Ano 2007
O radicalismo da I República na Universidade de Coimbra em debate
Na próxima sexta-feira, 11 de Maio, pelas 21h30, o Museu Bernardino Machado de Vila Nova de Famalicão acolhe mais uma conferência do ciclo "Lutas Académicas: do Liberalismo ao Estado Novo", desta vez dedicada aos conflitos suscitados na Universidade de Coimbra em 1919. A conferência, que terá como oradora convidada a professora Maria Cândida Proença, do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, irá abordar o tema "1919: Um ano de conflitos na Universidade de Coimbra".

Refira-se que o ciclo de conferências dedicado às lutas académicas é organizado pela Câmara Municipal de Famalicão, através do Museu Bernardino Machado, e irá decorrer até 2008, passando em revista, e de forma cronológica, alguns dos mais importantes episódios dos movimentos estudantis, que eclodiram em várias cidades portuguesas, nos séculos XIX e XX, contando para isso com a presença dos mais prestigiados conferencistas nacionais.
"FALANGE DEMAGÓGICA"
As greves académicas de 1919 seguiram-se ao movimento da "Falange Demagógica", em 1910, constituído por um grupo radical de estudantes, que assaltava a Academia e pedia a reforma da Universidade. Este foi, de resto, o tema da última conferência, no Museu Bernardino Machado, que contou com a presença do investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Séc. XX, da Universidade de Coimbra, António Manuel Nunes.
Contagiados pela implantação da República em 1910, os estudantes exigiam a extinção da Faculdade de Direito, pois entendiam que ela representava o regime deposto, isto é a monarquia. Exigiam ainda a abolição do juramento religioso nos actos académicos e o fim da obrigatoriedade do uso do traje académico. A resposta ministerial demorou e não deixou os estudantes satisfeitos. A reacção foi rápida e violenta.
A 13 de Outubro a "Falange" invade e ocupa de forma violenta a Universidade. Os retratos dos professores monárquicos são vandalizados, bem como o do Rei D. Carlos. Rebentam bombas na Sala dos Capelos, o vestuário e os trajes dos lentes são destruídos.
Para António Nunes, a "Falange Demagógica", nasce no rescaldo da greve académica de 1907, mantendo-se activa nos primeiros anos da primeira República, mas em resultado das lutas que travou com o Governo a seguir à revolução na reforma da Universidade, foi desmantelada, tendo os seus cabecilhas sido presos.
Sabe-se que a maioria dos estudantes que compunham a "Falange" eram das Ilhas dos Açores e pertenciam às Faculdades de Direito, Matemática e Filosofia. São também conhecidas as suas ligações à Carbonária de Lisboa, sendo os próprios estudantes os fabricantes das armas e bombas que utilizavam nas suas acções, nomeadamente no assalto à universidade. Pouco mais se conhece.
Mas, não restam dúvidas a "Falange", enfatizou o conferencista, durante alguns anos e sobretudo na reforma da Universidade de Coimbra e no ensino Superior após a revolução republicana, teve um papel preponderante.
FICHA TÉCNICA
Ciclo de Conferências
"As Lutas Académicas e Estudantis: Do Liberalismo ao Estado Novo"
Local: Museu Bernardino Machado
Data: 11 de Maio | Sexta-feira | 21h30
Tema: "1919: Um ano de Conflitos na Universidade de Coimbra"
Conferencista: Maria Cândida Proença – Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Entrada Livre
Entrega de Certificado de Participação



