Questões ideológicas marcam o debate político dos últimos meses em Portugal. Alguns partidos, e alguma comunicação social, aproveitaram a silly season para aflorar os ataques pessoais e destacar a ética de alguns e a falta dela noutros. A palavra “verdade” virou moda, sendo que alguns depressa se intitularam donos da mesma.

A nível nacional é o que acontece no PSD. Envergonhando o seu passado, a direita portuguesa vira-se para as acusações pessoais, tentando disfarçar a ausência de rumo e de ideias para Portugal.

Neste contexto, tornam-se incompreensíveis as palavras do Dr. Paulo Rangel, que diz “a credibilidade da política não está na ética”. Não está? Para o PSD parece que não, e assim o tem mostrado. A atitude do PSD nacional tem sido muito pouco dada à ética.

E essa atitude “contagiou” o PSD na Trofa, e o paladino da ausência de ética politica na Trofa tem sido o filho do presidente da câmara (agora feito mandatário da candidatura). Infelizmente, esta ausência de ética não é de agora, mas tem sido rigorosamente seguida pelo filho do papá presidente nos últimos anos, tanto na assembleia municipal, como na comunicação social.

Nas listas de candidatos a deputados do PSD para as eleições legislativas, existem duas classes que se destacam: a classe dos candidatos arguidos e a classe dos candidatos filhos do papá presidente da câmara. Esta segunda classe, isenta de um passado político convincente e digno de registo, que garantiu o seu lugar nas listas apenas para tornear a regra imposta pelo “PSD de Verdade” de não existirem duplas candidaturas, ficando tudo em família na mesma!

O filho do presidente da câmara da Trofa teve também a sua oportunidade de figurar numa lista onde alguns (felizmente poucos) poderão desempenhar uma profissão que os colocará ao serviço do país – pelo enorme apoio que o papá deu nas eleições directas à vetusta senhora que é dona do PSD.

Foi esta honrosa profissão que a Drª Joana Lima desempenhou nos últimos anos, destacando-se por servir o país e servir a Trofa na Assembleia da República. Tendo lá chegado por mérito próprio, sem necessitar da “forcinha paternal”.

Como vem referido na comunicação social, “Drª Joana Lima constituiu uma excepção entre os deputados do Porto, questionando e pressionando o governo do PS relativamente à situação do metro para a Trofa” (in JN, 09/07/2007). Defendendo também a nossa terra, na comissão de obras públicas, relativamente à situação das variantes rodoviária e ferroviária.

Mesmo assim, o filho do presidente, continua a não compreender (ou a não querer compreender) e constantemente em atitudes pouco ética e muito demagógicas, menospreza o serviço prestado pela Drª Joana Lima à nação e à Trofa.

Ser deputada, servir a nação, foi a profissão que a Drª Joana Lima desempenhou com trabalho e dedicação, o que orgulhou e orgulha muito os trofenses.

No entanto, a nossa deputada, tinha um compromisso assumido, um compromisso que assumiu com os Trofenses, e o seu compromisso sempre foi a Trofa. Por isso, fiel à sua ética, fiel ao seu sonho de mudar a Trofa, a Drª Joana Lima escolheu a Trofa e preparou-se para recusar a possibilidade de voltar a ser deputada na Assembleia da Republica, muito antes do PS impor a impossibilidade de candidaturas duplas.

Mas filho do presidente, continua preocupado com o emprego da Drª Joana Lima, mas talvez se devesse preocupar com o desemprego excessivo que existe na terra que o papá governa: a Trofa (onde se registam níveis de desemprego com índices mais altos de todo o distrito do Porto), ou então talvez se deva preocupar em desempenhar melhor a sua profissão actual: a de filho do presidente da câmara. Pois na Trofa, parece que ser filho, familiar ou amigo do presidente da câmara é (ou vale) uma profissão.

Falar da Dr.ª Joana Lima, tornou-se obsessão para o filho do presidente, talvez um sinal do desespero reinante no Reino do Partido da Verdade.

Falar de projectos, ideias e defender a Trofa é algo ausente nas palavras deste deputado municipal (e por inerência de condições parental de filho do papá – putativo deputado da nação!)

Algo posso partilhar com o filho do presidente da câmara: eu também gostaria de ser como a Drª Joana Lima, se bem que por motivos diferentes. O filho do presidente quer ser deputado paternalis causa pelo PSD, eu desejo servir a Trofa e contribuir para construir o futuro pelo qual lutámos à quase 11 anos atrás.

Perante isto, ainda acham que vale a pena acreditar neles?

Daniel Lourenço