O Jornal de Notícias noticiou, este fim-de-semana, que segunda-feira, 21 de Maio, foi assinado o acordo para o metro, no Palácio do Freixo, no Porto, com a presença do Primeiro-Ministro, Eng.º José Sócrates.

Depois de tantos ziguezagues, parece que, finalmente, vamos ter acordo para a execução das obras.

Recordemos que o metro para a Trofa esteve sempre previsto, mesmo antes de qualquer projecto.

A Trofa era servida pelo comboio da via estreita, que ligava a estação da Trindade, no Porto, a Guimarães e a Fafe.

 Além dos comboios que ligavam a Trofa às estações de Campanhã e de S. Bento, ambas no Porto, também tínhamos a via estreita que nos dava outros trajectos para o Porto, servindo outras localidades pelo caminho, como Senhora da Hora, Castêlo da Maia e Maia, para além de nos manter ligados às freguesias de Santiago de Bougado e Muro, no nosso concelho e outras zonas da cidade do Porto, como a Avenida da França, na Boavista.

Essa via ferroviária foi-nos retirada com a expectativa de que o metropolitano de superfície a viria substituir.

Justificava-se o sacrifício da perda da via-férrea para a estação da Trindade, com a alternativa provisória de autocarros, com as expectativas de, no curto prazo, passarmos a desfrutar dum transporte mais moderno e com mais destinos disponíveis.

A simples ligação ao Porto não era motivo suficiente de regozijo, porque não era mais rápida, mas pela expectativa de mantermos todas as ligações existentes à época, a que acrescentaríamos mais alguns destinos.

Nos novos destinos disponíveis e no conforto do novo transporte, estaria o verdadeiro ganho dos trofenses e dos nossos vizinhos que pudessem tirar vantagens da proximidade à Trofa.

Foi assim que foi lançada a primeira fase do concurso. Não vale a pena recordar as peripécias acontecidas. A Trofa passou da primeira fase para um adiamento em que nem sequer sabíamos de iríamos ter metro na Trofa.

Depois de muitos episódios, parece que, finalmente, vamos ter acordo.

Não podemos ter como uma conquista conseguida.

O JN noticiou que há mais garantias ao nível de duplicação. Isto significa que não há ainda garantias quanto à duplicação.

Não há dúvidas que somos tratados como o parente pobre da Área Metropolitana: não temos a via dupla garantida (caso único) nem o prazo.

Não entendo por que razão temos que andar permanentemente em estudos. Se não tivessem retirado o comboio, andariam agora a pedir-nos para aceitarmos a troca. Enfim….ás vezes confia-se ingenuamente.

Resta-me uma consolação. Nunca estive de acordo que o metro ficasse pelas Pateiras. Sempre entendi que devia terminar na nova estação ou, pelos menos, no centro da cidade. Ora, de acordo com o JN, foi conseguido um acréscimo de dois a três quilómetros até à nova estação. Isso é bom e só posso congratular-me por essa alteração que considero importante.

Apesar do acordo agora assinado, este assunto continua a merecer a maior atenção do poder autárquico da Trofa. É necessário um acompanhamento muito próximo para que não se execute em linha simples. Aliás, não creio que haja estudo que aconselhe e via simples a prever a duplicação a curto prazo.

Isso seria desperdício de dinheiro e não me parece que qualquer estudo económico recomende isso.

Afonso Paixão