Quem, como eu, leigo, se propõe discutir assuntos que não domina, arrisca-se a dizer umas quantas asneiras.

      Mesmo correndo esse risco, não me parece que as pessoas deixem de procurar informar-se e ter a sua opinião sem que isso signifique pretender meter-se em questões técnicas.

       Que Lisboa precisará, a um médio prazo, parece já não haver dúvidas. O tráfego aéreo não cessa de aumentar e Lisboa tem um aeroporto que saturará em breve.

      Esta não é uma questão que interesse apenas aos lisboetas. É um problema nacional que deve ser seguido atentamente por todo o país.

      Lisboa é, neste momento, um destino aéreo privilegiado: tem o aeroporto na cidade e, apesar de muitos inconvenientes, é uma vantagem significativa, quer para o turismo, quer para as viagens de negócios pelo tempo que se poupa e pelo conforto que proporciona a quem viaja.

      Um dos maiores problemas de Portugal é o pensamento pequeno e a desvalorização de tudo o que é nosso, incluindo as nossas vantagens.

      Portugal não é um país periférico, como é frequentemente afirmado por uma certa intelectualite. Quando Portugal assumiu as suas vantagens foi pioneiro no mundo.

      A Europa não é o centro do mundo. O Oceano atlântico ainda é o centro mais importante à escala mundial, sem prejuízo do crescimento que se verifica noutras regiões do globo. E os países marítimos, principalmente atlânticos, têm uma enorme vantagem sobre os outros, desde que não desdenhem as suas vantagens e, com o seu miserabilismo, se considerem periféricos, como vem acontecendo com Portugal.

      À medida que Portugal tem desprezado as suas vantagens, outros têm ocupado o espaço deixado vago por quem devia aproveitar.

      Lisboa deveria ter um aeroporto que aproveitasse a posição privilegiada de Portugal para se tornar um centro para os voos intercontinentais. Essa função tem sido aproveitada por outros que aproveitam o espaço deixado livre por nós.

     Lisboa tem uma localização que pode torná-la a principal porta de entrada e saída de Europa e a possibilidade de ser um dos principais centros de voos intercontinentais, com as vantagens que isso proporciona e nível económico.

      A grande questão é que temos que largar a pequenez de raciocínio.

      Mas, Lisboa não deve fazer concorrência ao Porto. A economia nacional nada teria a ganhar. Deslocar o aeroporto para norte é concorrer com o Porto e abdicar da função que deve ser desempenhada pelo aeroporto de Lisboa.

      O novo aeroporto deve ficar próximo de Lisboa e, se possível, deslocar-se para sul, e ligeiramente para leste e tentar concorrer com as capitais europeias que estão a ocupar o espaço deixado vago por Lisboa.

      Não me choca que haja dois aeroportos: não seria caso único.

      O actual aeroporto desempenharia facilmente as funções de escoamento do tráfego aéreo nacional e europeu e o novo aeroporto serviria para os voos mais longos, de ligações entre continentes, trazendo Lisboa para o centro do mundo donde nunca devia ter saído.

      Como é que isso se faz é um problema técnico e é para isso que os técnicos existem.

      A decisão política não deve esquecer que Portugal deve ser recolocado no centro do mundo que é o seu lugar. 
 

                        Afonso Paixão