Honório Novo esteve na Trofa, onde avançou que não há verbas para as variantes nem para o metro. O candidato comunista contactou com os colaboradores da Preh e depois dirigiu-se à freguesia do Muro, onde esteve reunido com elementos da comissão de defesa da construção da linha do metro para a Trofa.

“Neste momento não há um único euro do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) até 2013 disponível para comparticipar no investimento previsto na linha do metro da segunda fase, incluindo a linha da Trofa”. O anúncio foi feito por Honório Novo, candidato comunista nas próximas legislativas pelo círculo eleitoral do Porto, durante uma visita ao concelho da Trofa, realizada esta terça-feira.

Depois de ter estado à porta da empresa Preh, em Santiago de Bougado, a contactar com os trabalhadores, a comitiva comunista deslocou-se ao Muro, onde reuniu com elementos da comissão de defesa da construção da linha do metro para a Trofa. Mais tarde, percorreram a Rua Conde S. Bento, umas das principais artérias de comércio do concelho. Uma visita à Trofa que ficou marcada por notícia desanimadoras.

O comunista não quis deixar margem para dúvidas: “Se o engenheiro Sócrates vier aqui dizer que vai avançar com a rede do metro para a Trofa, se o doutor Passos Coelho vier aqui e disser a mesma coisa, afirmando, eventualmente, que vai falar com o Doutor Durão Barroso, de quem é amigo e correligionário, ou o doutor Portas vier aqui dizer isto e não se comprometer com o projeto de resolução que nós já apresentámos e que vamos voltar a apresentar, que altera de fato as bases do financiamento da empresa, estão decididamente a aldrabar os trofenses e os residentes do distrito do Porto”.

A CDU defende que “só é possível avançar com a linha da Trofa e com a segunda fase da linha do metro com uma deslocação e uma afetação de fundos comunitários, seja do fundo de coesão, do Programa Operacional Norte ou do Programa Operacional Valorização do Território. “Sem esses meios financeiros e sem o esforço adicional do investimento público nacional, não vai haver segunda fase da linha do metro, nem vai haver linha da Trofa. Quem disser o contrário, mente”, alertou Novo. O candidato a deputado avançou ainda que naquela manhã tinha estado reunido com administradores e técnicos da Metro do Porto. “Aquilo que nos foi transmitido confirma tudo o que dissemos sobre a questão: não vai haver metro para a Trofa e não vai haver segunda fase da rede nas quatro linhas no Porto se não for alterado o financiamento da empresa”.

O candidato foi mais longe nas críticas e afiançou que a variante rodoviária à Estrada Nacional 14 também não vai sair do papel: “Basta olhar para o trânsito matinal e ao fim do dia aqui na Trofa para sabermos que é a conta-gotas. E mais uma vez estas obras (variantes) não vão avançar, porque os responsáveis políticos do PS e do PSD habituaram-se a prometer a mesma coisa na Trofa e a fazer o contrário em Lisboa, quer no governo, quer na Assembleia da República”.

Em pré-campanha eleitoral, Honório Novo recordou que “há uma altura para responsabilizar quem sistematicamente engana as populações: nas eleições”. “Nesta campanha joga-se muito daquilo que é, e pode continuar a ser ou não, um desprezo muito grande pelo distrito do Porto e particularmente pela Trofa”, reiterou. Questionado sobre a possibilidade de a freguesia do Muro boicotar novamente um ato eleitoral, Honório Novo garantiu que “o que vale a pena é responsabilizar os atuais governantes, não votando neles”.

Jaime Toga, trofense e candidato pela CDU às eleições, integrou a comitiva que visitou o concelho.

“Creio que é chegado o momento da população da Trofa penalizar quem é responsável pela situação em que se encontra o concelho, quer seja o PS, o PSD e o CDS, não só pela gestão que fizeram na Câmara, mas pela gestão passiva em relação à forma como os sucessivos governos trataram a Trofa”, criticou. Para este trofense, “chegou o momento de a população converter toda a sua indignação, todo o seu protesto e todo o seu descontentamento em votos, como forma de contribuir para a mudança”.

Recorde-se que a CDU perdeu, nas últimas eleições autárquicas, o único elemento eleito na Assembleia Municipal. Jaime Toga reconheceu que “foi este o entendimento da população”, mas não deixou de notar que “a CDU continua cá”. “Naturalmente com menores condições para intervir, até do ponto de vista institucional, mas não foi isto que nos fez calar, não foi isto que fez com que deixássemos de apresentar a proposta para a solução do problema do metro que o PS, o PSD e o CDS não quiseram resolver”, ressalvou.

 

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