Já diz o velho ditado que “velhos são os trapos” e os idosos que frequentam a Muro de Abrigo sentem outra vitalidade quando pintam, escrevem, fazem ginástica e outras actividades que nunca experimentaram na vida. Habituados ao trabalho no campo, poucos são os que sabem escrever, ler e fazer contas, mas na Associação têm a oportunidade de aprender aquilo que perderam em crianças.

Maria Augusta Sousa, Almerinda Silva, António Ramos e Palmira Carvalho são alguns dos utentes que passam as tardes na Associação Muro de Abrigo. “Sentimo-nos felizes”, dizem por entre sorrisos, que confirmam que a terapia do convívio é, de facto, a melhor solução para ocupar os dias livres que agora têm, na idade da reforma.

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“Aqui não estamos sozinhos”, referiu Maria Augusta Sousa que, apesar dos 82 anos, garantiu que não se sente “velhinha” e tem “sempre força para trabalhar”. Já Almerinda Silva, com 81 anos, recorda que “foi a melhor coisa” que lhe aconteceu, trouxe-lhe “felicidade”. Todos os dias arranja-se “à pressa” e “nem come a sopa” para às 14 horas estar na Associação. Aprender a ler, escrever e a pintar são algumas das actividades que distraem António Ramos, que, por estar “só em casa”, se encosta ao Muro de Abrigo. Todos rezam para que o projecto desta Associação nunca chegue ao fim e Palmira Carvalho também dá uma força: “Isto é bom, é o melhor que temos e oxalá que nunca acabe, peço ao Senhor que isto nunca acabe para podermos passar aqui um bocadinho de tempo”.

Jogar às cartas, fazer ginástica, pintar, cantar, escrever, ler e contar são algumas das actividades desenvolvidas pelos utentes deste espaço que nasceu há mais de quatro anos.

O “mimo e a atenção” dados por Fátima Silva, presidente da Associação e mentora do projecto, também são uma mais-valia. “Aqui mostram o que sabem e nós aprendemos sempre muito também e eles próprios começam também a perceber que valem muito, porque têm muito dentro deles, e por exemplo, alguns nunca tinham andado na escola, nem sequer sabiam escrever o nome”, explicou. Com a ajuda da presidente e da Assistente Social, Ana Isabel Araújo, os idosos conseguem “mesmo nesta idade desenvolver as suas capacidades e descobrir algumas que por vezes nem sabiam que tinham”, afirmou a assistente.

Mas a Muro de Abrigo serve ainda de refúgio para outras pessoas da terra. “A Associação Muro de Abrigo também se direccionou para o trabalho com rendimento social de inserção. Neste momento fazemos acompanhamento de processos de beneficiários de rendimento social de inserção das freguesias de Alvarelhos, Guidões e Muro. O que se pretende é que as pessoas que vivem numa situação de precaridade económica e desinserção profissional e social, tenham uma orientação de forma a que consigam autonomizar-se desse subsídio que é atribuído e que consigam organizar a sua vida”, explicou Ana Isabel Araújo.

Este é já o Muro de Abrigo de cerca de 30 idosos, das freguesias de Alvarelhos, Muro, Santiago de Bougado e ainda de fora do concelho como S. Pedro de Avioso, mas em fase de crescimento está já um novo projecto, a construção de uma nova sede para a Associação. “Neste momento temos o projecto feito, aprovado pela Câmara Municipal, pela Segurança Social e Delegação de Saúde, estamos à espera, em Lisboa, do financiamento que concorremos ao Programa Operacional de Potencial Humano – POPH, e estamos ansiosos que seja aprovado para podermos começar com a nossa construção”, adiantou Fátima Silva.

Este é um projecto que vai “albergar 30 pessoas em regime de internamento, 30 pessoas em apoio domiciliário, 10 pessoas em regime de Centro de Dia e 30 pessoas em regime de Centro de Convívio”, reforçou Fátima Silva, que apresentou ainda a inclusão de um serviço específico para pessoas com Alzheimer. Com ou sem a nova sede, “entretanto arranca o apoio ao domicílio que, mesmo sem ter as novas instalações, irá começar em breve”, lembrou a responsável.

Mas o que estes utentes desejam é que este porto de abrigo no Muro nunca deixe de funcionar. E a parte principal, de acordo com a responsável, “são as pessoas e a alegria” que este projecto transmite a todos os que estão de alguma forma ligados à Muro de Abrigo.

Para fazer parte deste grupo “têm que ser sócios, a cota tem o valor de 2,50 euros por mês, a jóia também custa 2,50 euros e agora pagam mais 2,5 por cento sobre a pensão do idoso, nunca mais de 10 euros e em muitos casos são apenas 5 euros”, reiterou Fátima Silva.