Nos últimos dias muito se tem falado do diploma de licenciatura do Primeiro-Ministro, Eng.º José Sócrates, como se a sua capacidade de liderar os destinos do país dependessem da data, ou do dia da semana, de emissão do seu diploma de curso.

  Se o seu diploma foi emitido a um domingo, segundo alguns jornais, estaremos na presença dum caso grave, como se competisse a um licenciado fiscalizar o funcionamento interno das universidades no que diz respeito à emissão das Cartas de Curso.

Depois de ter realizado o último exame, ou ter tido aproveitamento à última matéria, o novo licenciado espera afonsopaixao.jpgapenas que, dentro dum prazo razoável, lhe seja emitido o seu diploma. Não creio que sejam muitos os que vão averiguar o dia da semana em que seja emitido.

E, por falar em dia da semana, será assim tão estranho que um reitor assine diplomas aos domingos? Não tem uma grande liberdade para o fazer?

Em que é que o diploma fica diminuído ou, em que o diplomado fica com os seus conhecimentos diminuídos?

Os diplomas emitidos à segunda-feira valem mais que os diplomas emitidos à terça-feira? Isso vai alterar os conhecimentos que o aluno adquiriu ao longo dos anos em que estudou?

É curioso como este caso tem sido analisado como um grave assunto de Estado.

A propósito da crise, que vive a Universidade Independente, anda muita gente a discutir o diploma do Primeiro-Ministro, como se ele tivesse a obrigação de explicar porque é que foi emitido a um domingo. O mais natural é que o Eng.º José Sócrates nem se tenha apercebido que a emissão ocorreu a um domingo. E também é muito natural que se tenha apercebido e não tenha atribuído importância a isso.

O que me parece absurdo é que se entenda que ele deva esclarecer. Esclarecer o quê? Se alguém tem esclarecimentos a prestar, será a Universidade que emitiu o diploma.

Esta crise que se vive na Universidade Independente deve entristecer-nos a todos porque é todo o nosso sistema que é prejudicado e, muito principalmente, as centenas ou milhares de alunos que frequentam aquele estabelecimento de ensino privado.

Recordemos que esta Universidade teve uma época brilhante (curiosamente quando o Eng.º Sócrates tirou o seu curso) e os seus cursos conceituados.

Esta crise vem colocar em causa um passado, curto ainda, e comprometer, de forma que pode ser decisiva, o presente e o futuro.

Os alunos da Universidade Independente vivem horas de grande angústia e são as principais vítimas dos desmandos verificados ultimamente.

Se a comunicação social desempenha um papel importante na sociedade, porque denuncia o que muitos escondem, e porque informa os cidadãos, por vezes perde-se nos seus objectivos e escolhe os alvos errados

Perante as angústias e os dramas dos alunos e das suas famílias, será que o mais importante é averiguar o dia da semana em que foi emitido o diploma do Primeiro-Ministro?

Será que não estaremos perante uma intromissão abusiva da esfera privada dum cidadão?

O que é que se espera do Primeiro-Ministro?

Tem feito as reformas necessárias? A Saúde está melhor? A Segurança? A Justiça? A Administração Pública? O poder de compra dos portugueses? Está a fazer as reformas necessárias? Etc.

Estas sim, são questões que podem colocar-se ao Primeiro-Ministro. Se ele resolver estas questões importantes para a sociedade portuguesa, cumpre as suas obrigações para com o país e para com os nossos cidadãos.

Não me parece justo subverter-se a ordem da importância das coisas.

No momento em que escrevo, não conheço qualquer explicação dada ao país pelo Primeiro-Ministro. Certamente dará explicações claras, se é que tem essa obrigação porque não foi ele quem levantou qualquer polémica sobre o assunto, nem lhe podem assacar responsabilidades do que compete à Universidade..

O seu desempenho como chefe de Governo é que deve ser avaliado.

Afonso Paixão