É nos dias de hoje uma das maiores preocupações das sociedades evoluídas e diria mesmo que uma obrigação dos líderes que desejam desenvolver e viver sociedades conscientes.

Falo de mobilidade sustentável e de todas as preocupações que se impõem quando abordamos estes conceitos numa perspetiva de criação e implementação de um plano estratégico de mobilidade sustentável.

Por definição, a World Business Council for Sustainable Development, define o conceito de mobilidade sustentável como a capacidade de dar resposta às necessidades da sociedade em deslocar-se livremente, aceder, comunicar, transacionar e estabelecer relações, sem sacrificar outros valores humanos e ecológicos, hoje e no futuro.

Neste contexto de definição, e partindo do princípio que cada vez é maior a escolha do automóvel como transporte individual prioritário com, implicações futuras significativas ao nível dos consumos, das emissões e da segurança, procuro com este texto promover conceitos e elevar consciências quanto à necessidade de serem desenvolvidos meios, condições e alternativas de mobilidade que permitam ao ser humano dar respostas adequadas às constantes agressões que o nosso planeta tem sido vitima, com claro impacto na saúde das populações, no meio ambiente e respetivo comprometimento das gerações vindouras.

Quem vive em grandes cidades e meios urbanos, pode nunca ter refletido sobre o tema, ou até nem ter ouvido falar sobre ele, mas a verdade é que são, cada vez mais, violentamente afetados pelo que se denomina de mobilidade urbana.
Todos os dias, quando saímos de casa com um destino bem definido, seja a pé, de carro ou utilizando outros meios de transporte, acabamos por nos relacionar com outras pessoas que também procuram chegar aos seus destinos previstos.
Para que essa mobilidade aconteça usamos as infraestruturas existentes para o efeito.

A esse uso diário e ao relacionamento entre diferentes utilizadores se define mobilidade urbana, que além de ser um direito de todos, quando assegurada com qualidade, garante o acesso a outros direitos básicos como educação, trabalho, saúde e lazer.

Todos estes conceitos devem criar uma prioridade nas políticas definidas que venham ao encontro das reais necessidades das pessoas.

Os sistemas de transportes, as infraestruturas das cidades (estradas, passeios e ciclovias) e o planeamento do uso e ocupação dos solos, devem ter em conta que as pessoas, cada vez mais, tem necessidade de circular de diferentes formas, caminhando mais dentro das cidades, usando a bicicleta como meio de transporte para pequenas deslocações e procurando os meios de transporte coletivos quando existentes e com adequada relação no preço/qualidade do seu serviço.

Assim, desde a tomada de consciência destas realidades, que existe um desafio criado às cidades e aos seus responsáveis, oferecer o equilíbrio fundamental às diferentes necessidades, sem comprometer gerações futuras.

Surge então o conceito de mobilidade urbana sustentável.

Para dar resposta a este conceito, os municípios e as autarquias locais deverão elaborar o seu planeamento para a mobilidade urbana das populações e a forma como o define faz perceber com clareza a prioridade das suas políticas.

Os meios de transporte coletivos, quando integrados nesse planeamento são aqueles que permitem deslocar mais pessoas ocupando menos espaço. No entanto, para que sejam uma realidade útil e sustentável é necessário que as cidades e as suas vias estejam organizadas de forma que permitam eficiência e qualidade no serviço.

Infelizmente, essa não é a realidade da maioria das cidades, o que promove nas pessoas, cada vez mais, a utilização do automóvel como meio de transporte prioritário, estando hoje, o ser humano a pagar caro essa realidade e consequente aumento dos níveis de poluição, congestionamento e acidentes.

No concelho da Trofa, a realidade não é ainda suficiente para as necessidades da população. Os transportes públicos possuem preços elevados e o serviço é de baixa qualidade. As condições de acesso aos locais de paragem desses meios de transporte não possuem a segurança adequada pela inexistência de passeios em algumas das principais ruas de acesso e acresce ainda que os horários dos transportes são insuficientes em algumas horas do dia e muitas vezes os locais de espera não possuem um abrigo eficaz e uma iluminação satisfatória.

Em virtude da dificuldade de obter respostas adequadas a todas estas carências, a bicicleta tem surgido como um meio de transporte alternativo cada vez mais utilizado pelas populações.

Com esta opção, as pessoas conseguem alcançar uma significativa poupança financeira devido ao elevado custo dos combustíveis, uma melhoria da sua qualidade de vida pelo estimulo do exercício físico regular, um saudável e recomendável contributo para a redução dos níveis de gases poluentes existentes no ar que todos respiramos devido ao uso de meio de transporte ecológico, uma diminuição dos ruídos e uma desocupação do espaço público.

As sociedades mais evoluídas, em especial as do norte da Europa, há muitos anos que já promovem hábitos que vão ao encontro destas necessidades sendo a bicicleta um meio de transporte comum entre as populações.

Esta realidade, leva-me a pensar que não existiu nas opções políticas passadas e atuais grande consciência e preocupação com estas questões.

Assim, e para 2020, os meus maiores desejos como trofense, passam pela real implementação e crescimento de um plano de mobilidade urbana sustentável que passe pela criação de uma rede de ciclovias dentro e fora da cidade da Trofa, que incentive o uso da bicicleta e permita aos muitos utilizadores deste meio de transporte, jovens e adultos, maiores condições de segurança e eficiência no uso diário da bicicleta.

Luís Cardoso