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Velas, flores, lágrimas de saudade e oração em nome da felicidade dos que já partiram pintam o cenário do ritual que se repete ano a ano, vezes sem conta. Luciano Lagoa, pároco de S. Martinho de Bougado, não tem dúvidas de que este dia é reservado à “Eucaristia celebrada por mais gente”.

O cenário repete-se todos os anos sem excepção. Filas de carros junto ao cemitério, centenas de velas e flores que dão vida ao sítio que, normalmente, está quase vazio e silencioso ao longo do ano. A tradição transfere-se de geração em geração e pouco são aqueles que no dia 1 de Novembro não passam pelo cemitério para prestar homenagem àqueles que já só permanecem na memória dos vivos.

Se para os visitantes o Dia de Todos os Santos é o momento de reencontro de familiares e amigos, para outros é altura de negócio. Nos dias que antecedem o feriado, as floristas desdobram-se sem mãos a medir entre as encomendas e à porta dos cemitérios não falta o comércio de flores, em que os crisântemos estão no topo das preferências.

São milhares as pessoas que se juntam nos cemitérios para recordar aqueles que já partiram. A Trofa não é excepção à regra e Luciano Lagoa, Vigário da Trofa e pároco de S. Martinho de Bougado, confirma a “grande afluência da população” e não tem dúvidas de que este dia “é capaz de ser a Eucaristia celebrada por mais gente”.

Em declarações ao NT, Luciano Lagoa diz querer acreditar que a presença em massa das pessoas nos cemitérios apenas neste dia do ano “não é por uma questão social”. “Há muita gente que só neste dia se aproxima da Eucaristia, por sentimento de piedade e respeito pelos seus ente-queridos”, referiu.

Conhecidos ou não, santos, mártires e cristãos heróicos celebrados ao longo do ano são honrados neste dia. Feriado em muitos países, o dia 1 de Novembro é um dia santo na Igreja Católica reservado à veneração daqueles que estão no céu, em particular aqueles que não foram beatificados ou canonizados.

O pároco de S. Martinho de Bougado descreve o Dia de Todos os Santos como a “festa da Igreja em que se lembra todas aquelas pessoas que ao longo da sua vida souberam ter uma relação com Deus muito estreita e por isso são referenciados pelos cristãos de hoje”.

No mesmo dia, e por antecipação, as pessoas comemoram também o Dia dos Fiéis Defuntos, celebrado a 2 de Novembro. “Como o dia não é feriado transfere-se para o dia 1 também a comemoração dos fiéis defuntos, são duas festas diferentes que se interrelacionam”, explicou o pároco. “Recorda-se as pessoas que já partiram e que foram fiéis na Terra, mas tiveram as suas falhas e fraquezas”. Luciano Lagoa vê este dia como um dia de alegria, em que aqueles que já partiram “são objecto da nossa oração no sentido de pedirmos a Deus para que os possa purificar das suas fraquezas”. Inerente ao Dia dos Fiéis Defuntos é também a componente de saudade e tristeza, na medida em que lembramos as pessoas próximas de nós que já partiram, mas que acreditamos que estejam “a caminho da felicidade”.

A tradição remonta ao século II, em que os cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram.