Muita adrenalina, decibéis elevados e o característico cheiro a pneu invadiram a pista citadina da Trofa, para a segunda edição da Super Especial que reuniu mais de 80 inscritos e atraiu dezenas de milhares de espectadores que se renderam ao espectáculo das quatro rodas.

Por entre o asfalto, dezenas de exemplares de quatro rodas fizeram as maravilhas dos amantes do desporto motorizado e captaram mais adeptos com as manobras mais ou menos bem calculadas nos cerca de dois quilómetros e meio de pista montada para este segundo evento organizado na Trofa.

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Com “uma tarde esplêndida”, o espectador Manuel Lima, acérrimo defensor da freguesia onde mora, Santiago de Bougado, louvava o facto de esta acolher um evento desta natureza e só lamentava estar “preso numa gaiola”, referindo-se às grades de protecção montadas pela organização para assegurar a segurança dos espectadores.

Luís Nunes condenava as “chatices que alguns têm” e convidava ao desfrute de uma iniciativa que “está muito interessante e bem organizada”.

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À margem doque se passava nas bancadas, onde até um espectador sem convite teimava em continuar sentado num lugar que não era seu, na pista as rodas rolavam e espalhavam espectáculo em todos os centímetros percorridos. A tarde foi longa, mas pela satisfação das dezenas de milhares de pessoas – a organização estima a presença de cerca de 18 mil – tudo fazia crer que maçadora era adjectivo que não combinava na hora de caracterizar a iniciativa.

Se Pelé não consegue deixar morrer o “bichinho” do futebol, também Aleixo Roriz não consegue deixar de alimentar a paixão pelo desporto motorizado. É um sentimento que, segundo o antigo piloto, “nasce com as pessoas e vai morrer com elas”. E não é só apenas o desporto automóvel que apaixona, “tudo o que tem duas rodas desperta uma certa curiosidade”, dizia, afirmando que a isto se acrescenta o facto de “trabalhar no comércio automóvel”. “Não há outra forma de promover o produto do que estar presente nestas actividades”, afirmou ao NT/TrofaTv.

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Apesar de S. Pedro ter dado uma ajudinha com um tempo sem chuva na Trofa, o facto de o se ter verificado em Lisboa impossibilitou a iniciativa com acrobacias de um avião que estavam previstas.

Depois de um desfile de automóveis antigos, que já tinha feito parte do programa do ano passado, dezenas de exemplares de quatro rodas queimaram asfalto para fazerem o melhor tempo. Jorge Areal acabou em terceiro lugar e colocou a Trofa no pódio. O piloto trofense afirmou que a prova “correu muito bem e sem grandes percalços” e foi feita “devagarinho” para evitar surpresas desagradáveis com o carro, que terá que estar na máxima força esta semana para o Grande Prémio do Porto.

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Para além da competição, o público foi ainda contemplado com um espectáculo de freestyle, com o campeão nacional da modalidade, André Cuko, que animou os intervalos da prova.

Organização faz um balanço positivo

“Uma maravilha”. Foi desta forma que Carlos Cruz, director da prova, caracterizou o segundo evento realizado na Trofa. “Nas provas de automóveis as pessoas estão satisfeitas e nós sentimo-nos também realizados”, afirmou.

Este ano a organização fez alguns reajustes na segurança e alterou o traçado da prova, que se estendeu por mais alguns metros.

Rui Azevedo e João Andrade também fizeram um balanço positivo da prova que, segundo os trofenses, “foi um êxito” e “deve repetir-se nos próximos anos”.

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Com as melhorias em relação à primeira edição da Super Especial conseguiu-se uma “melhor iniciativa” e Rui Azevedo ainda teve oportunidade de carregar no acelerador para fazer as “honras da casa”, tendo como pendura o presidente da Câmara Municipal, Bernardino Vasconcelos.

O edil estava satisfeito com mais uma iniciativa de sucesso no concelho e ao NT/TrofaTv afirmou que “o circuito melhorou francamente, assim como a organização”.

“Os trofenses aderiram claramente a esta prova, o que significa que ela não pode mais acabar, com uma maior organização e cada vez mais apetecível para outros corredores”, afirmou.

Bernardino Vasconcelos também não deixou de frisar o facto de a Trofa “ser uma terra de pilotos”. “Estou a lembrar-me do próprio Jorge Azevedo, pai do Rui Azevedo, estou a lembrar-me do Cinoco que esteve aí num automóvel antigo, de um Arnaldo Ribeiro, de um Baptista Andrade. Agora temos a nova vaga com o Rui Azevedo, o Areal e o Rui Alves. A Trofa teve sempre uma tradição no desporto automóvel ou de karting e o que nós estamos aqui a fazer é a reviver o passado. No fundo é quase uma homenagem a todos eles e penso que acho que fizemos bem e vamos num bom caminho”, referiu.