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“Vale sempre a pena” apostar na mudança dos seus hábitos alimentares e numa vida mais saudável. Esta é a convicção dos especialistas da Unidade de Obesidade, criada há três anos, no Hospital da Trofa e que, no passado sábado, organizou as I Jornadas da Obesidade.

Mesmo quando já foram tentados todos os métodos e dietas possíveis para emagrecer, “vale sempre a pena” insistir. A pergunta é: “O que é que essa pessoa deve fazer para esse excesso de peso não se manter e voltar ao peso normal?”. O cirurgião Carlos Gomes, responsável pela organização das I Jornadas de Obesidade do Hospital da Trofa, responde: “Essa pessoa que ainda não é obesa, mas tem excesso de peso, deverá fazer uma consulta numa unidade de Obesidade e essa consulta é com regra feita sempre pelo endocrinologista que faz um estudo hormonal do doente, é estudada a quantidade de massa corporal que tem, massa magra e gorda, é estudada a quantidade de retenção de líquidos que esse doente faz. Depois dos resultados do estudo é-lhe definido qual é o excesso de peso que tem. Vemos se é algum erro alimentar que pode ser corrigido, se é algum erro endócrino, nas glândulas tiróide ou supra-renais, ou se é um doente que tem um bocadinho de peso, mas está como se costuma dizer inchado, com retenção de líquidos”.

E porque para emagrecer não é necessário apenas um nutricionista, o Hospital da Trofa juntou endocrinologistas, cirurgiões, psicólogos e outros especialistas na área para debater o tema da obesidade.

A obesidade é conhecida como a epidemia do século XXI e continua a ser, de acordo com os médicos, uma das principais causas de morbilidade e mortalidade. Esta é, segundo Carlos Gomes, “uma definição feita pela Organização Mundial de Saúde tal é o crescimento na população adulta e também na infantil”, uma vez que “os índices de obesidade são crescentes em todos os países”, explicou.

Assim, há cinco anos surgiu no Hospital da Trofa a ideia de criar uma unidade específica para tratar esta doença. “O Hospital começou a dar formação e contribuir para a formação de determinados elementos nessa área, principalmente a aprendizagem de cirurgias que são cirurgias que têm uma tecnologia muito própria, que cá em Portugal ainda não se faziam e portanto tivemos de ir aprender fora”, adiantou Carlos Gomes.

Depois da formação foi criada a Unidade de Obesidade, que já funciona há três anos: “Começámos a trabalhar e a ter doentes e começámos a analisar os nossos sucessos e chegámos à conclusão de que estava na altura de fazermos umas Jornadas para dar a conhecer o que aqui fazemos”.

Ao longo do dia estiveram em cima da mesa temas como a prevenção da obesidade e qual o papel do nutricionista, ou a doença e as alterações de comportamento, tendo sido abordadas as áreas de nutrição, endocrinologia e psicologia. Mas quando as dietas por si só não chegam, recorrem às cirurgias, por isso, foram ainda apresentados filmes das técnicas cirúrgicas utilizadas pela equipa de cirurgia bariátrica do Hospital e discutidas quais as cirurgias mais utilizadas para a correcção deste problema.