Assisti ao congresso do PSD pela televisão e de forma muito, muito intermitente.

Admito que estava curioso relativamente ao papel que os autarcas iriam desempenhar. Uns, freguesias, pela reforma administrativa em curso. Outros, câmaras, pelo tratamento recente quanto à dívida e pela reforma administrativa dos municípios que aí vem.

Ao nível interno, estava expectante com a opinião dos militantes sobre a alteração de estatutos e com o resultado da proposta elaborada pelo PSD do distrito de Lisboa.

É certo, que quando um partido está no Governo a contestação é atenuada. Não é menos certo, que a aproximação de eleições autárquicas acalma algumas almas mais emotivas.

Foi mais ou menos isso que aconteceu, tendo a contribuição decisiva da equipa liderada por Passos Coelho.

O contributo decisivo de Passos Coelho passou pela retirada da proposta da Distrital de Lisboa, que propunha a eliminação das diretas e a eleição do Presidente do PSD em Congresso. Ou seja, voltar atrás no tempo com o argumento de que os congressos deixaram de ter a atração necessária para passar a mensagem política ao povo português. Apesar de ter sido um apoiante das diretas, reconheço que hoje tenho dúvidas. Mas na dúvida, prefiro que continue a eleição do Presidente por todos os militantes. Na dúvida, todos podem participar.

Relativamente aos estatutos, duas alterações propostas por Passos Coelho foram chumbadas pelos congressistas. Se lá estivesse, também tinha a mesma opinião. Para Passos, e aos olhos da população, até isso correu bem demonstrando que existe liberdade de opinião no PSD.

A par da votação para os conselheiros nacionais, onde a lista apoiada por Pedro Passos teve menos de 50% dos votos, os congressistas demonstraram que pensam pela sua cabeça e demonstraram bom senso ao não esticar a corda.

A possível contestação dos autarcas não se fez notar – A montanha pariu um rato. A diplomacia de Passos veio ao de cima, conjugando a necessidade de reformar com o diálogo e abertura a algumas alterações ao projeto inicial de fusão das freguesias. A ver vamos, se a Câmara da Trofa tem o engenho e diplomacia para envolver todos os partidos com o objetivo de retirar dividendos desta abertura a alterações.

Por outro lado, a composição das listas, sempre alvo de discussão nos corredores dos congressos de qualquer partido, foi tranquila. Para isso contribuiu a expetativa criada nos jornais durante a semana que precedeu o congresso. Passos optou por manter grande parte da equipa anterior, esvaziou o clima de crispação que qualquer alteração pudesse estragar o ambiente sereno e determinado que o PSD quer transmitir ao povo português.

A boa noticia para a Trofa, é que o presidente do PSD Trofa foi eleito como conselheiro nacional, uma espécie de Assembleia da República do PSD. Sérgio Humberto viu reconhecido o seu trabalho a nível nacional, depois de o ter visto ao nível do distrito do Porto. Este reconhecimento será, com toda a certeza, importante para a Trofa e motivador para a sua equipa de trabalho.

Tudo o que escrevi até agora parece politiquice, mas não é. Os factos descritos demonstram a existência de liberdade de opinião, bom senso, engenho, reconhecimento do mérito, determinação de ação e diplomacia. Enfim, atributos necessários a quem governa o país.

Gostaria de abordar o programa do PSD, mas ainda não o li na íntegra para poder ter opinião formada. Um dia destes, abordarei esse tema.

Tiago Vasconcelos

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