Henrique Cayolla, primeiro subscritor da petição pública do Metro até à Trofa, esteve reunido com elementos da Comissão Parlamentar da Economia e Obras Públicas. Deputado socialista Fernando Jesus está encarregado de fazer o relatório para apresentar à presidente da Assembleia da República.

O deputado Fernando Jesus, do Partido Socialista, ficou responsável por elaborar o relatório sobre a linha de metro da Trofa, depois da reunião da Comissão Parlamentar da Economia e Obras Públicas que decorreu na semana passada com Henrique Cayolla, primeiro subscritor da petição online reivindicativa, que reuniu mais de oito mil assinaturas. Elaborado o relatório, e depois de aprovado pela Comissão Parlamentar, o deputado socialista remete para Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República, que irá agendar a discussão do assunto em sede de Parlamento. 

Henrique Cayolla reuniu com deputados do PS (Fernando Jesus), PSD (Eduardo Teixeira), CDS (João Paulo Viegas e Michael Seufert) e PCP (Honório Novo, Agostinho Lopes e Jorge Machado) para apresentar os pressupostos que levaram à criação da petição pública, sustentando-os com “13 documentos relevantes”. Cayolla afirmou que os deputados “escutaram com atenção” a exposição que fez para justificar que a linha da Trofa (que estava incluída na primeira fase da obra, já concluída) devia avançar na segunda fase, “antes de qualquer outra”. À intenção do Governo de estudar “o rácio custo-benefício” desta linha, Cayolla contrapôs com o argumento de que “a Trofa é um centro nevrálgico de vias de comunicação, pois para além dos trofenses, há muita gente que trabalha e se desloca à Trofa, aos hospitais, centros de saúde”. “Vão comparar os trofenses, que se serviam linha estreita há 11 anos? Não serve de termo de comparação com os dias de hoje. Tem que se pensar que um serviço público como este é para servir não só quem reside na Trofa, mas todas as pessoas que precisam da Trofa”, sustentou.

Durante a reunião, Fernando Jesus acusou o anterior executivo camarário trofense, presidido por Bernardino Vasconcelos, de não ter tido “força nem engenho” para fazer pressing junto dos governantes para o prolongamento da Linha Verde, que liga o ISMAI e a Trofa. “Em 2008, os próprios presidentes das câmaras decidiam como eram feitos os investimentos no Metro do Porto e a Câmara da Trofa não teve capacidade de influência junto da Junta Metropolitana do Porto para que se fizesse a obra”, confirmou ao NT o deputado socialista. E acrescentou: “Mais valia ter deixado como estava, com o comboio a circular na linha de Guimarães”.

O deputado do PCP, Honório Novo, reiterou “aquilo que tem sido a intervenção do partido ao longo de todo o processo, desde a desativação da linha do comboio até à decisão mais recente feita por esta administração (da Metro do Porto)” de cancelar o concurso público para a construção da Linha Verde.

O comunista afirmou que o PCP vai continuar a defender esta empreitada, relembrando que apresentou no Parlamento um projeto de resolução que sugeria “a mobilização de meios financeiros que não vão ser usados neste QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) e a mobilização, a seis ou sete anos, dos meios financeiros do próximo quadro comunitário de apoio, que foi rejeitado pelo CDS e PSD, teve a abstenção do PS e foi aprovado pelo PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes”. 

Honório Novo sublinhou que o PSD “continua sem vontade” de construir a extensão da Linha Verde, apesar de “em maio ou junho do ano passado, durante a campanha eleitoral, ter colocado outdoors em vários pontos da Trofa, que diziam que era uma vergonha não se ter construído o metro”.

Michael Seufert, deputado eleito do CDS pelo distrito do Porto, elogiou a “vontade de participação cívica” por parte de Cayolla sobre uma questão “que o CDS conhece muito bem”. O deputado centrista lembrou que o partido tem mantido contacto permanente com o presidente da Junta de Freguesia do Muro, Carlos Martins, que “tem chamado a atenção já há muitos anos para este problema que ainda não foi solucionado”.

Apesar de considerar que a situação é de “difícil solução”, Michael Seufert admitiu que é possível “estudar a possibilidade de desvio de fundos europeus adjudicados a outras obras para essa linha”. “Algumas das linhas de comboio, que foram suprimidas e substituídas por linhas do metro, como na Póvoa, poderiam ter-se mantido para tornar o modelo do Metro do Porto mais sustentado. Isso não foi o caso e quem paga são os trofenses, o que lamentamos, profundamente”, sublinhou. 

O NT tentou contactar Eduardo Teixeira, deputado do PSD, sem sucesso, apesar das inúmeras tentativas ao contactar para a Assembleia da República. 

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