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Edição 707

No Pó dos Arquivos: O altar privilegiado de Guidões

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Deixou-nos o Abade Sousa Maia a informação de que tinha sido “o cura Manuel Domingues Maya que pediu, em 1760, para que fosse privilegiado o altar mór da igreja de S. João de Guidões, como effectivamente foi, in perpetuum, por Breve passado em 5 de Maio de 1760, publicado na mesma igreja, em 11 do dito mez e anno” (V. Memórias de Guidões, pág. 89).

Ao atribuir ao altar da Igreja de Guidões o título de altar privilegiado perpétuo, título que estaria inscrito no retábulo, Sua Santidade concedeu, assim, indulgência plenária em todas as Missas de Requiem (de Exéquias) à alma da pessoa por quem a Missa fosse rezada nesse altar. Por isso, muitos fieis guidonenses desejavam que fossem rezadas missas pela sua alma no altar privilegiado: Maria Francisca, em 1730, com acompanhamento de dez padres e doze missas no altar privilegiado de São João Baptista; Maria Gonçalves, em 1730, com acompanhamento de cinco padres e uma missa pela alma de sua mãe no altar privilegiado de São João Baptista; Padre Manuel António dos Santos, em 1760, Cura desta Igreja de Guidões, com seis Ofícios de dez padres, que todos dirão missa no altar privilegiado da mesma igreja e cem missas no mesmo altar. De igual modo, a crença neste privilégio fazia acorrer à Igreja de Guidões muitos paroquianos das freguesias vizinhas, para, na qualidade de testamenteiros, dar cumprimento às disposições de última vontade, relativas aos bens d’alma dos respectivos testadores. A comprová-lo, temos a transcrição dos testamentos exarada pelos párocos nos assentos dos óbitos de diversas paróquias.

De Alvarelhos: Maria da Silva, em 1757, com acompanhamento de dez padres e cinco missas no altar privilegiado de São João de Guidões; Manuel Fernandes Carvalho, em 1764, com acompanhamento de seis padres e quatro missas no altar privilegiado de Guidões. De Fornelo: Sabina Francisca, em 1738, com acompanhamento de cinco padres e duas missas no altar privilegiado de Guidões; O Padre Paulo Baptista, da aldeia de Vila Verde, Cura na freguesia de Guidões, donde veio doente e Sacramentado com todos os Sacramentos para sua casa, na sobredita aldeia, e durou somente três dias e faleceu aos dezoito do mês de Janeiro de 1739, com acompanhamento de onze padres, três Ofícios de dez padres e uma missa de corpo presente em altar privilegiado.

De Muro: Maria Francisca Capela, em 1741, com acompanhamento de sete padres e dez missas no altar privilegiado de Guidões; Manuel Gonçalves da Cruz, em 1762, com acompanhamento de quinze padres e cinco missas no altar privilegiado de Guidões. A data de alguns deste óbitos é anterior à referida pelo Abade Sousa Maia (1760), o que leva a admitir a hipótese de, antes de ter sido concedido, ao altar de Guidões, o título de altar privilegiado perpétuo, fosse privilegiado temporário. Tenha-se presente o altar da Igreja do Senhor Bom Jesus da Cruz, em Barcelos, modesta construção do século XVI, erecta num antigo souto de carvalhos, local onde, segundo a lenda, se deu o milagre do aparecimento da cruz. O edifício actual, interessante exemplar da arquitectura barroca do século XVIII, fica junto ao terreiro do campo da feira de Barcelos. Por um Breve papal de 1721, foi-lhe concedido o altar privilegiado por sete anos, para alguns dias em cada ano. As festividades entre os dias 1 e 3 de Maio estão na origem das tradicionais Festas das Cruzes.

Após o Concílio Ecuménico Vaticano II e de acordo com as novas normas das indulgências, Sua Santidade o Papa Paulo VI promulgou, no dia 1 de Janeiro de 1967, a Constituição Apostólica IndulgentiarumDoctrina, que atribuiu a concessão das mesmas indulgências a todas as Missas celebradas em qualquer igreja, abolindo assim os altares privilegiados. A Norma 20 do documento pontifício esclarecia: Nossa piedosa Mãe Igreja, em sumo grau solícita pelos fiéis defuntos, resolveu conceder-lhes os seus sufrágios na mais ampla medida em cada sacrifício da Missa, abrogando, por outro lado, todo o privilégio neste domínio.

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Carnaval no Coronado a 25 de fevereiro

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O desfile de Carnaval do Coronado já tem data marcada. A 25 de fevereiro, às 14 horas, o corso parte do Largo da Igreja de S. Mamede em direção ao Largo da Igreja de S. Romão.

Neste desfile participam, além dos foliões, as crianças que frequentam as escolas da freguesia do Coronado, apoiadas pelas respetivas associações de pais.

No final, realizam-se os leilões das comissões de festas de S. Bartolomeu e do Divino Espírito Santo.

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Compete-nos a nós, jovens, mudar esta sociedade

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Tenho 14 anos e ando no 9.º ano de escolaridade. Frequento a escola de S. Romão do Coronado. Tenho uma vida normal como todos os adolescentes. Escola, família, amigos e hobbies. Gosto de ficar em casa ver uma série ou jogar. Muitas vezes, ouço a minha mãe falar que, na geração dela, as brincadeiras eram na rua, os amigos eram os vizinhos, não existiam redes sociais, nem telemóvel. Como é possível?

Por vezes, questiono-me se a minha geração é que está errada ou seria a dos meus pais…

Sinto que também o universo digital é o aspecto mais característico da minha geração. Eu, apesar de não ser dependente do telemóvel, pergunto-me como foi possível os meus pais terem o seu 1.º telemóvel quando começaram a trabalhar. Eu tive o meu no 5.º ano.

Sinto que somos muito mais independentes com toda esta realidade. Quero ter acesso a informação, vou à internet… quero vender alguma coisa vou à internet… A minha mãe refere que comprou o 1.º gravador quando trabalhou em tempo de férias. Eu, com esta idade, tenho uma playstation.

Apesar de estar a viver numa geração em que sinto que tenho tudo mais facilitado, tenho as minhas preocupações de adolescente. As minhas aspirações escolares e até profissionais. Verifico que existe mais competitividade entre os alunos e acredito que esta competição vai ser cada vez maior, devido ao avanço das tecnologias.

Um aspecto que me preocupa são as mudanças climáticas. Daqui algum tempo como estará o nosso planeta? O aquecimento global e a crise climática de causas humanas preocupam-me. Devemos assumir todos este problema e tomarmos medidas de prevenção e mudarmos alguns comportamentos para estabelecermos uma nova relação com o meio ambiente. Se não mudarmos, acredito que o nosso futuro não vai ser muito agradável.

Julgo que não é necessário fazer muito esforço. Economizar a água, reciclar lixo, separar papel, plástico, do vidro , e do metal… As nossas florestas estão cada vez mais devastadas pela ganância do homem, a biodiversidade está a desaparecer. O primeiro passo para a mudança seria investir mais nos jovens, porque somos o futuro de todos os países do mundo. Deviam dar-nos novas oportunidades, uma boa formação específica, abrir horizontes. Participarmos em workshops e manifestações, fazerem grupos com os jovens no sentido de expressarmos os nossos pontos de vista e preocupações. Compete-nos a nós, jovens, mudar esta sociedade.

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Achei interessante alguns trechos de uma carta que foi escrita em 1855, pelo cacique Seattle, da tribo Suquamish, do estado de Washington, quando o então presidente Francis Pierce, dos Estados Unidos, deu a entender que pretendia comprar o território ocupado pelos índios: “Para [o homem branco], um pedaço de terra não se distingue de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga; depois que a submete a si, que a conquista, ele vai embora, à procura de outro lugar.

Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. Sequestra os filhos da terra e não se importa. […] Seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos […] O que fere a terra fere também os filhos da terra. O homem não tece a teia da vida; é antes um de seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio”.

Sei que tenho que terminar o 9.ºano e que a partir daí vai ser a “doer” . Sinto um “friozinho na barriga” quando penso neste futuro desconhecido. Contudo, sei que vai ser a partir daí que me vou preparar, tanto ao nível académico, como psicologicamente para o meu futuro profissional.

Em relação ao futuro profissional, tenho que trabalhar naquilo que gosto, mas também tenho ambição de ganhar dinheiro.

Sinto que esta fase também é a preocupação dos meus amigos da escola. A entrada para o ensino médio cria-nos insegurança e preocupação, não só pelas escolhas que iremos fazer, mas também pelos novos amigos e nova escola com que nos vamos deparar.

Mas com todas estas adversidades, tudo vai correr bem, porque como se costuma dizer “os jovens de hoje são os adultos de amanhã”.

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