Perante um conjunto de especialistas europeus e do Brasil, o director do Instituto dos Museus e da Conservação, Manuel Bairrão Oleiro, teceu rasgados elogios à gestão cultural da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, em particular o trabalho que tem sido desenvolvido na Casa-Museu Camilo Castelo Branco.

O responsável que falava na abertura do I Encontro Internacional de Casas-Museu, que decorreu quinta e sexta-feira na Casa de Camilo, e teve como tema “As Casas-Museu: Do Passado aos Novos Desafios”, apontou a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão como “uma referência positiva, reconhecida no apoio que tem dado ao funcionamento de equipamentos culturais no concelho, nomeadamente da Casa de Camilo”. “A Câmara Municipal tem sido portadora de uma visão cultural extraordinária”, declarou Manuel Bairrão Oleiro, acrescentando que, neste âmbito, a Casa de Camilo Castelo Branco assume-se “como uma referência entre os museus que integram a Rede Portuguesa de Museus”.
Outra representante do Ministério da Cultura, a delegada regional da Cultura do Norte, Helena Gil, felicitou o presidente da Câmara Municipal, Armindo Costa, “pela dinâmica cultural” incutida do concelho, assumindo-se como uma frequentadora assídua da Casa das Artes, da Biblioteca Municipal e da Casa de Camilo. Helena Gil anunciou ainda que a Casa de Camilo irá fazer parte de uma rede de espaços de memória, que será criada em breve, e que terá como objectivo criar uma teia de cumplicidades entre as várias casas-museu existentes na região Norte. Uma ideia que não é totalmente nova para a Casa de Camilo, tendo em que conta que, esta estrutura cultural famalicense tem vindo já a estabelecer ligações culturais, nomeadamente com a Casa-Museu Rosalía de Castro, na Galiza.
O encontro contou ainda com a presença de conferencistas prestigiados como o presidente do Comité Internacional de Museus Literários, Lothar Jordan, o presidente da Federação Francesa de Casas de Escritores, Jean-Claude Ragot e a presidente da Associação Espanhola de Casas-Museu, María Teresa Piñeiro Miras, entre muitos outros. Ao todo marcaram presença no evento perto de 30 especialistas entre directores e representantes de casas-museu de Portugal, Brasil, França, Espanha e Alemanha.
Referindo-se ao programa do encontro, o presidente da Câmara Municipal, Armindo Costa, disse que “cuidar da memória colectiva, como fazem todos aqueles que estudam e trabalham na área dos museus, é também debater os problemas do presente e antecipar os desafios do futuro”. E acrescentou: “Onde quer que esteja, Camilo Castelo Branco estará muito satisfeito por estarmos aqui”.
O autarca assinalou ainda que “a Casa de Camilo, que é uma das dez casas-museus que integram a Rede Portuguesa de Museus, é a jóia da coroa cultural da Câmara Municipal de Famalicão”.
 
CASA DE CAMILO VISITADA POR 32 MIL PESSOAS EM 2007
 
Armindo Costa aproveitou a oportunidade para salientar a aposta do município na Casa de Camilo, lembrando que, “só em 2007, este espaço foi visitado por 32 mil pessoas de Portugal e do estrangeiro”. Segundo o autarca, a eleição da Casa de Camilo Castelo Branco como o “Melhor Museu Português” do ano de 2006, assim como a sua posterior nomeação para o Prémio de Melhor Museu Europeu entre quinze finalistas, num Fórum dos Museus Europeus, que decorreu este ano na Irlanda, foram factos que contribuíram para esta visibilidade nacional e internacional. No entanto, a autarquia vai continuar a apostar fortemente neste espaço cultural.
De acordo com o edil, depois da construção do Centro de Estudos Camilianos, projectado pelo arquitecto Siza Vieira que transformou a Casa de Camilo num centro de investigação literária pioneiro em Portugal os projectos de valorização da Casa de Camilo vão prosseguir “com as obras de reabilitação urbana no espaço público envolvente, igualmente com a ajuda de Siza Vieira”.
A Câmara Municipal está também a desenvolver um projecto de criação de uma quinta pedagógica, em volta da Casa de Camilo Castelo Branco, cujos terrenos agrícolas já foram adquiridos. “Será um espaço aberto às escolas de todo o País e aos turistas que nos visitam, aprofundando ainda mais o papel pedagógico deste espaço camiliano”, salientou o edil, acrescentando que “a aposta na preservação e valorização do património histórico-cultural” também acontece em outras estruturas culturais do concelho, nomeadamente no Centro de Estudos do Surrealismo, no Museu de Bernardino Machado, no Museu da Indústria Têxtil e no Museu Ferroviário de Lousado.
Por sua vez, o director da Casa Museu de Camilo, Aníbal Pinto de Castro, mostrou-se muito satisfeito com a presença de “tão prestigiados conferencistas”, provenientes de diversos países. “São personalidades várias que trazem experiências várias para debater a função e as actividades das casas-museus”, disse o responsável. 
Para Aníbal Pinto de Castro, um dos principais objectivos do encontro prende-se com a vontade de “transformar os museus em ambientes vivos, em permanente actividade com as pessoas”. Neste âmbito, o director da Casa de Camilo salientou a importância do site do Museu, acessível em www.camilocastelobranco.org como “mais um instrumento de divulgação e valorização da obra de camiliana”.