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O período de férias está a terminar. Uns já as gozaram, outros estão a terminar. Contudo, lembro aqui os muito que não têm meios para pensar em férias… férias que deviam ser para todos.

Este Agosto foi diferente dos anos anteriores. Ao contrário do habitual, a política e os políticos foram notícia diária. Foram capa de jornal, abertura de telejornal, assunto de blogues e redes sociais.

As eleições legislativas, em 27 de Setembro, e as eleições autárquicas, a 11 de Outubro, obrigaram os protagonistas políticos a tomar iniciativas no interior dos seus partidos e a desencadear acções públicas do mais diverso teor e alcance. Quer no plano nacional, quer no plano local.

Como iniciativa interna de carácter nacional, e sempre alvo de discussão, os partidos tiveram de preparar a lista de deputados a apresentar ao eleitorado dos diversos círculos eleitorais distritais e regiões autónomas. Este processo é sempre ingrato para quem tem de o realizar causando insatisfação para quem legitimamente tem aspirações e as vê defraudadas. É sempre assim! Os casos mais badalados foram os do PS e do PSD. O PS foi o primeiro a iniciar a feitura das listas. Iniciou logo após a derrota nas eleições europeias sob um clima de que tinha de mudar alguma coisa. Começou por não permitir as duplas candidaturas, ou seja, todos aqueles que fossem candidatos às câmaras não podiam figurar na lista de deputados. Foi um banho de água fria para alguns dos actuais deputados que anteriormente a esta decisão se tinham apresentado como candidatos a diversas autarquias com poucas, ou nenhuma, esperança de alcançar a vitória nas eleições de 11 de Outubro – Foi a confusão total.

Nós, trofenses, temos um exemplo prático da desilusão que causou essa decisão. Nos últimos quatros anos, a vereadora, deputada e candidata à Câmara pelo PS sempre preferiu ficar em Lisboa do que estar a desempenhar a sua função de vereadora sem pelouro na Câmara Municipal – Aliás, publicou na página da internet da Assembleia da República que a sua profissão era vereadora – faltando a cerca de 50% das assembleias municipais. Mais tarde corrigiu o erro com outro erro, não sei qual deles o maior, afirmando em Assembleia Municipal que a sua profissão era a de Deputada!!! Em Maio deste ano, decidiu apresentar a sua candidatura, para que nenhum outro militante do PS pudesse ocupar o espaço mediático e retirar a sua fotografia das páginas de jornais locais. Em Junho, depois de o PS proibir a possibilidade de duplas candidaturas a cargos executivos, ainda baralhada e desiludida, a Candidata à Câmara e Ex-Candidata à Assembleia da República veio afirmar que a sua escolha sempre foi a Trofa. Permitam-me os leitores de me abster de fazer juízos de valor e dar o benefício da dúvida de que tais afirmações se devem ao “balde de água gelada” que perturbou a clarividência política de quem as proferiu. Por outro lado, todos temos conhecimento da constante referência de que o líder da distrital do PS lhe tinha garantido que a Candidata à Câmara pelo PS continuaria na lista de deputados.

Em conclusão, a candidata do PS já perdeu a “profissão” de Deputada… Na prática foi despedida pelo seu partido. Como pode alguém acreditar que perante esta realidade a sua opção de sempre seja a Trofa?

Tiago Vasconcelos