As características e a estrutura da família têm sofrido ao longo dos anos profundas alterações.

E ultimamente muitos temas polémicos têm andado precisamente em torno do conceito de família: nova lei do divórcio tem gerado grandes conturbações sociais e politicas, bem como a perspectiva da realização de casamentos homossexuais e as declarações polémicas da Drª Manuela Ferreira Leite, que considerou que ao conceito de família está implícito a necessidade de "procriar", são alguns exemplos.

 O conceito de família remota à Roma Antiga, surgindo do latim "famulus" que significava "escravo domestico" e foi criado para designar um novo grupo social que surgiu das relações entre as varias tribos.

No direito romano o conceito de família tinha por base o casamento e as relações jurídicas dele resultantes, entre os cônjuges, pais e filhos.

Com a Revolução Francesa, surgem os casamentos laicos e com a Revolução Industrial as famílias reduzem-se em termos de número dos seus membros e a partir daqui grandes alterações se registaram.

De uma forma geral a família iniciava-se com a união por casamento (em cerimonia religiosa) de duas pessoas de sexo oposto, que formavam um casal e se comprometiam a preconizar uma relação que se prolongava no tempo, donde resultavam filhos e que só terminava com a morte de um dos cônjuges.

Cada vez mais esta é uma realidade rara.

De facto, a família modificou-se, alterou-se as suas dimensões, organizou-se e reorganizou-se, tem em conta novas elementos e novos valores.

As mudanças culturais, sócias e económicas, registadas nas últimas décadas foram importantes, mas crucial foi a alteração do papel da mulher na sociedade.

A mulher tornou-se independente, entrou massivamente no mercado de trabalho, apostou na sua carreira profissional, alterou a sua atitude em relação ao lar e às suas obrigações domésticas e parentais, optou por ter menos filhos e cada vez mais tarde.

Tudo isto levou à redução do número de filhos por casal e consequentemente as famílias tradicionais numerosas, resumem-se, agora, muitas vezes a três elementos, o que representa actualmente cerca de 53% da realidade das famílias portuguesas.

E muitas outras realidades surgem.

Senão vejamos!

O numero de casamento diminui, e os divórcios não param de aumentar, sendo que actualmente, e segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, metade dos casamentos realizados acabam em divorcio!

Destes casamentos desfeitos surgem novos casamentos, que só em 2005, representavam cerca de 20% do total dos casamentos realizados, ou seja pelos menos um dos conjugues casava pela segunda vez.

Cada vez mais todos nós convivemos com famílias "diferentes" das tradicionais, casais que optam por não casar formalmente, casais que não querem ter filhos, relações com filhos de anteriores casamentos, filhos adoptivos, filhos oriundo de barrigas de aluguer, casais do mesmo sexo, mães solteiras, muitas por opção própria, e que não deixam por isso de ser famílias.

A minha própria realidade é diferente da denominada família tradicional. Casei, pelo civil com pessoa já divorciada e já com um filho do primeiro casamento.

E quando me perguntam quem faz parte da minha família, mais chegada, não hesito em responder: eu, os meus pais, o meu marido e o filho do meu marido.

Estranho? Não

É a nova realidade.

O que realmente importa é que a entidade família, seja ela constituída por quem for, encerre nos seus laços confiança, dialogo, compartilha de problemas e soluções, garanta a individualidade e reconforto de núcleo, disponha de protecção e apoio, de compartilha de muita amizade, solidariedade, carinho, afecto e amor.