Os portugueses que trabalham ganham cerca de 55% do que se ganha na zona euro. Os gestores em Portugal recebem mais 32 % que os americanos, mais 22% que os franceses, mais 53% que os finlandeses e mais 56 % que os suecos. O fosso cada vez mais profundo entre ricos e pobres em Portugal que origina intensas clivagens sociais, as assimetrias regionais, uma cada vez maior e mais vasta pobreza, têm como grande responsável político desde o 25 de Abril de 1974 o PS. As politicas do governo no sentido de aniquilar a escola pública e o acesso democrático à educação e ao ensino, que vem mobilizando docentes e discentes em feroz luta; o objectivo de arrumar com o serviço nacional de saúde, levantando populações em alvoroço; a acção no sentido de dificultar cada vez mais o acesso dos cidadãos à justiça, as reformas demagógicas que, no fundo têm vindo a contribuir para a descredibilização das instituições judiciais; os ataques continuados aos militares; a investida contra direitos fundamentais dos trabalhadores na tentativa de simplificar os despedimentos, de flexibilizar os horários de trabalho e de pôr fim às convenções colectivas de trabalho, o desmantelamento do aparelho produtivo, a aniquilação da frota de pesca, a ausência de politicas concretas que defendam o produto nacional e promovam e incentivem as nossas PMEs, a politica de baixos salários e de parcas pensões, mais não são do que imposições concretas do capitalismo, onde o PS surge como seu guardião politico e grande executor. Ainda recentemente escreveu António Barreto: « As duas últimas décadas viram transformarem-se os credos socialistas…Colaboraram com os capitalistas, as grandes multinacionais e os grupos económicos…» e acrescenta que a sua derrota «…é a que os transforma , não em coveiros, mas em curandeiros do capitalismo, em decoradores que lhe querem dar um rosto humano». Para António Barreto dizer isto em referência ao PS…

Mas o governo do grande guardião do capitalismo não fica por aqui. As empresas lucrativas, estratégicas para a soberania e para a economia nacionais como a TAP, a ANA, a REN e a GALP continuam na mira das privatizações de forma ao governo arrecadar mais 1 000 milhões de euros. E para quê? Para «socializar» os prejuízos da banca. O que dá lucro, o governo entrega aos privados para que, no futuro, apenas estes venham a usufruir esses lucros. Os prejuízos desses privados há que dividir por todos e serão os que trabalham a compensarem esses danos. Este guardião do sistema capitalista entrega ou coloca à disposição 20 mil milhões de euros para os bancos para aval de melhores condições de financiamento. No mesmo campo se encontra a dita nacionalização do BPN. Os dados apontam para um rombo financeiro de mais de 650 milhões de euros. No entanto o grupo onde se integra o BPN teve em 2007 lucros superiores a 55 milhões de euros. Durante meses e anos, o governo e o banco de Portugal, conhecedores da grave situação e do seu desequilíbrio e envolvimento em operações fraudulentas, não actuaram. Depois e ainda por cima, o governo até prevê a indemnização dos accionistas, mesmos até daqueles que venham a ser condenados por fraude ou má gestão. Ou seja, aqueles que levaram à descapitalização do Banco que levou à intervenção do Estado, recebem um prémio. Serão indemnizados. É o cúmulo dos cúmulos. E é assim que as grandes fortunas estão cada vez mais anafadas e o povo vê a sua vida a andar para trás. É por isso que até Alberto João Jardim diz, como ainda o fez no passado 24 de Novembro em reportagem da TVI : « são o capitalismo selvagem e o grande capital os únicos que suportam este governo.», e adianta mais à frente: « Eu, de direita? Se eu sou de direita, então Sócrates é fascista e de extrema-direita. Valha-nos Deus. Claramente, estou à esquerda desse senhor.» Para Alberto João isto assim dizer…bem não restarão grandes dúvidas, quando muito esta inquietação: o PS é mesmo o guardião do capitalismo…

Atanagildo Lobo