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Em entrevista ao NT, José Ferreira, presidente da Junta de Freguesia do Coronado, contou que a ação social é “a maior preocupação” do executivo, tendo sido criado um Gabinete de Apoio Social.

O Notícias da Trofa (NT): Qual o balanço que faz dos primeiros meses de mandato?
José Ferreira (JF): Francamente positivo. Quando se está na causa pública com desprendimento e a missão de servir as pessoas o resultado só pode ser positivo. Não se pode ignorar o facto que diz respeito à agregação das freguesias de São Mamede e São Romão, que veio trazer uma dificuldade acrescida ao trabalho a realizar pelo meu Executivo. Sendo eu natural da freguesia de São Mamede senti, desde a primeira hora, por parte da população da freguesia de São Romão um carinhoso acolhimento. Este facto tem contribuído para uma relação de confiança entre a população e o Executivo da Junta. Esta relação já existia com a população da freguesia de São Mamede e tudo faremos para que não se quebre este laço de confiança.

NT: Quais os projetos que tem para a freguesia?
JF: A nova freguesia é toda ela um projeto, é uma nova realidade que por si só já seria trabalho suficiente para o mandato de um Executivo. Mas o nosso principal objetivo é dotar a freguesia do Coronado de melhor qualidade de vida e ajudar as pessoas a encontrarem soluções para os seus problemas.

NT: Sendo a segunda freguesia maior do concelho, quais as principais dificuldades que tem encontrado?
JF: Sobretudo a falta de infraestruturas básicas como a rede de saneamento e a rede de abastecimento de água. São os elementos essenciais para que toda a população possa gozar de uma melhor qualidade de vida. A rede viária é outra das necessidades que se tem vindo a degradar ao longo dos anos sem que os sucessivos executivos Camarários façam uma intervenção profunda.

NT: E que pequenas obras e intervenções pretende fazer?
JF: A requalificação de todos os cemitérios conferindo-lhes maior dignidade. Restaurar todos os lavadouros públicos, que além de fazerem parte do património da freguesia, tem tido cada vez mais procura por parte das pessoas, fruto da realidade que hoje vivemos. Pavimentar as ruas que ainda se encontram em terra batida.

NT: O que tem previsto fazer nas áreas da Ação Social, Cultura/Desporto, Educação e Associativo?
JF: A Ação Social é sem dúvida a nossa maior preocupação. Cada vez mais pessoas procuram a Junta de Freguesia à espera de apoio nas mais diversas áreas. Para dar uma resposta efetiva, a Junta de Freguesia, criou um Gabinete de Apoio Social onde tem um Técnico Social que tem como principal missão encontrar uma solução rápida e efetiva para as mais variadas necessidades das pessoas que recorrem à Junta de Freguesia. Nas restantes áreas como Educação, Desporto e Cultura a Junta dá apenas apoio logístico às coletividades que vão desenvolvendo esse tipo de atividades.

NT: É visível o mau estado de várias ruas, assim como a preocupação do executivo da Junta em resolver esta situação. Definiu algum plano de intervenção? Quais as zonas prioritárias a intervencionar?
JF: Infelizmente é uma triste realidade com a qual as pessoas da Freguesia do Coronado tem de lidar diariamente. A Junta de Freguesia definiu um plano de intervenção para requalificar anualmente algumas das ruas mais degradadas. Demos conhecimento dessa nossa intenção à Câmara Municipal e enviamos os respetivos orçamentos para que a verba necessária nos fosse disponibilizada. Anualmente teríamos a receber 71 280 000€, verba que já vem sendo atribuída ao longo dos últimos anos pela Câmara à nossa Freguesia. Acontece que a Câmara Municipal alterou as condições previamente acordadas com todas as Juntas de Freguesia e elaborou um novo Protocolo para apenas ser gasta a verba na conservação das vias Municipais. Naturalmente não estamos de acordo.

NT: Qual o valor do protocolo de Delegação de Competências com a Câmara Municipal da Trofa? Em que vai ser utilizada essa verba?
JF: Os valores em causa são sempre manifestamente insuficientes face às necessidades e competências delegadas pela Câmara Municipal na Junta de Freguesia. As verbas são essencialmente usadas na limpeza das ruas municipais, nas pequenas reparações das escolas e nos equipamentos necessários ao desempenho dessas funções.

NT: Na Assembleia Municipal, no dia 27 de junho, foi o único presidente de Junta a manifestar-se e a votar contra o contrato interadministrativo de delegação de competências entre o Município e as juntas de freguesia para assegurar a manutenção e conservação das vias municipais. Qual o problema deste protocolo? E o que implica?
JF: A Câmara Municipal resolveu criar um contrato interadministrativo de delegação de competências para que a Junta de Freguesia assegurasse a manutenção e conservação das vias municipais. Até aqui e se fossem apenas estas as competências a delegar à Junta do Coronado teria aceitado e assinado o contrato. Mas, a Câmara acrescentou uma cláusula em que responsabiliza civilmente a Junta de Freguesia pelos acidentes de viação resultantes do mau estado das vias. E é aqui que reside o nosso ponto de discordância. A Junta do Coronado não aceita ser responsável pelo mau estado das vias municipais, quando ao longo dos últimos anos, nenhum executivo Camarário se dignou fazer qualquer tipo de intervenção nas nossas ruas deixando-as chegar ao ponto de degradação em que atualmente se encontram. A aceitação deste contrato implicaria que a verba, destinada a investimentos na Freguesia, fosse apenas gasta nas vias municipais com a agravante de não chegar para pagar todas as indemnizações resultantes do mau estado das mesmas.

NT: Sente-se discriminado por este executivo municipal por ter sido eleito nas listas do Partido Socialista?
JF: Até à data não temos sentido esse tipo de discriminação e penso não haver por parte do executivo Camarário essa intenção. Se isso algum dia vier a acontecer os únicos a serem prejudicados serão os habitantes da Freguesia do Coronado e não o Presidente da Junta.