O Clube Slotcar dinamizou mais uma atividade diferenciada e que garante ter sido “um sucesso”. A próxima é já no sábado. João Pedro Costa explicou ao NT o segredo da dinâmica associativa.

O Notícias da Trofa (NT): O Clube Slotcar da Trofa (CST) é conhecido por desenvolver atividades variadas. Como é que explica esta dinâmica associativa?
João Pedro Costa (JPC): O CST tem uma vantagem muito grande ao ter uma direção com 19 pessoas. A diversidade de idades, embora com predominância de jovens, permite um sem número de ideias e de opiniões, que se tornam enriquecedoras. Criamos grupos de trabalho, de quatro ou cinco pessoas, para desenvolver uma ação específica e isso facilita. Qualquer iniciativa que surja, não tenho dúvidas que conseguimos fazê-la. Temos já outras atividades no terreno, nomeadamente o Torneio de Lan-Party, que se realiza no sábado (5 de março), no Salão Paroquial do Muro. Em trinta minutos, o limite de inscrições foi atingido.
Brevemente, vamos apresentar o livro “As Histórias do Trofi”, dirigido às crianças dos quatro aos dez anos e escrito pela escritora trofense Alexandra Santos, que visa promover “as boas ações”.

NT: Esta dinâmica não esbarra com as dificuldades que a associação deu conta, publicamente, e que tem que ver com a limitação na utilização do espaço da Academia Municipal, onde o CST está sediado?
JPC: Realmente, as dificuldades que nos foram criadas são meramente artificiais, as pessoas (Comissão Liquidatária da Trofa-Park) criaram-nas para nos complicar a vida. De facto, não conseguem complicar à associação, porque não têm poder para isso, mas conseguem tirar uma série de atividades aos trofenses, nomeadamente aos mais novos. Cerca de cem a 150 jovens utilizavam o espaço. Nós éramos os dinamizadores e a pergunta que eu deixo no ar é: para onde é que foram estes jovens? Esta pergunta deve ser respondida, porque são estes jovens os prejudicados com a atitude tomada pela Comissão Liquidatária da Trofa-Park, empresa municipal que gere a Academia Aquaplace.

NT: O CST foi visado, recentemente, numa Assembleia Municipal, em que o PS denunciou uma alegada falta de apoio por parte da Câmara. Como tem visto a atuação do executivo camarário junto das associações do concelho?
JPC: Enquanto dirigente associativo, pugno-me que as associações não devem ter preocupações com subsídios e o CST não precisa dos subsídios da Câmara e vai viver sem eles se assim tiver de ser. Simplesmente, as ações serão menores, porque se houver menos recursos chegamos a menos pessoas. Se a Câmara entende que consegue chegar sozinha a todos os trofenses é porque deve achar que está a trilhar o caminho correto. Nós entendemos que não, fazemos a nossa parte com os recursos que temos e vamos continuar com as nossas ações. Acho é que os trofenses devem exigir da sua Câmara Municipal, para que consiga articular com as associações. É no terreno que vemos qual é o grau de satisfação e não me parece que os dirigentes associativos estejam contentes com a forma como tem sido a atuação deste município.

NT: Mas não só falando de subsídios, considera que as associações têm tido apoio logístico e moral necessário da autarquia?
JPC: Apoio moral precisa mais a Câmara do que as associações, porque os elementos do executivo é que são remunerados para os cargos que ocupam, eles é que têm de apresentar serviço, por obrigação, aos trofenses. Nós temos apenas que dar um bocadinho de nós ao final do dia, de forma desinteressada e sem qualquer tipo de remuneração, muitas vezes abdicando do nosso tempo e de recursos próprios para que as iniciativas sejam possíveis. De qualquer forma, o Clube Slotcar continuará sozinho na mesma senda de atividades. É lógico que se fosse com a Câmara, seria muito melhor. Enquanto trofense, o movimento associativo no concelho preocupa-me, porque vejo só o Clube Slotcar e pouco mais com atividades, mas é uma característica da nossa terra. Provavelmente, é uma falta de visão das pessoas que são responsáveis a nível político, porque deviam estimular o movimento associativo. As coletividades são extremamente importantes porque podem ser os braços estendidos de quem tem o poder e de quem pode empreender ações concertadas para o município.