Petição com mais de oito mil assinaturas chegou à Assembleia da República. A causa une a Trofa, mas forma como a parte final do processo da petição indignou a população do Muro, que se sentiu posta de lado.

 Oito mil cento e setenta e oito. O número vai marcar mais um passo na luta pela chegada do metro à Trofa. Este é o número de assinaturas que uma petição online reuniu para levar o assunto que faz correr tinta há uma década. Este é o número de pessoas que, segundo o promotor, Henrique Cayolla, dá para fazer uma cadeia entre a estação do ISMAI e a estação de comboios da Trofa, assinalando o troço previsto para o prometido metro.

Assegurando o dobro das assinaturas necessárias para levar o assunto a discussão no parlamento, Henrique Cayolla viajou a Lisboa e entregou o documento ao vice-presidente da Assembleia da República, António Filipe.

Acompanhado por uma comitiva composta pela presidente da Câmara, vereadores, Presidentes das Juntas de Freguesia de S. Mamede do Coroando e S. Martinho de Bougado, representantes dos partidos políticos e juventudes partidárias, o autor da petição mostrou a sua esperança em ver o assunto discutido brevemente, mas não acredita que seja levado a plenário “antes de fevereiro”.

Joana Lima, presidente da autarquia, não tem dúvidas de que a justiça deve ser reposta pois, “trata-se de um direito da população, que se viu privada do comboio com a promessa da vinda do metro”. Para além disso, a autarca salientou que, neste processo, os governantes devem “respeitar” o concelho, pois “existe um processo complicado na Trofa, que é a ligação dos parques da cidade, e ainda nada foi respondido pelo Governo sobre se vai haver obra (do metro)”.

A autarca não esqueceu “o papel importantíssimo” que a população teve na recolha das assinaturas, ao “alertar consciências” e “falar com as pessoas porta a porta”.

O líder da Comissão Política Concelhia do PSD da Trofa, Sérgio Humberto, acredita que o Governo terá uma atitude responsável nesta matéria e espera que “a condição financeira difícil do País seja superada”. No entanto, não deixou de apontar o dedo à anterior governação, do PS, referindo a visita da antiga Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, à Trofa “a anunciar o concurso do metro”, mas que foi anulado “um ano depois”.

Jaime Toga, que representou o Partido Comunista Português (PCP), acredita que “a força da população” pode desenterrar o processo já que “o PS, o PSD e o CDS não estiveram do lado da proposta que o PCP apresentou há três semanas para resolver este problema”.

Responsabilidades à parte, este é um assunto que une a Trofa.

 

 

Junta do Muro e CDS da Trofa não estiveram em Lisboa

 

O Muro foi a freguesia que mais levantou a voz contra os sucessivos atrasos do metro.

No entanto, o presidente da Junta, Carlos Martins, não viajou a Lisboa por não concordar com a forma como a parte final do processo da petição se desenrolou.

Na reunião de Câmara descentralizada que teve lugar na freguesia murense, o autarca considerou que Henrique Cayolla decidiu entregar a petição na Assembleia da República “à revelia de uma comissão que foi criada para a questão do metro e da qual ele fazia parte”. “As pessoas andaram porta a porta, foram para o Porto e para o ISMAI e estão a saber agora (sexta-feira, 21 de outubro) que a petição vai ser entregue”, frisou.

Para além disso, Carlos Martins lamentou o facto de Henrique Cayolla ter enviado um email à Comissão Política Distrital do CDS para que nomeasse um elemento do partido na Trofa para ir a Lisboa, quando o presidente da Junta é do CDS.

A Comissão Política Concelhia do partido solidarizou-se com Carlos Martins e também não esteve representada em Lisboa, pelo facto de o senhor Henrique Cayolla se intitular como autor único e criador da respetiva petição, apresentando-se isoladamente e colocando-se à margem de uma comissão que foi eleita em reunião soberana nas instalações da Junta de Freguesia do Muro para esse fim”.

Num comunicado, o CDS da Trofa fez saber que “o resultado em termos de assinaturas que esta petição obteve foi graças ao trabalho desenvolvido, não só por essa Comissão, mas também por um número significativo de murenses e cidadãos trofenses que verifica terem sido esquecidos”. “O CDS-PP da Trofa desde sempre participou e esteve ao lado dos murenses nesta ‘fraude política’ dos sucessivos Governos, até porque considera acima de tudo uma causa trofense”, pode ler-se no documento.

Henrique Cayolla explicou a sua posição com a necessidade de alargar horizontes na recolha de assinaturas. “O senhor Carlos Martins, no fim de uma reunião que eu fui assistir no Muro, disse, perentoriamente, que não ia para as outras freguesias fazer nada e foi a partir desse momento que eu tive que começar a trabalhar sozinho. Fui para a entrada do estádio do Trofense recolher assinaturas, fui para as Juntas de Freguesia da Maia e estas recolheram mais assinaturas que as juntas de freguesia da Trofa. Se queria chegar ao número que pretendia tinha que trabalhar muito e como o senhor Carlos Martins estava a trabalhar, praticamente, amarrado à Junta de Freguesia do Muro e eu tive de me expandir”, explicou.

A petição foi criada há cerca de um ano, pouco antes de o Governo cancelar o concurso para o lançamento da extensão da Linha Verde entre o ISMAI e a Trofa, que tinha sido aberto a 22 de dezembro de 2009.

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