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Ano 2008

Não me digas que não me compr`endes…

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Recém-chegado do calor solidário e fraterno da festa da alegria, uma proeza dos comunistas bracarenses e minhotos, que decorreu no último fim-de-semana, estranhei o facto de na segunda-feira seguinte não ter assistido na televisão ou lido em jornais qualquer notícia referente àquele evento político-cultural, concretamente no JN que, mudo e quedo, também nada refere. Sobretudo tendo em conta o magnifico comício com Jerónimo de Sousa onde, pelas 18h de domingo, desmontou e desmistificou perante plateia cheia e interessada, de forma clara e perfeita, esta politica de direita levada a cabo pelo PS. Estranhei. Mas de facto, não estranho. Subalternizados ao poder financeiro e ao governo, não dá jeito aos média e ao JN dar a devida cobertura a uma iniciativa como a festa da alegria, onde se ruma contra a maré, se apresentam outras soluções, outros caminhos, aonde reside a verdadeira alternativa política. Incomoda. E por isso, ou se noticia pouco ou, como fez o JN, nada.

   Neste espaço jornalístico que gentilmente me cederam tento sempre duas coisas que provavelmente nem sempre conseguirei concretizar. Ser verdadeiro, transmitindo o que penso e resulta das minhas reflexões e ser objectivo.

Uma das coisas que mais me seduz neste PCP é o seu rejuvenescimento. Não no sentido de ver a malta nova a participar activamente no comício e nas outras iniciativas, mas de a ver à frente das direcções e organizações do PCP. Olhar para a Assembleia da República e desde logo encontrar como presidente do grupo parlamentar, e já há muito tempo, um jovem como Bernardino Soares, reparar em outro jovem como o deputado do nosso círculo eleitoral do Porto – Jorge Machado. Enxergo a Direcção Regional do Porto do PCP por exemplo e vejo gente nova, responsável, com formação política e ideológica, a definir a linha, a estabelecer o rumo, a assumir o comando, com ideias claras, com objectivos concretos. Para mim, que sou algo mais velho, é um orgulho, uma honra, trabalhar sob a orientação de moços e moças, que sabem para onde vão e por onde vão, como é o caso dos meus camaradas Jaime Toga e Paulo Queirós. Por isso o PCP continuará bem entregue. Foi passado o testemunho. É partido de futuro, sempre ligado aos trabalhadores, aos jovens, mulheres, estudantes, reformados, agricultores, pescadores, intelectuais, pequenos e médios empresários, na luta pela transformação da sociedade na construção da sociedade socialista.

Esta festa da Alegria é um espaço de luta, confraternização, exposição e alento. Visceralmente estou a ela ligado. Após o 25 de Abril, também integrei um grupo musical de nome "Vanguarda". Daqueles que graciosamente e militantemente corriam o país ao serviço de uma colectividade, de um sindicato, de uma cooperativa, na alfabetização, na reforma agrária, numa iniciativa politica. Ao ar livre, em sala, num celeiro ou no atrelado do tractor, montava-se o palco. O pagamento era o ânimo que se trocava, a confiança que se estabelecia, a vontade férrea da transformação, a felicidade expressa na luta pela tarefa sempre inconcluída de se criar um mundo melhor. Quando muito, às vezes, um chouriço assado e um caldo verde. O"Vanguarda" esteve na primeira festa da alegria e, durante meia hora, tocou e cantou. Como esteve, também graciosamente, no parque da Senhora das Dores em um dos aniversários da única cooperativa de consumo que então existia na Trofa. Musicalmente poderia não ser grande coisa. Mas os textos tinham sentido, continham mensagem, analisavam a realidade, explicavam como o trabalhador que lê estas palavras, produz 50 e só ganha 5. Do tipo daquela letra do meu bom e velho Godinho que dizia : « Vi-te a trabalhar o dia inteiro / construir as cidades pr`ós outros / carregar pedras, desperdiçar / muita força pra pouco dinheiro». A palavra de que tudo o que existe é resultado da força da produção dos trabalhadores. Mas essa força é explorada, apropriada e não sendo a riqueza produzida devidamente distribuída, surgem as grandes desigualdades. Daí a conclusão da letra :« que força é essa / que trazes nos braços / que só te serve para obedecer / que só te manda obedecer / que força é essa, amigo / que te põe de bem com outros / e de mal contigo / Que força é essa, amigo.»

Na festa da Alegria em Braga, este ano, voltei a sentir esse calor, essa determinação. No abraço ao velho mineiro de Aljustrel e à antiga operária da Grundig, na cumplicidade militante dos meus camaradas trofenses, na recordação das lutas com os meus camaradas de Santo Tirso, no caloroso aperto de mãos a Jerónimo de Sousa, senti a mesma vontade indomável de ultrapassar as vagas do conformismo, de prosseguir corajosamente a luta de massas e de contribuir decididamente para o reforço do PCP. A minha mensagem não é descomprometida. Eu tomo partido. Disso dependerá ter ou não melhor e mais saúde amanhã, mais e melhor educação, mais ou menos emprego, melhores ou piores salários e pensões. O amigo leitor que, pacientemente lê estas linhas, sabe que tenho um objectivo. Contribuir humildemente para a mudança: a edificação de uma sociedade sem exploradores e sem explorados. E para ti, camarada trabalhador, para quem são estas linhas, a quem trato por tu, porque não tenho forma mais calorosa, humana e educada de tratar, digo-te que insistir no mesmo PS, PSD ou CDS, é ter mais do mesmo, sempre a apertar o cinto. E, como na velha canção sempre jovem, « não me digas que não me compr`endes / quando os dias se tornam azedos / não me digas que nunca sentiste uma força a crescer-te nos dedos / e uma raiva a nascer-te nos dentes / não me digas que não me compr`endes».

Não me digas que não me compr`endes.

Atanagildo Lobo.

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Ano 2008

Cinco mulheres atropeladas, duas em estado grave

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 Dois feridos graves e três ligeiros é o balanço de um acidente de viação, esta segunda-feira, junto à empresa Ricon, em Ribeirão. O condutor do veículo terá ligado ao sogro a pedir auxílio, abandonando depois o local do sinistro, visivelmente transtornado. As mulheres já não correm risco de vida.

 José Marcelino nem queria acreditar no que viu quando regressou de uma tarde de pescaria. “Quando me aproximei do meu carro, que tinha ficado estacionado no sentido Ribeirão/EN14, vi que estava virado em sentido contrário e só quando cheguei perto da viatura me apercebi do que tinha acontecido. Tinha o carro com a parte lateral esquerda completamente desfeita”, adiantou ao NT, José Marcelino ainda mal refeito do susto.

O proprietário do Opel Vectra ainda estava incrédulo com os contornos deste acidente. “Ouvi sirenes enquanto estava a pescar mas como tinha o meu carro bem estacionado nunca pensei que a minha viatura estivesse envolvida”, adiantou.

O palco do acidente foi a Avenida da Indústria, perto da empresa têxtil Ricon, envolvendo três viaturas ligeiras e, segundo o NT conseguiu apurar, resultou de “uma colisão lateral entre dois ligeiros seguida de despiste e atropelamento de cinco peões”, adiantou fonte da Brigada de Trânsito de Braga, que esteve no local.

Alegadamente, as duas viaturas seguiam no mesmo sentido: “Uma das viaturas ia estacionar e a outra tocou-lhe, despistou-se e atropelou as pessoas que iam na berma, batendo ainda numa terceira viatura que estava estacionada. De acordo com a Brigada, trata-se de uma zona sem passeio, mas os peões “circulavam do lado correcto da estrada, com o trânsito de frente”. Os veículos seguiam no sentido poente-nascente, em direcção à EN14.

O acidente terá acontecido às 12.50 horas quando as vítimas, com idades entre os 30 e os 45 anos, regressavam ao trabalho após a hora de almoço. Segundo o NT conseguiu apurar, duas das mulheres são residentes na Trofa e as outras três serão de Ribeirão.

As vítimas foram transportadas para o Hospital S. Marcos em Braga e para o Centro Hospitalar do Médio Ave, unidade de Famalicão.

A mulher de 34 anos de idade, residente na cidade da Trofa, está estável e internada em Braga e segundo um familiar contactado pelo NT, “sofreu fracturas nas duas pernas, num braço e na bacia, apresentando ainda costelas partidas com perfuração dos pulmões, mas não corre riscos de vida”, adiantou. A vítima esteve consciente e contou aos familiares como tudo aconteceu: “Estava a chover, o veículo seguia em direcção à EN 14, estava a ultrapassar um outro que se encontrava parado, acabando por embater no veículo, abalroando ainda uma segunda viatura, e acabou por colher as cinco funcionárias da Ricon”.

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Outra das vítimas, que se encontra internada no Hospital de S. Marcos, apresenta lesões na coluna.

O condutor do veículo, que ficou “transtornado com o acidente”, abandonou o local “com medo que lhe batessem”, segundo confirmou a esposa, garantindo que ele ia entregar-se às autoridades.

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Ano 2008

Campeonato nacional é objectivo a alcançar

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Juniores do Trofense lideram campeonato

 Todas as equipas dos diferentes escalões do Clube Desportivo Trofense aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital.

 O frio que se sente no Complexo de Paradela nesta altura do ano não é obstáculo para os jovens que integram os escalões do Clube Desportivo Trofense. O sonho de um dia chegar ao patamar mais alto do futebol faz com que os poucos graus centígrados sejam esquecidos e a bola torna-se no único acessório de valor para os pequenos craques em altura de treinos e jogos.

Com a nova direcção liderada por Rui Silva, o departamento de futebol do Trofense modificou estratégias e delineou novas metas, numa clara aposta na formação para conferir ao clube expressividade na captação de jovens talentos. Todas as equipas dos diferentes escalões aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital, com quatro pontos de avanço sobre o segundo classificado, Paços de Ferreira. Todos alimentam o sonho de qualquer jovem no seu lugar: serem chamados para integrar o plantel sénior da equipa.

Jorge Gonçalves é o treinador da equipa há três anos. Já tinha integrado o departamento de formação noutra altura e depois de um período em que experimentou outros clubes decidiu “aceitar o convite do coordenador Jorge Maia” para abraçar um projecto de quatro anos, que está “a correr conforme o planeado”, afirmou em entrevista exclusiva ao NT/TrofaTv.

Os dois primeiros anos serviram para “criar condições para tornar a equipa competitiva”, no sentido de atingir a subida aos nacionais. “Esse é o patamar onde os jogadores poderão evoluir melhor”, referiu.

O projecto não abrangeu apenas o escalão júnior e os resultados de um trabalho “árduo” começam a notar-se: “Neste momento, nas camadas jovens, os juniores estão em primeiro lugar, os juvenis estão em terceiro lugar a um ponto do segundo, os iniciados estão em segundo lugar e os infantis ocupam o terceiro lugar”.

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Actualmente a ocupar, confortavelmente a liderança, os jogadores desfrutam do sucesso “confiantes no seu valor”. No entanto, há necessidade de “equilibrar as mentalidades para que eles não se deslumbrem”, adiantou Jorge Gonçalves que reforçou o facto dos feitos de hoje “serem fruto de um trabalho de três anos”.

O técnico considera que os resultados positivos são fruto da sintonia entre o departamento de formação e a direcção do clube e sabe que Tulipa, treinador da equipa sénior, está atento ao trabalho desenvolvido pelos juniores. “Existe uma grande comunicação entre o departamento e a equipa técnica profissional. Sei que (Tulipa) já veio ver um ou dois jogos da equipa e alguns juniores têm ido treinar com os seniores com alguma regularidade. Integraram, aliás, o jogo da Liga Intercalar e fizeram uma boa figura, com um excelente desempenho”, acrescentou.

O treinador acredita nas capacidades dos jovens para poderem fazer parte do plantel sénior, mas não esquece que “existem muitos outros factores, como estar no sítio certo no momento certo, a posição do jogador ou se o treinador estiver mais necessitado e também há o aspecto da coragem para o fazer”.

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