Numa missiva que o presidente da Junta de Freguesia do Muro entregou ao primeiro-ministro, no sábado, a população do Muro reivindica a linha como “um direito” que lhe foi “roubado”.

“Senhor primeiro-ministro, que país é este em que temos de defender o óbvio?” A questão, em jeito de desabafo, foi escrita mas bem pode representar o grito de revolta de toda a população do Muro, que reivindica a construção da linha do Metro. Aquela que lhe foi “roubada”, palavra que surge várias vezes na missiva que foi entregue por Carlos Martins, presidente da Junta de Freguesia do Muro, a Pedro Passos Coelho, na visita do primeiro-ministro à AEBA, no sábado.

Na carta aberta, cujo remetente é “a população do Muro”, pode ler-se que a linha “é um direito de uma região e de todas as suas gerações que se viram amputadas de recursos”. “A linha pertence aos nossos avós, aos nossos pais e a nós. Mas, também pertence aos nossos filhos e aos filhos deles. Pertence ao passado, ao presente e ao futuro da Trofa. O dinamismo desta região depende disso. A vida deste concelho depende da vinda do Metro até à Trofa”, pode ler-se.

No documento, que começa com uma alusão ao dia em que o comboio chegou à freguesia do Muro em 1932, acompanhado de “aclamações, palmas, vivas e bastantes foguetes”, os murenses deixam claro que “não” querem “saber quem são os culpados” de a linha, que fez com que a linha ferroviária tenha sido desativada, ainda não ser uma realidade, mas manifestam mágoa pelo facto de “as sucessivas promessas e adiamentos não passarem de uma forma de fazer com que o processo fosse esquecido”.

A última “machadada” foi em 2014, com a não inclusão do projeto nas prioridades do Governo para o investimento público, nem sequer com apoios comunitários. “Abandonados, isolados, numa terra que não tem condições para que os seus jovens possam, por exemplo, deslocarem-se todos os dias para a faculdade. Foi roubado o futuro ao que poderia ter sido o melhor local para viver na Área Metropolitana do Porto”, acrescentam.

Mas os murenses não esquecem nem esmorecem no desejo de ver o metro circular no concelho e devolver um meio de transporte público que devolverá o dinamismo de outros tempos à freguesia.

Juntamente com a missiva, Carlos Martins entregou o documento do Projeto de Resolução do PSD e do CDS-PP sobre o prolongamento da Linha, aprovada na Assembleia da República, em 2012, e que recomendava o Governo a enquadrar no prolongamento da linha verde, entre o ISMAI e a Trofa, “no âmbito do financiamento comunitário disponível ou a disponibilizar”.