Nove anos após a criação do concelho a maioria da população trofense tem motivos de orgulho, pelo facto de ter mostrado a força da sua razão e da sua união. Mas terá certamente um grande sentimento de insatisfação pelo facto de ter na gestão do concelho gente que assume posturas prepotentes e autoritárias, autarcas que usam a maioria absoluta para exercer um poder absoluto que foge à discussão e à auscultação da população.

  Os três anos de comissão instaladora ficaram marcados pelo esbanjamento de subsídios mas também por valiosas sessões de discussão publica de projectos estruturantes para o concelho.

Hoje, o PSD já tem a maioria absoluta "no bolso" e opta pela imposição das suas ideias. Exemplo desta postura é a forma arrogante como impuseram a decisão de construir os Paços do Concelho na zona do Catulo, sem mostrar qualquer estudo e sem permitir qualquer discussão pública. Decisão que contou com o habitual apoio do PS e do CDS.

Outro exemplo do autismo do PSD é o facto de continuar por implementar a "Taxa Social" (que reduz os impostos municipais para as famílias de baixos recursos) que foi aprovada há mais de um ano por proposta da CDU.

 

Estes nove anos foram ainda marcados por uma coincidência de opinião entre PS e PSD nos projectos estruturantes para o concelho.

Esta coincidência de visões, que mais parece um acordo, entre o PS e o PSD tem sido profundamente lesiva para os interesses do concelho, tal como se pode comprovar pela carta educativa aprovada, que foi elaborada pela Câmara PSD em conjunto com o governo PS; ou pelos atrasos sucessivos na construção das variantes rodoviárias e na vinda do Metro para a Trofa por responsabilidade dos governos do PSD e do PS; ou na aprovação sem discussão da já referida localização dos Paços do Concelho na zona do Catulo com o acordo destes dois partidos ao nível da Câmara Municipal.

Contudo, esta espécie de acordo PS/PSD vai mais longe. Até as obras que estão decididas fazer pelo governo na Trofa são esquecidas sem que PS ou PSD digam alguma coisa. Refiro-me ao processo em torno da construção da variante rodoviária.

Para quem não se lembra, ou não se quer lembrar, o governo assumiu que ao fazer o desvio da linha de caminho de ferro na Trofa, daria como contrapartida a construção de uma estrada de ligação entre a zona da futura estação (junto à igreja nova, na Trofa) e Famalicão (junto à Senhora do Perdões) com a correspondente ponte sobre o rio Ave na zona próxima das Cavadas.

Acontece que, passados alguns anos, tudo parece ter caído no esquecimento. O governo PS diz que são as câmaras da Trofa e de Famalicão que devem assumir os custos desta estrada, os presidentes das câmaras, ambos do PSD, aceitam passivamente esta imposição!

Será o Orçamento da câmara da Trofa a suportar este investimento! Será a Trofa que vai perder! Serão os trofenses que continuarão à espera de obras fundamentais porque a Câmara aceitou pagar uma obra que o governo deveria assumir!

Este é outro exemplo de que o PS e o PSD, no que diz respeito ao desenvolvimento do concelho, andam de mãos dadas.

As únicas discórdias entre estes dois partidos resumem-se a questões de menor importância.

Será legítimo perguntar se há acordo entre os dois partidos ou se é mesmo uma questão de falta de projectos alternativos para a Trofa.

Resta aos trofenses, das oito freguesias, uma força política que assume verticalmente os seus compromissos, a CDU.

Têm sido os eleitos comunistas os únicos a mostrar coerência em ao longo dos vários anos. Para a CDU só há uma palavra, não dizemos uma coisa na Trofa e fazemos outra em Lisboa!

Nem todos podem dizer o mesmo…

Jaime Toga

http://jaimetoga.blogspot.com/