Depois de ter já feito correr quilómetros de tinta, foi finalmente assinado o acordo entre o Governo e a Junta Metropolitana do Porto para o avanço da construção das novas linhas do Metro do Porto. O investimento será de 500 milhões de euros e é para avançar já. A linha da Trofa está incluída neste acordo e deverá ver o concurso internacional a ser lançado em 2008.

O presidente da JMP, Rui Rio considerou que o acordo foi "mais difícil" para a JMP, "o Governo é um só, mas a JMP são 14 concelhos e é necessário conciliar interesses".

Contudo, no início do discurso o autarca garantiu que "a JMP ganhou", admitindo que o Governo também diga o  mesmo. "Cada um cedeu" numa questão que é motivo de orgulho para a AMP e para o país", referiu elogiando também o Governo por reconhecer a importância do projecto. "Se a AMP está bem o Governo também está", afirmou, por seu lado, o ministro das Obras Públicas, Mário Lino lembrando que o acordo "define o que é essencial para o vosso e o nosso ponto de vista" Rio admitiu ainda ter "defendido os interesses da Trofa, quase tanto como o seu presidente de Câmara (Bernardino Vasconcelos).

O primeiro-ministro, José Sócrates, apontou que "agora ficou claro para ambas as partes o que fazer", graças a "uma maturidade política de ambas as partes, num projecto nacional que será pago pelo dinheiro dos portugueses.

Mas nem sempre foi assim, Mário Lino foi o único que único que mais directamente admitiu que o caminho para o possível consenso foi tortuoso: "tivemos grandes crispações" num "projecto que foi sempre acarinhado pelo Governo", referiu.

De acordo com o ministro será possível avançar com a segunda fase do metro ainda este ano e, em Janeiro de 2008, lançar um concurso global para todas as linhas. "Vamos prolongar a rede para quase o dobro e investir 500 milhões de euros", explicou ao mesmo tempo que considerava que "este é um dia em que estamos todos satisfeitos".

O ministro reafirmou que os concursos para o prolongamento das linhas azul, entre o Estádio do Dragão e Gondomar, e amarela, entre S. João de Deus e Laborim (Gaia), serão lançados ainda este ano, ficando para Janeiro de 2008 o lançamento do concurso global para a segunda fase, em que se inclui a Linha da Trofa.

Rio pede a Sócrates para que se lembre do Norte

À margem do motivo da cerimónia, Rio aproveitou para pedir a Sócrates para que esteja atento aos níveis de desenvolvimento e de desemprego registados no Norte. "Sei que quem quer que seja o primeiro-ministro, quando acorda tem 500 problemas para resolver, mas peço que esteja atento à competitividade e ao desemprego na zona Norte do país", referiu.

O chefe do Governo respondeu ilustrando o cenário de recuperação da economia portuguesa "assente nas exportações" e lançando um desafio aos empresário para que não tenham medo de investir em vez de "chorarem" sobre as suas desilusões.

Quando saía do Palácio, José Sócrates mandou o motorista parar e sai do carro propositadamente para cumprimentar o ex-presidente da Câmara de Matosinhos e ainda administrador não executivo da Metro do Porto, Narciso Miranda, que se encontrava no exterior em dialogo com a deputada socialista Joana Lima.

Reacções dos partidos políticos da Trofa

O presidente da autarquia, Bernardino Vasconcelos considerou este momento como "histórico para todos os trofenses, já que conseguiu-se assegurar a vinda do Metro até à Trofa, fazendo a ligação do metro com os transportes rodo-ferroviários".

A deputada socialista Joana Lima, que ocupa também os lugares de vereadora da autarquia e presidente da concelhia da Trofa considerou este acordo como "um passo histórico para a população da Trofa" mas relembrou que "sendo o presidente da camara da Trofa o mesmo que passou já por dois governos PSD e um PS, não deixa de ser relevante que tenha sido com o Partido Socialista a resolver este assunto".

Joana Lima acrescentou que "o Governo PS mostrou mais uma vez que é sensível ao Norte e à Trofa".

O Partido Comunista Português, em comunicado enviado às redacções, diz que "o acordo sobre a linha da Trofa, não passa de um flop" Na verdade o acordo não garante que a duplicação da Linha entre o ISMAI e a Trofa avance, podendo colocar em causa a própria rentabilidade deste troço".

Já o CDS/Trofa, liderado por Paulo Serra diz-se satisfeito com este acordo, considerando que "o CDS sempre defendeu a vinda de Metro para a Trofa, de forma a ser reposta a justiça para com as populações, a quem há vários anos foi retirado o comboio com a promessa de que o Metro substituiria este meio de transporte", assegurou.