Há cerca de cinco meses, Paulo Noronha começou por fazer uma miniatura da Capela de Nossa Senhora das Dores, para se abstrair devido à doença. A partir daí o bichinho ficou e nunca mais parou, tendo passado o gosto para o filho de 13 anos.

“Um mês” foi o tempo necessário para Paulo Noronha fazer a Capela de Nossa Senhora das Dores em miniatura. No trabalho manual nada foi deixado ao acaso. Com o uso de “platex, cartão, areia, cola e tinta”, o trofense fez uma replica da Capela de como era “há 50 anos”. Na parte frontal, podemos encontrar os dois santos, tal como na original, e ao abrir a porta deparamo-nos com os bancos e o altar que conta com a imagem de Nossa Senhora das Dores.

A Capela de Nossa Senhora das Dores despertou Paulo Noronha para as artes manuais, uma “paixão” que surgiu “em março” quando veio para casa de baixa com “uma grande depressão”. “Calhou-me bem, gostei daquilo que estava a fazer e continuei a fazer. Não sabia que tinha tanta paciência para estar a fazer isto. Faço não com a intenção de vender, nem quero vender. Agora que apareça alguém que me peça para fazer, eu possivelmente faço uma replica”, denotou.

Para se “distrair”, Paulo continuou a fazer replicas em miniatura, perdendo cerca de nove horas diárias entre material de carpintaria e fotografias, que vai “tirando” para ver melhor os pormenores. Em apenas cinco meses, já fez a Igreja Matriz de S. Martinho de Bougado, a Capela de Santa Luzia (Santiago), os antigos coretos e a antiga escola primária que estavam no Parque de Nossa Senhora das Dores, a antiga estação de comboios da Trofa, a Capelinha das Aparições do Santuário de Fátima e uma azenha. Paulo contou que “agora é mais rápido” a concluir uma peça, pois “já está mais ou menos habituado”, demorando entre “três dias a uma semana” a terminar o trabalho, dependendo do que tiver a fazer.

A escolha da Capela de Nossa Senhora das Dores para o primeiro trabalho está relacionado com o facto de ainda “não” ter conseguido ver “em lado nenhum em ponto pequeno”. Já a antiga escola foi feita a pedido de “uma vizinha” que lhe mostrou “uma fotografia” de quando lá “andava”.

Apesar de gostar de todas, as suas replicas favoritas são a Capela de Nossa Senhora das Dores e a Igreja Matriz, por ser “da terra” de onde é residente (S. Martinho de Bougado). “Embora me deu muito trabalho e muitas horas, fiz-las com muito gosto”, justificou.

Neste momento, o “desafio” de Paulo é a Igreja Matriz de Santiago de Bougado, que ainda se encontra numa fase inicial. Posteriormente, o recém artesão prevê fazer a Capela de S. Gonçalo, “talvez a Casa da Cultura” e “outras que sejam da terra”.

A paixão pela construção de miniaturas já está a ser passada ao seu filho de 13 anos, a quem está “a ensinar a fazer” a arte, tendo já construído duas peças: uma tasca e uma casa à moda antiga.

Apesar de recentes, as suas peças já foram expostas numa edição do Sextas ConVida, que “correu bem” e teve “muita gente ver”. Contudo, Paulo considera que “as pessoas não dão muito valor a estas coisas, que são bonitas”.