Os vereadores do PSD não estão de acordo com a construção de um restaurante McDonald’s na Trofa. Autarquia reconhece interesse público económico do projeto que vai criar 70 novos postos de trabalho.

 

Vários foram os assuntos que “aqueceram” a quarta reunião de Câmara descentralizada, que se realizou no Muro, no dia 21 de outubro. Alguns murenses não perderam a oportunidade de assistir à discussão de alguns projetos para o concelho. Um deles levantou a discórdia entre o executivo liderado por Joana Lima e os vereadores sociais-democratas. Na reunião foi levada a aprovação a emissão de certidão de interesse público do ponto de vista económico para a instalação de um restaurante McDonald’s na Trofa. Apesar de se absterem, os vereadores do PSD não concordam com a edificação do restaurante.

Jaime Moreira foi o primeiro a pronunciar-se, atentando ao “sem número de condicionalismos urbanísticos”. “A Trofa necessita de uma empresa destas? Andamos com uma política de proteção do comércio local da Rua Conde S. Bento e hoje vamos ter um McDonald’s a concorrer com os nossos restaurantes”, referiu.

Já António Pontes (PSD) considera que “os condicionalismos urbanísticos ultrapassam “alguns benefícios” da instalação do restaurante.

Teresa Fernandes, vereadora socialista, explicou que o que está em causa é o “interesse público do ponto de vista económico”, caso “a empresa obedeça a todos os requisitos que exige o licenciamento”.

Joana Lima enumerou as mais-valias económicas para a existência da empresa na Trofa, entre as quais estão “o pagamento de impostos, numa média anual de 373 mil euros” e “a criação de 70 postos de trabalho diretos” que, de acordo com o estudo económico da empresa “serão recrutados no Centro de Emprego do município onde se vão instalar”, ou seja, na Trofa.”.

Outro dos temas que motivou as críticas dos vereadores do PSD foi o projeto do Parque das Azenhas. António Pontes considera que o processo está a ser arrastado “há dois anos”, sugerindo que seja “levantado um inquérito para saber o que é que os técnicos andaram a fazer”.

Para explicar o que foi feito neste período Joana Lima pediu que Vera Araújo, responsável pelos projetos financiados por Fundos Comunitários explicasse o que foi feito.

Quando a candidatura foi aprovada, em dezembro de 2009, o que existia era apenas um estudo prévio, que a CCDR-N (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte) aprovou como projeto de execução”. No entanto e depois de “algumas reuniões na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte foram sendo ultrapassados alguns obstáculos. Para além da “negociação com proprietários” de terrenos constantes no projeto, a autarquia esteve a fazer “os projetos de execução que não existiam” Foi necessário reunir com os proprietários (cerca de 30) mais que uma vez e tentar negociar para que assinassem os acordos o que em muitos casos acabou por não acontecer. Como alguns proprietários não chegaram a acordo com o município, o executivo levou à votação a constituição de servidão administrativa, que foi aprovada por unanimidade. Sobre este projeto, a presidente da autarquia lamenta o facto de alguns proprietários a terem “enganado”, com “reuniões atrás de reuniões e cheios de boas intenções, mas, no fim, não assinaram”. “Ninguém me tira da ideia que a aquela gente esteve a ver se o prazo se esgotava para não se avançar com nada”, asseverou.

Joana Lima esclareceu ainda que foi solicitada à CCDR-N a reprogramação da execução da obra, por mais um ano, para o fim de 2012.

 

Reforma Administrativa

 

A reforma administrativa não podia ser um tema alheio à reunião. Enquanto António Pontes questionava se existe já “um estudo concreto” sobre o que irá acontecer na Trofa, Jaime Moreira levantou a dúvida sobre a extinção do concelho da Trofa, informação que tinha sido veiculada, segundo ele, por uma “fonte, minimamente, fidedigna junto do poder”. Joana Lima refutou, justificando que a fusão dos municípios acontecerá de forma voluntária, como está descrito no Livro Verde do Governo se os municípios o solicitarem. A presidente da Câmara afirmou ainda não possuir nenhum documento concreto e que as alterações “terão ainda que ser discutidas em sede de Assembleias de Freguesia entre novembro e janeiro”.

A intenção do Governo de diminuir o número de chefes de divisão das autarquias acolhe a concordância de Jaime Moreira. “Eu considero que a Câmara da Trofa gere-se com quatro vereadores e três chefes de divisão. Chegam e sobram. Até se podia reduzir nos chefes de secção também”, afirmou.

 

Nos assuntos que interessam, especialmente, à população do Muro, a autarquia deliberou à atribuição de um subsídio de 20 mil euros para as obras realizadas na Rua de S. Pantaleão. Recorde-se que a zona foi intervencionada, inicialmente, sob o encargo da Junta de Freguesia, que considerava que “a capela era a que menos dignidade tinha no concelho”.

Questionada por Jaime Moreira, Joana Lima garantiu também que a Estrada Nacional 318 será intervencionada, para colocação de um piso provisório, “ainda este ano de 2011”.

 

Presidente da Junta satisfeito

 

Carlos Martins, presidente da Junta de Freguesia marcou presença na reunião de Câmara que decorreu na sede da Junta do Muro e realçou que “esta foi a primeira vez” que “enquanto autarca do Muro” recebeu um executivo. O presidente agradeceu a deliberação do subsídio de cerca de 20 mil euros atribuído à sua freguesia e em jeito de brincadeira fez votos para recebê-los até final do mês de outubro.

Relembrando a luta pela criação do concelho da Trofa, cuja comissão promotora reuniu nas instalações da Junta do Muro, o autarca colocou-se à disposição para colaborar com a autarquia liderada por Joana Lima.

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