O artesão trofense Vasco Silva expõe miniaturas de edifícios religiosos na Casa da Cultura. Mostra está patente até 27 de abril.

 A partir de materiais que a natureza oferece e da reciclagem de outros objetos, Vasco Silva arregaça as mangas e ocupa os tempos livres a fazer arte. Quando se atreveu a entrar no mundo do artesanato, há cerca de três anos, começou por pequenos projetos. As casas em ponto pequeno, feitas meticulosamente, encheram-no de orgulho e motivaram-no a dar o passo em frente.

Aventurou-se a replicar, em miniatura, os monumentos do concelho da Trofa e qual melhor para começar que a referência da freguesia de onde é natural: a igreja de Guidões. “Quando saltei das casas para estes trabalhos, tinha como objetivo fazer a igreja de S. João Batista. Demorei dois meses a fazê-la e correu muito bem”, recordou, em entrevista ao NT e TrofaTv.

Grande parte do espólio é composta por edifícios religiosos. Pela primeira conseguiu reunir os trabalhos no mesmo local, a Casa da Cultura, numa exposição que está patente até ao dia 27 de abril.

Esta é uma forma de “promover este artista trofense” e os seus trabalhos que, de acordo com o vereador da Cultura da autarquia, Assis Serra Neves, “merecem ser vistos por todos, sobretudo a comunidade escolar, porque também são pedagógicos”.

 

Na exposição podem ver-se miniaturas da capela de Santa Eufémia e da capela do Carmo, de Alvarelhos, objetos que já estão vendidos. Vasco Silva “nunca” pensou em vender os trabalhos até lhe aparecer o primeiro comprador. “Quando me perguntou quanto é que eu queria pela peça, fiquei embasbacado, porque eu não tinha cálculos feitos. Só a partir daí é que comecei a anotar o tempo e os materiais gastos”, referiu. Para Vasco Silva, “o artesanato não se consegue vender por mais de 50 por cento do tempo que se gasta”. “Se fosse a vender uma obra destas pelos valores reais, teria que pedir três ou quatro mil euros, mas não posso utilizar valores desses”, afiançou.

 

Por entre as miniaturas, há uma que, mesmo em pequena escala, salta à vista pela imponência. A Capela de Nossa Senhora das Dores foi a peça que “mais tempo” demorou a ficar pronta e quase fintava a resistência de Vasco Silva: “Não estava a ver o fim daquilo, mas com os meus métodos consegui conclui-la”.

Na mostra podem ver-se ainda a Capela de S. Roque, de Alvarelhos, e a Capela de S. Gonçalo, de Covelas.

Para realizar os trabalhos, o artesão utiliza essencialmente “paus de árvores”, “restos de madeiras” de uma carpintaria, “plástico” e “muita cola”. As bases das miniaturas são feitas em pladour.

O objetivo do artesão é construir miniaturas de todos os monumentos do concelho. A Câmara Municipal já lhe lançou um desafio: construir a Igreja de Santiago de Bougado e a Casa da Cultura. Vasco Silva não enjeitou e vai mesmo realizar esses trabalhos depois de concluir a igreja de S. Cristóvão do Muro.