orçamento que lhe está consagrado na Lei do OE 2012. A empresa está a proceder à recalendarização do reinício dos trabalhos”.

A Associação de pais da EST, quando confrontada com esta notícia, redigiu um documento a ser enviado a Nuno Crato, Ministro da Educação. Ao longo de seis páginas, esta associação vai mostrando o seu desagrado, pois não entende o porquê da suspensão das obras na única Escola Secundária do concelho. Além disso, não acha, que a forma como foi transmitida esta notícia, tenha sido a melhor. Isto porque a Parque Escolar “aproveitou” uma reunião extraordinária do Conselho Geral da escola, para, informalmente, anunciarem esta medida, não facultando “qualquer documentação ou justificação entendível para tal tomada de decisão”. “As razões evocadas são unicamente financeiras, mas balizadas em critérios de decisão que transparecem que nem só o financiamento foi o parâmetro de decisão. Das mais de 100 escolas a serem intervencionadas, 29 sofrem suspensão, sendo dito que seria apenas durante o ano de 2012. Então, mais de 70 escolas continuarão a ter a sua execução contemplada. (…) Ressaltarão inúmeros desequilíbrios, desde logo os funcionais, de comodidade, de acedência a materiais e equipamentos. Acontecerão problemas de relacionamento na comunidade escolar, por nem toda ela poder ter acesso às mesmas condições para aprender ou ensinar. (…) Em suma, as instalações como estão não podem ser utilizadas. Financeiramente, a requalificação das restantes fases é menos dispendiosa e gastar dinheiro para fazer arranjos ficará ao mesmo preço de reestruturar condignamente”, podia ler-se no comunicado emitido.

Também a Câmara Municipal se disponibilizou para interceder, conjuntamente com a direção da escola, junto das entidades responsáveis “para resolver rapidamente a situação, que considera lamentável e que causa grandes perturbações no normal funcionamento da escola”. Por essa razão, também enviou um documento à DREN, à Parque Escolar e ao Ministro da Educação, onde coloca diversas questões, relativamente à esta suspensão. A Câmara ficou surpresa com esta decisão, devido “ao estado avançado da empreitada”.

De relembrar que esta empreitada estava prevista para decorrer em três fases. A primeira fase contemplava a construção do pavilhão N1, a segunda a do pavilhão B e C e, a terceira, a construção de um novo ginásio. Devido a um atraso, estas obras passaram para duas fases: construção do pavilhão N1 e, na segunda fase, do pavilhão B, C e pavilhão desportivo. Quando se ficou a conhecer o projeto, tanto a Associação de Pais como a Câmara Municipal constataram que o pavilhão desportivo “não possuía as medidas necessárias para a realização de jogos” federados. Para não perderem esta “oportunidade única” de a Trofa ter “um pavilhão desportivo para a realização de jogos oficiais e para que o mesmo estivesse disponível para a comunidade local”, decidiram interceder junto da Parque Escolar para alterarem o projeto. Após várias reuniões com técnicos desta empresa, a alteração foi aceite.

Como o pavilhão desportivo iria sofrer obras, a direção da escola já tinha “assinado vários protocolos, com instituições desportivas e empresas de transporte para que os alunos não fossem prejudicados” vendo-se agora obrigada a suspendê-los. 

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