A Trofa voltou a ser notícia nos jornais de referência da região.

Novamente por um projecto "pioneiro"!

Novamente por causa de uma coisa que se chama (ou irá chamar) ALET, Área de Localização Empresarial da Trofa.

Jaime TogaTudo isto a propósito do convite feito pela Câmara a um antigo Ministro para vir jantar ao concelho e falar sobre a ALET.

Lá pelo meio das notícias percebia-se que este projecto, que já foi notícia mais do que uma vez, "aguarda licenciamento do Ministério da Economia e aprovação do respectivo plano de pormenor".

Mas, apesar de estarmos perante um projecto que ainda nem tem licenciamento nem plano de pormenor, a sua grande vantagem é conseguir licenciar estruturas de uma forma mais rápida.

Certamente emocionado com a presença dos jornalistas, o presidente da Câmara avançou com um número mágico: 1000.

A tal ALET (que ainda não está licenciada, nem tem plano de pormenor, que é "pioneira" e vai permitir licenciamentos rápidos) vai criar 1000 empregos!

 

Um leitor menos atento ás noticias pode achar que estou a brincar, ou simplesmente a exagerar.

Não, foi mesmo assim! Até parece que a moda de "governar à Sócrates" faz escola neste concelho humilde e honrado.

Vejamos as semelhanças:

– Mário Lino disse asneiras numa sessão pública à mesa de um restaurante (a propósito do Aeroporto de Lisboa); Bernardino Vasconcelos faz declarações sem grande conteúdo, já conhecidas da opinião pública e com grande reflexo na comunicação social.

– Sócrates anunciou a criação de 150.000 postos de trabalho; Bernardino Vasconcelos anunciou 1.000 empregos.

– O Governo desencantou o projecto "Empresa na Hora"; Bernardino Vasconcelos responde com "Licenciamentos Rápidos para Empresas".

 

Voltando ao início, o que há de novo sobre a ALET que tenha justificado tais acções?

Será que o que a Trofa precisa é de investir em jantares mediáticos?

E não se fala do trabalho desenvolvido pela Empresa Municipal TROFA PARK que só nos Orçamentos da Câmara Municipal da Trofa absorveu já mais cerca de 2 milhões de euros?

 

Enquanto estas questões ficam sem resposta, outros factos marcam a actualidade:

– A maioria que gere a Câmara não é capaz de mais que o folclore e no executivo municipal não parece haver alternativa a esta política.

– A maioria absoluta que o PSD detém na Assembleia Municipal tem sido usada como poder absoluto para atropelar as regras básicas da democracia, ao ponto de não prestar os esclarecimentos necessários que a CDU vem solicitando através de Requerimentos ao longo do actual mandato.

– Enquanto o PSD se glorifica com o facto de ter o presidente da Câmara na Comissão Política do seu partido, o PS tenta esconder as responsabilidades do seu governo nos atrasos do Metro.

– O Governo anunciou a construção de metade das plataformas logísticas, deixando a da Trofa/Maia para o lote das últimas. Uma consulta cuidada pela Internet e pelos jornais on-line mostrou o silêncio da Câmara, do PSD do PP e do PS. Só a Direcção Regional do Porto do PCP condenou esta decisão.

 

Realidades incontornáveis de uma política governamental cada vez mais apoiada em termos práticos e objectivos pela nossa Câmara.

Onde nos levará esta gente?

 

Jaime Toga

http://jaimetoga.blogspot.com/