Pelo terceiro ano consecutivo, o Festival Primavera Sound voltou a receber os amantes de música no Parque da Cidade do Porto, entre os dias 5 e 7 de Junho. Com novo nome, NOS Primavera Sound, mas mantendo a presença de uma série de pequenos pormenores que tornam este festival de música citadino diferente dos restantes. Mais uma vez nota positiva para a forma como o recinto estava organizado. O espaço do parque estava bem servido de mini eco-pontos, que eram complementados por vários voluntários que constantemente recolhiam o lixo, principalmente os copos plásticos de cerveja. Mais uma vez aplaudimos a presença de casas portuenses emblemáticas pelos seus petiscos bem como a zona de barraquinhas de comércio que apresentavam produtos originais e cativantes. O Mini Primavera, um espaço orientado para aqueles que levam os mais pequeninos para os festivais foi uma adição muito interessante nesta edição do festival. Os brindes continuaram a cativar a atenção dos festivaleiros, e o Primavera Sound primou pela originalidade, nomeadamente com os cataventos coloridos e os girassóis gigantes, que se juntaram às tradicionais coroas de flores e aos sacos com as toalhas de piquenique (imagens recorrentes deste evento).

Fale-se então da música, das bandas e dos concertos, afinal o principal motivo para rumar ao Porto e ao Parque da Cidade. A edição deste ano não tinha um nome sonante como Nick Cave ou Blur em 2013, mas a reunião de mais de 50 bandas num cartaz eclético e variado tornou-se num dos trunfos de um evento que se distribuiu por quatro palcos. Os dois principais, o NOS e o Super Bock, instalados lado a lado na zona nobre do Parque da Cidade, num quase anfiteatro natural, e os secundários, o palco ATP (All Tomorrow Parties) e a tenda Pitchfork.

No final de um festival de música é difícil encontrar consensos entres os triunfos e aqueles que ficaram aquém das expectativas, mas alguns nomes foram sendo repetidamente enunciados como as grandes atuações desta edição do Primavera Sound. Os motivos tenderão a ser diferentes, obviamente. 

O rapper norte-mericano Kendrick Lamar surpreendeu na primeira noite quando subiu ao palco NOS já as 12 badaladas iam longe. A noite tinha tido como estrelas maiores a lenda da música brasileira Caetano Veloso, que revisitou em palco a sua longa carreira, e umas horas antes o seu compatriota Rodrigo Amarante que terá agraciado, com a sua música que alia a tradição brasileira ao pop rock, todos os festivaleiros que chegaram cedo ao recinto.

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A segunda noite tinha os Pixies e os seus inúmeros hits indie rock como a maior atração do cartaz. As opiniões sobre a atuação dividiram-se, mas ver os Pixies é sempre uma delícia, pela energia que colocam em palco, pelos hits que são tão familiares de todos nós e pela capacidade de execução. Terá talvez faltado um pouquinho de maior cumplicidade com o público, mas a entrega da banda em destilar tema após tema impressiona. Nessa noite os britânicos Slowdive mereceram nota de interesse e o post rock energético dos escoceses Mogwai conquistou novos fãs e agraciou os existentesseguidores da banda.

O encerramento da terceira edição do festival ficou marcado pela atuação dos americanos The National, que deram um concerto energético deliciando os inúmeros fãs da banda. Era uma noite ganha para os americanos mesmo antes de o concerto se iniciar, tal o estatuto que gozam em Portugal, e não desiludiram. Destacamos ainda o aguardado regresso aos palcos do grupo de culto Neutral Milk Hotel que tornou o fim de tarde mais melodioso num Parque da Cidade que se despedia do calor que horas antes tinha agraciado os portugueses You Can’t Win Charlie Brown, numa atuação cristalina e deliciosa (como sempre). Esta foi também a noite do soul de Charles Bradley e de St. Vincent que apareceu prematuramente no concerto dos The National para um dueto. !!! (Chk Chk Chk) fecharam as hostilidades no Palco NOS com uma celebração e uma festa que continuou (para os mais resistentes) nos concertos da tenda Pitchfork.

O NOS Primavera Sound também se estendeu para fora do Parque da Cidade, na noite de boas vindas ao público, no dia 4, quando a cidade abriu as portas no Passeio das Virtudes com os grupos portugueses Sopa de Pedra e Dead Combo, e depois com as colaborações da Casa da Música e do Hard Club que se associaram ao festival, respetivamente, com a (inédita) pre-party e os (já habituais) after hours.

A organização fez um balanço muito positivo do festival, confirmando uma assistência superior a 70.000 pessoas, num reforço do êxito da edição passada e num passo importante para a revalidação do objetivo de continuar a ser uma referência da música alternativa da Europa. Ainda segundo a mesma fonte, o público que passou pelo Parque da Cidade distribuiu-se por mais de 40 nacionalidades diferentes. A edição de 2015 está confirmada.

Dia 5
Palco Nos
Os Da Cidade
Spoon
Caetano Veloso
Kendrick Lamar

Palco Super Bock
Rodrigo Amarante
Sky Ferreira
Haim
Jagwar Ma

Dia 6
Palco NOS
Torto
Warpaint
Pixies
Mogway

Palco Super Bock
HHY & the Macumbas
Midlake
Slowdive
Trentemøller

Palco ATP
Vision Fortune
Föllakzoid
Television performing “Marquee Moon”
Pond
Godspeed You! Black Emperor
Loop
Shellac

Palco Pitchfork
Courtney Barnett
Joana Serrat
John Wizards
Darkside
Todd Terje
Bicep

Dia 7
Palco NOS
You Can’t Win, Charlie Brown
Neutral Milk Hotel
The National
!!! (Chk Chk Chk)

Palco Super Bock
Refree
Lee Ranaldo and the Dust
John Grant
St. Vincent

Palco ATP
Eaux
Hebronix
Yamantaka // Sonic Titan
Standstill
Charles Bradley
Slint
Ty Segall

Palco Pitchfork
Mas Ysa
Dum Dum Girls
Speedy Ortiz
Glasser
Cloud Nothings
Pional

Texto: Joana Vaz Teixeira e Miguel Pereira
Fotos: Hugo Lima