Militantes do PCP da Trofa juntaram-se aos camaradas de Santo Tirso para dar corpo a uma das cem ações simbólicas que o partido promoveu por todo o país para assinalar os cem anos de atividade política.

A 6 de março de 1921, nascia aquele que é o partido político português mais antigo de Portugal com existência ininterrupta. O Partido Comunista celebrou um século de atividade com um programa condicionado pela pandemia de Covid-19 e marcado pelas cem ações simbólicas divididas pelo país, uma delas na Praça 25 de Abril, em Santo Tirso, onde marcaram presença militantes deste concelho e do da Trofa.

E se, para muitos, o PCP é motivo para caso de estudo numa Europa que se tem distanciado do comunismo, há jovens que ajudam a alimentar a tese de que este partido “faz todo o sentido” no panorama político português. Hugo Devesas, de Covelas, é um deles e foi um dos que, em nome da Juventude Comunista Portuguesa, discursou na ação realizada em Santo Tirso, com a presença de cerca de 30 pessoas.

Militante há cerca de cinco anos, foi na entrada para a universidade, e com alguma influência paternal, que Hugo começou a sentir que a ideologia defendida pelo PCP era aquela que se enquadrava na forma de ver a política. “Eu sei que o PCP tem uma importância política no cenário português e isso vê-se nas conquistas dos últimos anos e em toda a sua historia, desde a fundação.

Em cem anos, não há nenhuma conquista na vida política nacional que não esteja envolvida, direta ou indiretamente, com a atividade do PCP”, argumentou, deixando como exemplos os contributos para a elaboração da Constituição, a luta contra as leis da “troika” e a forma como ajudou a “derrubar a direita”, com o acordo firmado com o PS, nas legislativas de 2015.

Mas foi a partir deste acordo com o PS que o PCP perdeu fulgor nas eleições seguintes, com resultados aquém das expectativas dos comunistas. Se os ressentimentos ainda existirem, Hugo Devesas não acredita que poderão pôr em causa o futuro do partido, que, segundo o jovem, está “assegurado”, dando como exemplo “uma jovem da Trofa que se fez militante” há dias. “Nos últimos meses, nota-se que se têm juntado cada vez mais jovens à nossa luta, descontentes com o rumo que, infelizmente, a vida nacional está a levar. Por muito que digam que o PCP é um partido de velhos, eu não vejo isso, mas sim cada vez mais jovens, quer na Assembleia da República e noutros organismos, desejosos de participar”, postulou.

A nível nacional, as bandeiras do apoio aos trabalhadores e da afirmação de uma política patriótica e de esquerda são as que se abanam em tons de vermelho. Já localmente, o PCP reclama a vitória nalgumas batalhas políticas. Hugo Devesas fala, com algum orgulho – já que esteve diretamente envolvido – na “luta, com sucesso, contra o aterro em Covelas”. “Desde a primeira hora, o PCP esteve do lado da população a ajudá-la nesta reivindicação”, frisou, sem deixar também de elencar a participação do partido na “emancipação” do concelho e na “luta pelas infraestruturas básicas e por cuidados de saúde e uma educação dignos”.

Recuperar algum fôlego nas eleições autárquicas é agora o principal objetivo do PCP, que, localmente, pretende ver reforçada a representatividade ao nível dos órgãos municipais.