Depois de percorridos vários kms com a mochila às costas, tenda de campismo num caos, banhos de água fria, picadas de insectos e muita poeira à mistura, é agora altura da despedida de mais uma época festivaleira. É indubitavelmente nas Noites Ritual que se diz um "Até já!" aos Festivais de Verão!

 Estas noites começaram a agitar as águas no Porto decorria o ano de 1992, e até à data nunca mais pararam. Já lá vão 15 anos a cumprir o Ritual, sempre em português. Afinal é possível fazer um festival só com música made in Portugal. E, assim foi, mais uma vez, no passado fim-de-semana (24 e 25 de Agosto), duas jornadas, dois palcos que se encheram com as apostas recentes e os nomes confirmados no panorama nacional.

     Na sexta-feira (24 de Agosto), o desfile dos sons iniciou-se por volta das 21h30 no palco Ritual (também  conhecido como concha acústica), situado nos Jardins do Palácio de Cristal com o alinhamento desta noite da inteira responsabilidade da Antena 3, com Riding Pânico.

     Coube a Armando Teixeira, com o projecto Balla, inaugurar o Palco 1 com "A grande mentira", considerado pela crítica como um dos melhores álbuns nacionais de 2006, um concerto com pop, electrónica e erotismo à mistura.

     De regresso ao palco Ritual, sim porque os concertos iam acontecendo alternadamente nos dois palcos, dá-se lugar a Born a Lion com o vocalista/baterista em troco nú a interagir com o público, e este, a participar na comunhão de rock n'roll. Este foi o melhor concerto do palco Ritual nas duas noites. Junto ao palco principal, bem lá à frente, um grupo de adolescentes e pré-adolescentes cantavam, ou tentavam cantar, "Leoa Tigresa", tema que faz parte da banda sonora da série "Morangos com Açúcar" e que pertence a "Mercado Negro". Afinal, o Messias, o animal do palco estava para chegar e com ele, os restantes "manos". Tempo agora para paz, cor, cheiro, boas vibrações como Jah manda, com um concerto espiritual, interventivo e festivo. A noite ainda ia quente quando Dj Ride, que seria mais quarteto Dj Ride, subiram ao palco. O campeão nacional de Scrath/Turntablism cruzou Jazz com Hip-Hop e Funk. Talvez se exija mais deste Dj/Produtor, pois ficou aquém das expectativas.

     Para terminar a primeira noite e com a mesma idade que as Noites Ritual, os Clã. Uma viagem pelos êxitos de todos os albúns e até mostraram, pela primeira vez, temas do novo albúm (5º albúm de originais) a sair para Outubro. Em 15 anos de Noites Ritual era a quarta vez que os Clã passavam por lá, mas nem por isso Manuela Azevedo relaxou, com um novo corte de cabelo, agitou e contagiou todo o público com a sua energia, aliás esta foi o melhor concerto no palco principal nos dois dias.

     Sábado, 2º acto, com uma tarde chuvosa, parecia comprometer mais uma noite de concertos. Mas como o Ritual é para cumprir, à noite nem uma gota caiu do céu. O desfile começa com os portuenses Mosh. Um tipo com ar de poucos amigos estavam em palco, para acordar, despertar toda a gente, ou não fossem uma banda de metal.

     O palco principal começa com Slimmy. Uma personagem loira, magra e irreverente qb. Apresentou o seu disco de estreia, que sai no próximo mês. Nos minutos iniciais havia muitos que o olhavam com ar de desconfiança e até mesmo alguma indiferença, mas na segunda/terceira faixa já todos aplaudiam. Tinham-se rendido ao "electroclash", pois claro. Slimmy foi a maior surpresa nesta edição. Há que ficar atento ao disco de estreia "Beatsound Loverboy"

     Depois, seguiu-se Lobo, com rock experimental, canções sujas, rápidas e com tripla personalidade.

     Quem também estava de regresso a estas noites no palácio de Cristal eram os

X-Wife, na bagagem traziam o segundo álbum "side efects". Havia quem elegesse "Rocking Rio" como um dos mais fantásticos temas de produção nacional, mas esse EP era obra do ano da graça de 2003. Foi um bom concerto, mas estes senhores são capazes de mais, para além do que lá demonstraram.

     A noite continuava a arrefecer, e os concertos… acompanhavam. Foi o caso de Sean Riley&The Slowriders.

     Para terminar esta edição, David Fonseca, talvez o nome que arrastou mais gente, talvez o nome mais comercial, talvez… Com uma actuação morna, assim como a sua presença em palco, com um ar sério e parado.

     As noites Ritual mereciam um David Fonseca enérgico.

      Pela montra ainda houve uma exposição fotográfica de Paulo Pimenta, fotojornalista do Público e que fotografa as noites Ritual desde '95, acumulando kms de filme com os melhores momentos deste festival.

     Igualmente expostos estiveram os trabalhos de Vanessa Rodrigues, Rui Luís e Paulo Romão, vencedores do concurso fotográfico Amador Novos Talentos Worten 2007. Feira alternativa, foto-projecção lomográfica, demonstração de Trikkes e marionetas de Rui Sousa, aliás um espectáculo brilhante. Um universo de magia e alegria que conquistou muito boa gente do principio ao fim.

     Mais uma vez o Ritual cumpriu-se!  

Filipe Figueiredo