A Assembleia da República vai discutir o projeto do metro até à Trofa no dia 20 de abril.

Vinte de abril. Durante a manhã deste dia, a Assembleia da República (AR) vai discutir a questão do metro até à Trofa. A presidente da AR, Assunção Esteves, colocou este ponto na agenda do Parlamento depois de a petição que defendia a construção do meio de transporte – e que reuniu mais de oito mil assinaturas – ter sido entregue na AR e motivado uma reunião entre o primeiro subscritor, Henrique Cayolla, e a Comissão Parlamentar da Economia e Obras Públicas.

O deputado socialista Fernando Jesus, que esteve encarregado de elaborar o relatório sobre a petição, entregou-o à presidente da AR que, por sua vez, agendou a discussão do assunto. A petição pública foi (mais) um passo na tentativa de reivindicar o meio de transporte, depois de este ter sido prometido aquando a desativação da “linha estreita” de comboio, que ligava o Porto a Guimarães e que servia, principalmente, as populações da freguesia do Muro e Santiago de Bougado. O calendário marcava o dia 23 de fevereiro de 2002, quando o último comboio passou pelos trilhos com a promessa de ser substituído pelas modernas e rápidas carruagens do metro que em pouco tempo deveriam começar a passar por ali, em via dupla. Já passaram dez anos. 

O dossiê do metro até à Trofa tem páginas de avanços e recuos. Depois de esta empreitada ter sido incluída na primeira fase – já concluída – acabou por ser preterida para a segunda. Muitos governantes prometiam que a Trofa não iria ver o projeto ser adiado para as calendas gregas. Entre atrasos e reconsiderações – em 2008, o então ministro Mário Lino equacionava construir a linha Verde em via simples – uma das melhores notícias para a população trofense foi o lançamento do concurso, a 22 de dezembro de 2009, para a construção da extensão da Linha Verde entre o ISMAI e a Trofa. No entanto, um ano depois, acabou por ser anulado. 

A justificação da empresa Metro do Porto (MP): “Uma significativa e progressiva degradação da conjuntura económica e financeira do País”. Enquanto a MP é “obrigada a rever os seus orçamentos e planos de atividades para o ano em curso e até 2013”, os trofenses esperam ver “uma luz ao fundo do túnel” na discussão do assunto no Parlamento.

Projeto sairá da gaveta?

Agora que o projeto do TGV foi anulado, há quem defenda que os fundos previstos para essa empreitada sejam canalizados para obras como o metro da Trofa. Esta hipótese foi, inclusive, levantada pelo deputado do CDS, Michael Seufert, em declarações ao NT, em fevereiro deste ano, aquando da reunião com o primeiro subscritor da petição: “É possível estudar a possibilidade do desvio de fundos europeus adjudicados a outras obras para essa linha”, sublinhou.

Por seu lado, o Partido Comunista Português tem sido intransigente na defesa do Metro até à Trofa. O deputado Honório Novo afirmou, na mesma altura, que o partido continua a defender esta empreitada, relembrando que apresentou no Parlamento um projeto de resolução que sugeria “a mobilização de meios financeiros que não vão ser usados neste QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) e a mobilização, a seis ou sete anos, dos meios financeiros do próximo quadro comunitário de apoio, que foi rejeitado pelo CDS e PSD, teve a abstenção do PS e foi aprovado pelo PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes”. 

Já Fernando Jesus, do PS, acusou o anterior executivo camarário trofense, presidido por Bernardino Vasconcelos, de não ter tido “força nem engenho” para fazer pressing junto dos governantes para o prolongamento da Linha Verde, que liga o ISMAI e a Trofa.

No entanto, nesta discussão, sabe-se que a última palavra caberá ao Governo de coligação PSD/CDS. Ainda antes de ser primeiro-ministro, numa visita à Trofa em julho de 2010, Pedro Passos Coelho afirmava ao NT “desconhecer” os termos em que a decisão do adiamento do projeto do metro à Trofa foi tomada. “Nós temos a certeza que há um conjunto de investimentos que eram importantes para o país, há muitos que não são e que precisam de ser reescalonados, o que quer dizer que não podem ter lugar agora. Confesso que não sei se foi essa a preocupação que presidiu ou não a essa decisão”, afirmou.

Agora que está há dez meses no Governo, o TGV já caiu… falta saber se o projeto do Metro da Trofa é um investimento prioritário ou se continuará fechado numa gaveta…

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