O tempo é inimigo da memória, por vezes trai, outra vez até nos faz esquecer elementos do nosso passado e com o esquecimento surge por vezes a ingratidão.
A história é uma ciência que obriga a um estudo continuo, nem sempre o que dizemos sobre algo é totalmente verídico e por vezes uma pesquisa sobre o passado irá revelar que por vezes vivemos numa mentira.

No decorrer de várias pesquisas da história da Trofa, surgiu uma figura perdida na memória coletiva, que irá alterar o rumo da memória local, relativamente à atividade cultural. Referência para Dâmaso Rodrigues da Costa.

A figura de Dâmaso Rodrigues da Costa tem especial importância, poderá ter sido um dos primeiros a aproveitar a vantagem do caminho de ferro em abrir novos mundos ao mundo, construindo as suas máquinas agrícolas na sua oficina.
A sua oficina supostamente iniciou a sua laboração nos finais do século XIX, seria mais uma entre outras, contudo, é surpreendente que aparentemente a sua produção tinha mais mediatismo e rapidamente conquistaria clientes em vários pontos do país e também nas antigas colónias africanos.

Os anúncios de jornal na imprensa local, foi possível pelo menos visualizar até ao final da década de 1920, comprovando a vitalidade do seu negócio que não era algo passageiro, mas um projeto com créditos firmados, respeitado e valorizado na economia local.

Assumiam-se como especialistas no fabrico de tararas, debulhadores de milho, esmagadores de uvas, entre outros utensílios agrícolas, a tentativa clara de aproveitamento da presença forte do setor primário no país que ainda era bastante útil a sua riqueza para o PIB nacional.

Poderemos estar perante o pai da indústria trofense e talvez o primeiro empresário com enfoque para a questão da internacionalização, com vistas mais largas que a do comum mortal, seria interessante a valorização desta figura e integra-la na memória coletiva que é ignorada e despreza um dos seus maiores vultos.