Cerca de 200 militantes do PS da secção da Trofa não puderam votar nas eleições e assinaram um protesto

As eleições para os representantes do Congresso Nacional do Partido Socialista foram tudo menos pacíficas na secção da Trofa.

O ato eleitoral devia ter ocorrido no dia 26 de março, mas acabou por ser adiado, já que não houve quem abrisse a secção de voto. Ao que explicou Artur Penedos, representante da Comissão Organizadora do Congresso (COC), “havia uma situação de irregularidade nos órgãos eleitos desta secção”, pelo que a COC “teve que designar uma mesa” de voto, mas “ninguém apareceu para abrir a porta”.

As eleições tiveram que ser reagendadas para o domingo passado e a secção esteve aberta, mas muitos militantes foram privados de votar, por não terem regularizado o pagamento das cotas até à data limite, que coincidiu com a primeira convocatória para o ato eleitoral (26 de março). Esta decisão da COC, que foi respeitada pela mesa de voto, levou “a uma situação de grande conflitualidade”, referiu Artur Penedos, que lamentou o facto de cerca de 200 militantes não terem podido exercer o direito de voto.

No entanto, o representante da COC salvaguardou que esta foi uma forma de respeitar a data limite para a regularização das cotas: “Se o pagamento fosse aceite para o dia 3 ou 4 (de abril) isso significava dar a uns aquilo que não foi dado a outros”.

A maioria dos militantes que não puderam votar não deixou de demonstrar o seu descontentamento e elaborou um protesto, que vai agora ser apreciado pela COC.
Magalhães Moreira, membro da Comissão Política Concelhia do PS Trofa, considerou que “o PS a nível distrital não se tem portado de modo sério”. “Não é aceitável que a mesa que presidiu a este ato de votação não seja constituída por militantes da secção”, frisou.

O socialista sublinhou que “é preciso saber que desta secção fazem parte o homem que presidiu à comissão que elevou a Trofa a concelho, o doutor Pedro Costa, os elementos da Câmara e o senhor presidente da Assembleia Municipal e é execrável nomearem pessoas estranhas à secção para estarem na mesa de voto”, frisou.

Magalhães Moreira defendeu o protesto dirigido à COC, acrescentando que os militantes “devem ir até às últimas consequências, juridicamente”.

Já o socialista João Fernandes recusou alimentar polémicas, considerando apenas que “o PS, enquanto entidade da Trofa, não merecia isto”. “Não devo entrar num jogo do ataque e se houve algum comportamento menos correto, seguramente alguém chegará a essa conclusão e agirá em conformidade”, afiançou.

João Fernandes não sabe “em que se baseia o protesto” dos militantes que não puderam votar e explicou que não faria parte de qualquer lista “tendo em conta que havia a possibilidade de haver divisões nas listas e que o apoio da lista de delegados estava direcionado para o mesmo candidato, neste caso, o camarada José Sócrates”.

De acordo com Américo Azevedo, o presidente da mesa de voto, que já tinha sido nomeado na primeira convocatória, o ato eleitoral teve “pouca afluência”, pelo que os votos na Trofa não devem “ter influência nos resultados a nível nacional”.

Apesar de o ato eleitoral ter decorrido, o protesto dos militantes pode pôr em causa a validade dos resultados obtidos na secção da Trofa.